Família “em Conserva”: O Exemplo Moral que o Paraná Quer Exportar ao Brasil?

Família “em Conserva”: O Exemplo Moral que o Paraná Quer Exportar ao Brasil?

Como diria Negrão Sorriso: Vamos meter o pé na lata, trem!

A imagem da família dentro de uma lata de conserva foi publicada pelo apresentador Ratinho, pai do governador Ratinho Junior. A intenção simbólica era clara: defender valores, tradição, família preservada.

Mas quando a família vira peça de marketing político, não se conserva apenas a imagem. Conserva-se também a memória dos fatos.

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Se é para falar em conserva, então é preciso listar tudo o que está sendo mantido intacto ao longo dos anos.

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Conserva-se o discurso moralista, repetido como selo de superioridade ética. Conserva-se a retórica de defesa da família tradicional. Conserva-se a velha lábia para convencer o eleitorado.

Mas também se conservam questionamentos que nunca foram totalmente dissipados.

Conserva-se a lembrança de declarações antigas sobre sonegação de impostos, que sempre retornam quando o tema moralidade fiscal entra no debate público. Conservam-se contratos de emissoras de TV e rádio ligadas ao grupo familiar com o Governo do Paraná, comandado pelo próprio filho.

Conserva-se a polêmica envolvendo o empreendimento Tayayá, divulgado como referência em Porto Rico, mas localizado em São Pedro do Paraná. Conserva-se o debate sobre o irmão que atua no mercado de shows e eventos, com contratos em prefeituras que recebem recursos do Estado para obras e, coincidentemente ou não, fecham programação festiva com o mesmo grupo empresarial.

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Conserva-se ainda a sombra de suposto caixa dois em campanha eleitoral. Conserva-se a manutenção de nomes estratégicos como Guto Silva no governo, figura que também circula no tabuleiro sucessório estadual.

Quando a família é colocada dentro de uma lata como símbolo político, a cobrança deixa de ser privada e passa a ser pública. Porque quem usa a própria família como argumento eleitoral transforma a imagem em plataforma.

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O ponto central não é atacar família. É questionar coerência. Quem levanta a bandeira da moral e dos bons costumes precisa aceitar que sua trajetória empresarial, política e financeira será analisada sob a mesma lente rigorosa que aplica aos adversários.

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Os anos passam. As campanhas mudam. Os slogans se renovam. Mas certas estruturas permanecem cuidadosamente preservadas.

Talvez a metáfora da conserva tenha sido mais precisa do que parecia. Não apenas valores são conservados. Conserva-se também a habilidade histórica de convencer o povo enquanto negócios, contratos e articulações políticas seguem protegidos dentro da embalagem.

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Em política, não basta rotular como família exemplar. É preciso demonstrar, com transparência e coerência, que nada dentro da lata está fora da validade ética que se cobra dos outros.

Redação O Diário de Maringá

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