Endereço sem atividade e R$ 21 milhões do Banco Master na conta: a empresa de Ratinho sob suspeita em Marumbi
A empresa de Ratinho em Marumbi precisa explicar, com documentos, por que aparece no centro de uma operação milionária ligada ao Banco Master. Fui pessoalmente ao endereço da Massa Intermediação e Assessoria Empresarial Ltda., na Avenida Tiradentes, 1030, no Centro de Marumbi. A empresa tem como atividade principal a consultoria em gestão empresarial. Ao mesmo tempo, reportagens recentes afirmam que ela recebeu R$ 21 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025. Além disso, esses pagamentos teriam ocorrido no período em que Ratinho divulgava o CredCesta, produto associado ao banco.
Valor chama atenção em cidade pequena
A dúvida cresce porque Marumbi é um município pequeno. O IBGE registrou 4.699 habitantes no Censo de 2022 e estimou 4.780 moradores em 2025. Já a Lei Orçamentária Anual 923/2025 fixou o orçamento municipal de 2026 em R$ 31.742.841,00. Portanto, os R$ 21 milhões atribuídos à empresa representam cerca de dois terços de todo o orçamento anual da cidade.
Isso muda o tamanho da pergunta. Não se trata de detalhe burocrático. Trata-se de uma operação grande demais para conviver com explicações vagas.
O que a apuração encontrou no endereço
Quando cheguei ao local, não vi sinais aparentes de uma estrutura empresarial compatível com uma operação desse porte. Na frente, encontrei um salão comercial fechado. Além disso, não observei fluxo de funcionários, rotina administrativa visível nem sinal externo de atividade intensa.
Dentro do imóvel, no limite do que consegui apurar presencialmente, também não encontrei elementos que identificassem de forma clara a operação da empresa de Ratinho. Ao contrário, alguns móveis aparentavam ligação com o universo da La Baby, e não com uma estrutura voltada à consultoria e à intermediação descritas no cadastro empresarial.
Nos fundos do imóvel, segundo a apuração presencial, mora a ex-mulher do contador ligado à empresa. Também recebi a informação de que esse contador seria pai do dono da La Baby. Registro esse ponto com cautela. Não apresento essa informação como prova documental fechada. Ainda assim, ela é relevante e exige resposta objetiva dos envolvidos.
Sobrenome conhecido reforça a necessidade de esclarecimento
A dúvida não nasce apenas da observação de campo. Ela também cresce quando os cadastros empresariais entram em cena. A empresa de Ratinho aparece em bases públicas com sede em Marumbi e atividade de consultoria. Paralelamente, o sobrenome Labegalini surge de forma recorrente no ambiente empresarial local.
A I. G. Labegalini Ltda. tem matriz em Marumbi e aparece associada ao nome fantasia La Baby Outlet em registros públicos. Além disso, a Confecções e Fios Labegalini Ltda. também mantém sede no município. Esse cruzamento, por si só, não prova irregularidade. Contudo, ele reforça a necessidade de esclarecimento. Afinal, qual é a relação concreta entre a sede da empresa de Ratinho, o ambiente encontrado no local e o círculo empresarial associado ao sobrenome Labegalini?
Se a propaganda era do Master, por que a nota saiu de Marumbi?
Esse é o ponto central da cobrança. Se o pagamento decorreu da atuação de Ratinho como garoto-propaganda do Banco Master, ou de produto ligado ao grupo do banco, por que a nota teria saído justamente de uma empresa sediada em Marumbi?
A pergunta precisa ser enfrentada com clareza. A imprensa atribuiu a remuneração a uma empresa de consultoria localizada em uma pequena cidade do interior, e não a uma estrutura de mídia amplamente conhecida do público. Se essa escolha foi regular, então existe uma justificativa empresarial, contratual e tributária. Nesse caso, os responsáveis precisam apresentá-la.
Não afirmo sonegação sem prova. Seria irresponsável fazer isso. No entanto, cabe perguntar o que qualquer cidadão atento perguntaria diante desse conjunto de fatos: os impostos dessa operação foram recolhidos corretamente? A emissão da nota por essa empresa em Marumbi obedeceu a uma lógica operacional legítima? Houve prestação efetiva do serviço por essa estrutura? Ou ainda existe uma escolha societária e tributária que precisa ser explicada ao público?
Sem contrato, sem nota detalhada, sem comprovação de execução e sem demonstração de recolhimento tributário, a dúvida continua de pé.
Histórico público amplia a cobrança, mas não substitui prova
O contexto também pesa. Há registros públicos de declarações e reportagens antigas que associaram Ratinho e empresas ligadas a ele a disputas tributárias relevantes. Ao mesmo tempo, esse histórico exige precisão. Decisões judiciais posteriores alteraram parte desse cenário. Em outras palavras, o passado não autoriza condenação antecipada, mas também não justifica silêncio diante de uma nova dúvida de interesse público.
Por isso, o jornalismo responsável não acusa sem prova. Ainda assim, também não ignora sinais que pedem explicação.
O que precisa ser mostrado agora
Resposta genérica não basta. Ratinho precisa explicar por que a operação passou por essa empresa sediada em Marumbi. O Banco Master, por sua vez, precisa detalhar qual serviço contratou, como mediu a execução e por que destinou os pagamentos a essa estrutura empresarial.
Além disso, os citados no entorno do imóvel precisam esclarecer a relação entre o endereço, a La Baby e os vínculos pessoais identificados na apuração presencial.
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Se tudo está regular, a solução é simples. Mostrem os contratos, as notas fiscais, a descrição do serviço, a equipe responsável, o local da execução e os comprovantes de recolhimento tributário. Transparência resolve o que o silêncio complica. Neste caso, o silêncio apenas amplia a sombra.
Conclusão após a ida a Marumbi

Fui a Marumbi, vi o endereço e apurei o ambiente. Saí de lá com uma convicção jornalística clara: a pergunta sobre a empresa de Ratinho em Marumbi não é exagerada. Ela é necessária.
Quando uma cidade com menos de 5 mil habitantes abriga, no papel, uma empresa associada a R$ 21 milhões do Banco Master, o mínimo que se espera é coerência entre papel, estrutura, serviço prestado e imposto recolhido. Até que isso fique demonstrado, a dúvida permanece legítima. Neste episódio, questionar é prestar serviço ao leitor.




