Rodeio, veículo público e cargo de confiança: MP cobra explicações em Santo Inácio
Levei ao Ministério Público questionamentos sobre a prestação de contas do rodeio de 2025, o uso supostamente indevido de veículo da Prefeitura pela vereadora Teresa Mota, o cargo da filha do presidente da Câmara na gestão Geny Violatto e as ligações políticas em torno da Sociedade Rural e da contratação de shows.
Por Gilmar Ferreira, editor-chefe do O Diário de Maringá
A denúncia sobre o rodeio de 2025 em Santo Inácio entrou em nova fase depois que eu, Gilmar Ferreira, editor-chefe do O Diário de Maringá, protocolei representação no Ministério Público. Tomei essa medida porque a população tem o direito de saber como o dinheiro público circulou, quem participou das decisões e por que a Câmara Municipal não agiu com a firmeza que o caso exige.
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Segundo a apuração da redação, o Ministério Público já pediu explicações à Câmara sobre a prestação de contas do rodeio de 2025, o uso supostamente indevido de veículo do município pela vereadora Teresa Mota para atividade política e a situação do presidente da Câmara, Ronaldo Cabeção, cuja filha ocupa cargo de confiança na Prefeitura comandada por Geny Violatto. Além disso, a apuração aponta vínculos políticos e familiares que, no mínimo, exigem esclarecimentos públicos imediatos.
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Matheus e James Belini aparecem no centro de outra dúvida
Um dos pontos mais delicados envolve Matheus Silveira Guarez e seu sogro, James Belini. Segundo a apuração da redação, James Belini, embora não apareça formalmente nos contratos, seria a pessoa que supostamente intermedia shows na cidade. Essa informação ganha peso porque Matheus ocupa função pública relevante no município e também aparece ligado à estrutura do rodeio.
Por isso, a cidade precisa saber com clareza quem negociou atrações, quem participou das tratativas, quem autorizou despesas e qual foi o papel de cada agente nesse processo. Quando há relação familiar, função pública e contratação de shows no mesmo ambiente, a exigência de transparência aumenta. E aumenta muito.
Ligação do vereador Japa com a Sociedade Rural também precisa ser esclarecida
Outro ponto que não pode ficar de fora envolve o vereador Japa. Segundo informações apuradas pela redação, a esposa do vereador trabalha na Sociedade Rural e Comunitária de Santo Inácio. Esse vínculo tem relevância política direta porque a entidade está justamente no centro da cobrança sobre o rodeio e sobre a prestação de contas.
Além disso, a Câmara deveria fiscalizar com independência tudo o que envolve a associação. No entanto, quando existe esse tipo de ligação familiar, surge um questionamento evidente sobre a liberdade política para cobrar, investigar e exigir documentos. Ninguém está antecipando culpa. Porém, a população tem o direito de saber se relações pessoais podem ter enfraquecido a fiscalização.
Teresa Mota e Ronaldo Cabeção também precisam responder
A denúncia que protocolei também trata da vereadora Teresa Mota. Segundo o material levado ao Ministério Público, há suspeita de uso supostamente indevido de veículo da Prefeitura para fazer política. Carro público deve atender ao interesse público. Portanto, esse ponto exige resposta objetiva, documental e sem rodeios.
Ao mesmo tempo, o presidente da Câmara, Ronaldo Cabeção, precisa explicar a situação da filha nomeada em cargo de confiança na Prefeitura de Geny Violatto. Esse fato amplia a pressão sobre a independência do Legislativo. Afinal, a população espera que a Câmara fiscalize a prefeita, e não que atue sob ambiente de acomodação política.
Quando a Câmara não fiscaliza, o Ministério Público precisa agir
Se a maioria da Câmara de Santo Inácio tivesse assumido o compromisso que o caso exige, talvez essa denúncia não fosse necessária. No entanto, o cenário foi outro. Em vez de cobrança firme, a cidade viu silêncio, passividade e pouca disposição para enfrentar os fatos.
Por isso, recorri ao Ministério Público. Se a Câmara não cobra a prestação de contas, alguém precisa cobrar. Se vínculos políticos, familiares ou funcionais enfraquecem a fiscalização, os órgãos de controle devem agir. Foi exatamente esse o caminho que adotei.
O que a população espera agora
A população de Santo Inácio espera algo básico: verdade, documentos e responsabilidade. Se não houve irregularidade, os envolvidos podem provar isso com transparência. Entretanto, se a apuração confirmar ilegalidades, desvios ou favorecimentos, os responsáveis precisam responder na forma da lei.
Confiamos que, dessa vez, tudo possa ser esclarecido. E, caso existam irregularidades, os envolvidos devem ser punidos. O que não pode continuar é a cidade conviver com dúvidas graves, dinheiro público sob questionamento e autoridades que evitam responder.
O espaço segue aberto para manifestação da prefeita Geny Violatto, de Matheus Silveira Guarez, de James Belini, da vereadora Teresa Mota, do presidente da Câmara Ronaldo Cabeção, do vereador Japa, da Sociedade Rural e Comunitária de Santo Inácio e dos demais citados.





