Água gelada não basta: cresce cobrança por retorno social da SRM
A discussão sobre a SRM e a contrapartida à sociedade reacendeu questionamentos em Maringá. Isso porque, depois de receber uma vultosa quantia do poder público ao longo dos anos e principalmente este anos , a Sociedade Rural de Maringá passou a divulgar como novidade para esta edição da feira a oferta de água gelada ao público e a promessa de melhora nos preços das bebidas.
No entanto, a reação de parte da população não foi de entusiasmo. Ao contrário. Nos bastidores, o anúncio caiu como um banho frio em quem esperava uma mudança real sob a gestão de Henrique Pinto.
Água gelada não é favor
Afinal, oferecer água gelada ao visitante não deveria ser tratado como gesto extraordinário. Trata-se de uma medida básica de respeito ao público e previsto em lei desde 2023. Da mesma forma, buscar preços menos abusivos para bebidas e produtos também não representa favor. Isso faz parte do mínimo que qualquer gestor consciente deveria garantir em um evento de grande porte.
Por isso, cresce a percepção de que a novidade anunciada está muito abaixo da expectativa criada em torno da nova administração da entidade. Quem esperava algo efetivamente diferente começa a perceber que, até agora, o discurso de renovação ainda não se transformou em contrapartida concreta.
O debate sobre o dinheiro público
Além disso, outra crítica ganha força. O dia em que os portões ficam abertos ao público, na prática, só acontece porque o poder público paga esse acesso. Portanto, cresce o questionamento sobre qual é, de fato, a devolução social da entidade para a população de Maringá, especialmente diante do volume de recursos públicos que envolve a feira.
Sob esse ponto de vista, muitos esperavam mais no primeiro ano da nova administração. Havia expectativa de alguma medida concreta e simbólica. Por exemplo, um show gratuito em dia de portão aberto, sem contrapartida do poder público. Ou então a reversão do valor de uma apresentação para entidades locais. Outra possibilidade seria a destinação de parte da receita para uma causa pública relevante, como o Hospital da Criança. Nada disso, porém, foi anunciado até agora.
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Mudou a gestão, mas mudou a lógica?
Por isso, o sentimento que começa a aparecer é o de repetição. Muda a gestão, muda o discurso, mas a lógica segue parecida. A festa arrecada, movimenta cifras altas, atrai patrocinadores e vende ingressos, camarotes e espaços. Em contrapartida, o retorno social direto ainda parece insuficiente para boa parte da sociedade.
Esse é justamente o ponto que amplia o desgaste. Afinal, quando uma entidade recebe apoio relevante do poder público, a população espera mais do que medidas básicas. Espera gesto concreto, sensibilidade social e compromisso real com quem, no fim das contas, também ajuda a sustentar a grandiosidade do evento.
Empregos temporários fazem parte do modelo
Outro argumento usado todos os anos também volta à cena: a geração de empregos temporários. É evidente que a feira cria postos de trabalho sazonais. Contudo, essa movimentação faz parte do próprio modelo de negócio do evento. Ou seja, não se trata de favor, mas de consequência natural de uma atividade que busca ampliar receita e resultado.
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Em outras palavras, usar esse ponto como grande justificativa para rebater críticas não resolve a principal cobrança. O debate não gira apenas em torno da movimentação econômica. O centro da discussão está na contrapartida efetiva para a sociedade maringaense.
Reclamações sobre preços aumentam a insatisfação
Enquanto isso, já circulam reclamações sobre valores de ingressos e camarotes supostamente mais altos do que em edições anteriores. A reportagem não afirma, neste momento, que houve aumento, porque isso exige comparação documental detalhada. Ainda assim, o fato é que as queixas já existem e reforçam o desgaste.
Diante desse cenário, a pergunta permanece: mais um ano vai passar e, no fim, a única grande novidade será água gelada? Para quem esperava uma feira mais conectada com o interesse público, a frustração começa a falar mais alto do que o discurso de renovação.
O espaço segue aberto para manifestação da Sociedade Rural de Maringá e de Henrique Pinto.





