Ortigara tenta explicar rombo, mas admite que Estado tem mais pedidos do que caixa
Arilson Chiorato cobrou explicações sobre déficit de R$ 3,4 bilhões, enquanto Norberto Ortigara reconheceu que o governo recebeu muitos pedidos e não conseguirá atender tudo em prazo curto
O Paraná terminou o primeiro quadrimestre de 2026 com uma conta preocupante. O Estado gastou mais do que arrecadou e registrou déficit orçamentário de R$ 3,4 bilhões, segundo questionamento feito pelo deputado estadual Arilson Chiorato durante audiência pública na Assembleia Legislativa.
De forma simples, é como uma casa que recebe menos dinheiro, mas aumenta as compras, assume novas contas e ainda promete ajudar os vizinhos. Em algum momento, alguém precisa perguntar: vai ter dinheiro para pagar tudo?
Foi exatamente esse o ponto levantado por Arilson. O deputado afirmou que os investimentos saltaram de R$ 1,6 bilhão para R$ 3,8 bilhões no primeiro quadrimestre. Além disso, ele questionou a velocidade dos pagamentos em ano eleitoral.
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Ortigara reconhece limite do caixa
Na resposta, o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, negou repasse livre de dinheiro aos prefeitos. Segundo ele, os pagamentos seguem plano de trabalho, cronograma e medição. No entanto, Ortigara fez uma admissão politicamente relevante: o governo recebeu um volume enorme de pedidos e não conseguirá dar conta de tudo em prazo curto.
Ou seja, muito do que foi prometido aos municípios pode não chegar. E isso afeta prefeitos que anunciaram obras, contrataram projetos e criaram expectativa na população.
Promessa não é dinheiro em caixa
Esse é o ponto central. Uma promessa feita pelo governo não significa obra pronta. Também não significa dinheiro depositado. Muitas cidades podem ter ouvido “vai sair”, mas agora descobrem que o Estado não tem fôlego para entregar tudo.
O próprio Ortigara afirmou que há pedidos bons para municípios, comunidades e entidades. Porém, segundo ele, o Estado não consegue atender tudo em prazo tão curto sem tirar dinheiro de onde não tem.
A conta política chegou antes da obra
Arilson também cobrou clareza sobre quais convênios serão firmados antes do processo eleitoral e quais ficarão pelo caminho. A pergunta é necessária, porque muitos prefeitos pagaram projetos e agora não sabem se o investimento sairá de fato.
Portanto, o problema não está apenas no déficit. Está também na diferença entre propaganda e entrega real. Se o governo prometeu mais do que pode executar, a população precisa saber agora.
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