No governo Ratinho, Paraná vai na contramão do Brasil e vê desmatamento crescer 59%, aponta MapBiomas
O desmatamento no Paraná no governo Ratinho cresceu 59,2% em 2025, enquanto o Brasil reduziu a devastação em 20,6%, segundo o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, divulgado pelo MapBiomas. O dado coloca o Estado em uma posição desconfortável no debate ambiental nacional.
De acordo com o levantamento, o Paraná passou de 430 hectares desmatados em 2024 para 684 hectares em 2025. Portanto, o Estado perdeu o equivalente a quase mil campos de futebol em vegetação nativa. Embora o número absoluto seja menor que o de estados da Amazônia, do Cerrado e do Nordeste, o crescimento proporcional acende um alerta político e ambiental.
Paraná seguiu caminho oposto ao Brasil
O contraste é direto. O Brasil registrou 984.794 hectares desmatados em 2025. Além disso, pela primeira vez na série histórica do MapBiomas Alerta, o país ficou abaixo de um milhão de hectares desmatados em um ano. O relatório também aponta que todos os biomas brasileiros tiveram redução na área desmatada.
Enquanto isso, o Paraná ampliou sua área desmatada. Segundo o MapBiomas, apenas dez unidades da federação tiveram aumento em relação a 2024. Entre elas, São Paulo e Paraná aparecem com os maiores aumentos proporcionais: 67,3% e 59,2%, respectivamente.
A pergunta, portanto, é inevitável: por que o Paraná cresceu tanto quando o país inteiro reduziu?
Mata Atlântica concentra quase todo o desmatamento no Paraná
O relatório mostra que 99,85% do desmatamento registrado no Paraná ocorreu na Mata Atlântica. Foram 683 hectares dentro desse bioma. O Cerrado respondeu por apenas 1 hectare no Estado.
Esse dado amplia a gravidade do caso. A Mata Atlântica já é um dos biomas mais pressionados do país. Assim, qualquer aumento relevante exige explicação técnica, transparência pública e fiscalização efetiva.
O reservatório do Miringuava precisa entrar na conta
Parte relevante desse aumento está associada ao reservatório do Miringuava, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A obra teria provocado a supressão de 188 hectares, o equivalente a 269 campos de futebol.
Mesmo quando o desmatamento ocorre por obra pública ou empreendimento autorizado, o governo precisa explicar os critérios, as compensações ambientais e o acompanhamento posterior. Afinal, autorização não elimina impacto ambiental.
O governo Ratinho vai explicar?
O governo Ratinho costuma vender o Paraná como modelo de gestão, sustentabilidade e eficiência. No entanto, os dados do MapBiomas mostram outro lado: em 2025, o Estado ficou entre os maiores aumentos proporcionais de desmatamento do país.
Portanto, algumas perguntas precisam ser respondidas. O Instituto Água e Terra fiscalizou todos os casos? As supressões tiveram autorização ambiental válida? Houve compensação ambiental proporcional? O Estado monitorou a recuperação das áreas afetadas? E, principalmente, por que o Paraná cresceu 59,2% enquanto o Brasil reduziu 20,6%?
Comparação expõe contradição ambiental
Maranhão, Piauí, Bahia, Tocantins e Mato Grosso lideram em área total desmatada. Juntos, eles concentraram 62,6% da devastação nacional em 2025. No entanto, o Paraná chama atenção por outro motivo: não está entre os maiores em volume, mas aparece entre os piores em crescimento proporcional.
Essa diferença não reduz a responsabilidade do Estado. Pelo contrário, mostra que o Paraná poderia estar em situação muito melhor. Além disso, o aumento ocorre justamente em um momento em que o país conseguiu reduzir a devastação.
Transparência é obrigação, não favor
O MapBiomas também alerta que o desmatamento deve ser analisado com base em autorizações, embargos, fiscalização e cruzamento de dados públicos. O relatório informa que, no Brasil, mais de 89% da área desmatada em 2025 apresentou pelo menos um indício de irregularidade ou ilegalidade.
Por isso, o governo Ratinho precisa apresentar uma resposta objetiva. Não basta dizer que o Paraná preserva. É preciso mostrar dados, documentos, autorizações, compensações e ações de fiscalização.
No fim, a questão é simples: se o Brasil reduziu o desmatamento, por que o Paraná aumentou?
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