Planos lucram R$ 11 bilhões e hospitais enfrentam aperto financeiro

Planos lucram R$ 11 bilhões e hospitais enfrentam aperto financeiro


Os hospitais do Paraná enfrentam crise financeira mesmo após as operadoras de planos de saúde registrarem resultados bilionários nos últimos anos. O alerta partiu do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Paraná (Sindipar), que aponta aumento das glosas, demora nos pagamentos e pressão crescente sobre o caixa das instituições privadas.

Segundo dados apresentados pelo setor, enquanto as operadoras alcançaram lucro líquido de R$ 11,1 bilhões em 2024, os hospitais convivem com queda nas margens operacionais, redução de investimentos e dificuldades para manter a sustentabilidade financeira.

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Glosas travam recursos e pressionam hospitais

As chamadas glosas ocorrem quando operadoras recusam total ou parcialmente o pagamento de procedimentos, exames ou internações já realizados.

De acordo com o Sindipar, esse mecanismo atingiu níveis históricos em 2025. Em determinados períodos, a glosa inicial se aproximou de 18% das cobranças hospitalares. Além disso, o prazo médio de recebimento ultrapassou 78 dias.

O cenário preocupa porque os hospitais precisam manter atendimento contínuo, equipes médicas, enfermagem, medicamentos, tecnologia e infraestrutura funcionando 24 horas por dia.

Segundo o presidente do Sindipar, Álvaro Quintas, os hospitais prestam o serviço imediatamente, porém enfrentam longos períodos de espera para receber pelos atendimentos realizados.

Paraná perdeu cerca de 150 hospitais na última década

O impacto financeiro já produziu consequências relevantes no estado.

Dados apresentados pelo sindicato indicam que aproximadamente 150 hospitais encerraram as atividades no Paraná nos últimos dez anos. A maioria era formada por unidades de pequeno e médio porte localizadas no interior.

Muitas dessas instituições não possuíam estrutura jurídica suficiente para contestar glosas ou enfrentar longas disputas administrativas com as operadoras.

Em nível nacional, mais de 2 mil hospitais privados fecharam as portas na última década, segundo informações citadas pelo setor.

Verticalização amplia concentração do mercado

Outro ponto destacado pelo Sindipar envolve a chamada verticalização das operadoras.

Na prática, algumas empresas passaram a investir em hospitais próprios e, ao mesmo tempo, reduziram a contratação de hospitais independentes.

Segundo o sindicato, uma das maiores operadoras da região de Curitiba descredenciou quatro grandes hospitais sem oferecer compensações financeiras. O movimento aumentou a preocupação com a concentração de mercado e com a sobrevivência das instituições independentes.

O sindicato afirma que esse processo reduz a concorrência e aumenta a pressão sobre hospitais menores, especialmente no interior do estado.

Custos sobem acima dos reajustes

Além das glosas, os hospitais apontam outros fatores que pressionam as contas.

A inflação médica ficou entre 13% e 15%, enquanto a Agência Nacional de Saúde Suplementar autorizou reajuste máximo de 6,06% para os planos individuais. Segundo o Sindipar, essa diferença acaba sendo absorvida pelos prestadores de serviços.

Ao mesmo tempo, a taxa Selic em 15% elevou o custo das dívidas e do capital de giro utilizado pelas instituições.

O sindicato também cita os impactos do piso nacional da enfermagem, que teria gerado custo estimado de R$ 500 milhões para hospitais do Paraná.

Hospitais melhoram indicadores, mas caixa segue pressionado

Apesar das dificuldades financeiras, os hospitais registraram avanços operacionais.

Indicadores apresentados pela Associação Nacional de Hospitais Privados apontam redução do tempo médio de internação, melhorias nos protocolos assistenciais e queda em indicadores relacionados à mortalidade operatória e infecções hospitalares.

A taxa média de ocupação hospitalar se aproximou de 80%, um dos maiores níveis da série histórica. Ainda assim, os gestores afirmam que a retenção de pagamentos continua limitando investimentos em tecnologia, modernização e expansão dos serviços.

Setor pede debate sobre sustentabilidade da saúde suplementar

Diante do cenário, o Sindipar pretende ampliar o diálogo com órgãos reguladores, Poder Executivo, Legislativo e Judiciário.

A entidade defende mecanismos que garantam maior previsibilidade financeira, equilíbrio entre operadoras e hospitais e redução dos conflitos relacionados às glosas.

Segundo Álvaro Quintas, quando os hospitais perdem capacidade financeira, os efeitos atingem toda a cadeia da saúde, incluindo profissionais, prestadores de serviço e pacientes.

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Redação O Diário de Maringá

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