A6 quer indenização por matéria, mas quem indenizará as vítimas furtadas no show?
A discussão sobre a possível busca de indenização da A6 Produções contra O Diário de Maringá abriu outro debate que continua sem resposta para muitos consumidores: quem ficará responsável pelos prejuízos das pessoas que pagaram ingresso para ver Henrique & Juliano e tiveram seus celulares roubados durante o evento promovido pela A6?
Enquanto a empresa discute um eventual dano à sua imagem, consumidores ainda convivem com prejuízos financeiros e transtornos que começaram no momento em que perceberam que seus aparelhos foram furtados.
Para algumas pessoas, o celular não representa apenas um bem material. O aparelho concentra contatos profissionais, contas bancárias, aplicativos de trabalho, documentos, fotografias e informações pessoais.
Quem pagará pelo prejuízo dos consumidores?
Quem comprou ingresso esperava assistir ao show e voltar para casa apenas com boas lembranças da apresentação.
Entretanto, parte do público deixou o local enfrentando uma situação completamente diferente.
Além do prejuízo financeiro causado pela perda do aparelho, muitas vítimas precisaram bloquear linhas telefônicas, alterar senhas, cancelar cartões e tentar proteger dados pessoais armazenados nos dispositivos.
A pergunta continua sendo a mesma desde o dia do evento:
quem responderá pelos prejuízos sofridos pelos consumidores?
A6 faturou com o show, mas quem vai arcar com o prejuízo das vítimas?
O debate não pode se limitar à imagem da empresa
Toda empresa possui o direito de defender sua reputação e buscar o Poder Judiciário quando entende que sofreu prejuízos.
Por outro lado, consumidores também possuem o direito de buscar esclarecimentos e eventual reparação pelos danos que sofreram.
Por isso, a discussão não pode se limitar exclusivamente à imagem dos organizadores ou ao conteúdo das reportagens publicadas pela imprensa.
Também é necessário ouvir quem estava no evento e afirma ter sido prejudicado.
Relatos continuam chegando à redação
Mesmo semanas após o show, relatos de participantes continuam chegando à redação do O Diário de Maringá.
Uma dessas pessoas enviou um áudio relatando sua experiência durante o evento.
Para preservar a identidade da fonte e evitar sua identificação pública, a redação optou por alterar a voz utilizada na divulgação do material.
O áudio original, sem qualquer alteração, permanece arquivado junto ao material jornalístico recebido pela reportagem.
Ouça o áudio:
“Mudamos a voz da pessoa para preservar sua identidade. O áudio original encontra-se sob guarda da redação.”
Questionar não é acusar
A reportagem publicada pelo O Diário não acusou a A6 ou qualquer integrante da organização de praticar os crimes relatados pelas vítimas.
O objetivo da publicação foi questionar como ficaram os consumidores que sofreram prejuízos e quem poderia responder pelos danos eventualmente comprovados.
Esse tipo de questionamento faz parte da atividade jornalística e do direito à informação.
Afinal, quando milhares de pessoas participam de um grande evento, problemas relacionados à segurança e à organização naturalmente se tornam assunto de interesse público.
E os próximos eventos?
O episódio também levanta outra preocupação.
Como ficará a cobertura jornalística dos próximos grandes shows realizados em Maringá?
A imprensa continuará tendo liberdade para mostrar problemas relatados pelos consumidores e cobrar esclarecimentos dos organizadores?
Ou o receio de disputas judiciais poderá gerar um ambiente menos favorável ao debate público sobre a qualidade e a segurança dos eventos?
São perguntas legítimas e que interessam não apenas aos veículos de comunicação, mas também ao público que compra ingressos e participa dessas apresentações.
A pergunta continua sem resposta
A A6 tem o direito de defender sua imagem.
Da mesma forma, consumidores têm o direito de defender seu patrimônio e buscar reparação pelos prejuízos sofridos.
Por isso, enquanto se discute eventual dano moral decorrente de uma reportagem, permanece a pergunta que ainda não foi respondida por muitas vítimas:
quem vai arcar com os prejuízos das pessoas que pagaram para entrar no show e tiveram seus celulares furtados durante o evento?
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