Holdings familiares voltam ao radar após avanço da reforma tributária

Holdings familiares voltam ao radar após avanço da reforma tributária


Holdings familiares voltam ao radar após avanço da reforma tributária

Novas regras aumentam a procura por planejamento sucessório no Brasil

As mudanças trazidas pela reforma tributária voltaram a colocar as chamadas holdings familiares no centro do planejamento sucessório. Trata-se de estruturas cujo emprego pode facilitar processos sucessórios, reduzir conflitos entre herdeiros, trazer mais previsibilidade na gestão dos bens e até mesmo gerar economia tributária.

Além da nova sistemática da tributação sobre o consumo, que inclui as operações imobiliárias entre os fatos tributados, alterações recentes na disciplina do imposto de renda e do ITCMD, notadamente a reintrodução da tributação dos lucros e dividendos pagos a pessoas físicas e a imposição de alíquotas progressivas nas transmissões via herança ou doação, têm levado a um aumento na procura por tais estruturas.

Segundo Guilherme Follador, da Assis Gonçalves, Nied e Follador Advogados, as mudanças fizeram muitas famílias anteciparem discussões sobre a sucessão. “Como há o receio de que, no próximo ano, a tributação sobre heranças e doações aumente significativamente, as famílias e os empresários têm entendido o período até dezembro como uma janela de oportunidade para se planejar”.

Outro fator que tem estimulado a procura por essa solução diz com a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal vir a declarar imunes ao ITBI as operações de integralização de imóveis no capital de pessoas jurídicas, mesmo quando a atividade por elas desenvolvida seja, predominantemente, de natureza imobiliária. Pelo menos até o momento, o placar do julgamento aponta para a vitória dos contribuintes.

Apesar do aumento do interesse pelo tema, o advogado alerta que as “holdings” não devem ser tratadas como soluções automáticas ou padronizadas. “Cada família possui uma realidade patrimonial, empresarial e sucessória diferente. Um planejamento mal estruturado pode gerar impactos tributários, societários e até fomentar conflitos familiares futuros”, ressalta.

Ele destaca, ainda, que o planejamento sucessório deixou de ser uma preocupação restrita a grandes fortunas. “Hoje vemos empresários, produtores rurais, profissionais liberais e famílias com patrimônio construído ao longo da vida buscando esse tipo de estrutura. Mais do que discutir apenas a economia tributária, as famílias passaram a discutir proteção patrimonial, continuidade dos negócios e preservação das relações familiares”, finaliza Follador.

TV Diário
Mirella Pasqual

Mirella Pasqual

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