Entre o discurso e a prática: os cargos da família de Nishimori entram no debate sobre privilégios?

Entre o discurso e a prática: os cargos da família de Nishimori entram no debate sobre privilégios?


Deputado federal afirma que abriu mão da aposentadoria parlamentar porque entrou na política para servir. Documentos públicos mostram dois familiares em cargos comissionados do Governo do Paraná, em Maringá.

O deputado federal Luiz Nishimori publicou no Instagram uma declaração na qual afirma ter aberto mão da aposentadoria parlamentar por considerar que o benefício representaria um privilégio. A manifestação, porém, levanta questionamentos sobre os cargos comissionados ocupados por sua nora e por seu genro na Casa Civil do Governo do Paraná, em Maringá.

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Na publicação, Nishimori relata que trabalhou como comerciante no setor de sementes e insumos agrícolas antes de ingressar na vida pública.



“Trabalhei como comerciante, vendia sementes e insumos agrícolas. Cumpri as regras e me aposentei como comerciante, igual a milhões de brasileiros.”

O deputado afirma que descobriu, durante sua atuação política, que também poderia receber uma aposentadoria parlamentar.

“Quando entrei na vida pública, descobri que poderia me aposentar também como parlamentar. Decidi: não vou receber esse privilégio.”

Nishimori sustenta que teria direito ao benefício, mas decidiu recusá-lo por considerar que o recebimento não seria justo.

“Não conheço ninguém que tenha feito essa escolha. A maioria recebe, e tem direito a isso. Mas para mim não seria justo.”

No encerramento da publicação no Instagram, o parlamentar associa a decisão aos valores recebidos da família.

“Aprendi em casa que a palavra vale mais do que qualquer vantagem. Foi assim que fui criado, e é assim que quero seguir. Não entrei na política para ganhar privilégio. Entrei para servir. É por isso que durmo com a consciência tranquila.”

O conceito de privilégio alcança os cargos da família?

A declaração do deputado coloca uma questão objetiva no debate público: o conceito de privilégio apresentado por Nishimori também se aplica à presença de familiares em cargos de livre nomeação no Governo do Paraná?

O Portal da Transparência registra que Cíntia Matufuji Nishimori, nora do deputado, ocupa cargo comissionado na Casa Civil, em Maringá, desde 11 de abril de 2024. Ela trabalha na Superintendência Geral de Articulação Regional.

Em junho de 2026, Cíntia recebeu remuneração bruta de R$ 11.378,03. O valor líquido registrado no mês foi de R$ 8.682,48.

O mesmo sistema informa que Fábio Noboru, genro de Nishimori, ocupa cargo comissionado executivo no Núcleo Regional da Casa Civil em Maringá desde 1º de agosto de 2024.

Em junho de 2026, Fábio recebeu remuneração bruta de R$ 13.937,25. O valor líquido registrado foi de R$ 10.642,19.

Somadas, as remunerações brutas dos dois familiares chegaram a R$ 25.315,28 naquele mês.

A questão não termina na legalidade

Os documentos consultados não demonstram, isoladamente, ilegalidade nas nomeações. Também não informam quem indicou os dois familiares, quais critérios técnicos orientaram as escolhas ou se o deputado participou das nomeações.

O questionamento provocado pela publicação no Instagram é político.

Ao apresentar a renúncia à aposentadoria como demonstração de que não entrou na política para obter privilégios, Nishimori coloca sua trajetória e suas relações com o poder público sob o mesmo critério que usou para avaliar o benefício parlamentar.

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A pergunta, portanto, precisa ser respondida pelo deputado: ter a nora e o genro ocupando cargos comissionados no Governo do Paraná é compatível com o discurso de que a política deve servir à população, e não proporcionar vantagens?

O Diário de Maringá mantém espaço aberto para manifestação do deputado federal Luiz Nishimori, de Cíntia Matufuji Nishimori, de Fábio Noboru e da Casa Civil do Governo do Paraná.

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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