Ratinho Junior quer a continuidade de um governo de paz ou de um povo feito de paspalho para garantir o cascalho?
Discurso de paz enfrenta a realidade dos fatos
O governador Ratinho Junior costuma defender que o Paraná vive um período de paz, estabilidade e desenvolvimento. No entanto, uma sequência de denúncias, auditorias, reportagens e cobranças por transparência passou a contrastar com esse discurso.
A pergunta, portanto, ganhou força nos bastidores políticos: o Paraná vive mesmo um governo de paz ou querem fazer o povo de paspalho?
Afinal, quando surgem questionamentos envolvendo Sanepar, Celepar, Banco Master, Tayayá, Ponte de Guaratuba, contratos públicos, familiares do governador e contas estaduais, a população tem o direito de cobrar explicações.
Sanepar, áudios e suposto caixa dois
Um dos casos de maior repercussão envolve a Sanepar.
O Diário de Maringá divulgou áudios que, segundo as reportagens, mencionam um suposto esquema de arrecadação de dinheiro para campanhas eleitorais e possíveis pressões sobre funcionários da estatal.
Além disso, a Gazeta do Paraná publicou novas gravações com menções a entrega de dinheiro, bastidores da companhia e pedidos ligados a campanhas eleitorais.
Depois da divulgação, deputados estaduais encaminharam representações aos órgãos competentes, e o caso passou a ser analisado pelo Ministério Público Federal.
Até o momento, não existe condenação judicial. Porém, a cobrança por transparência aumentou.
Guto Silva aparece citado nas denúncias
As reportagens divulgadas pelo O Diário de Maringá também mencionam o secretário Guto Silva entre os nomes citados no material encaminhado ao Ministério Público Federal.
Por isso, o episódio deixou de ser apenas uma denúncia sobre a Sanepar e passou a atingir o centro do debate político estadual.
Ainda assim, investigação não significa culpa. Entretanto, silêncio também não responde às dúvidas da população.
Celepar entra na mira do Ministério Público
Outro caso envolve a Celepar.
Segundo reportagens do Plural, o Ministério Público do Paraná instaurou procedimento para apurar possíveis irregularidades em pregão vencido por empresa de Rodolfo de Souza Aires.
Rodolfo foi sócio de Gabriel Martinez Massa, irmão do governador Ratinho Junior, em outro empreendimento empresarial.
Portanto, a pergunta é inevitável: trata-se apenas de coincidência empresarial ou existe algo que precisa ser melhor explicado?
Até agora, o caso segue em apuração.
Banco Master, Grupo Massa e empresa criada em Marumbi
O Banco Master também entrou no centro das discussões.
Segundo documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado, empresas do Grupo Massa receberam pelo menos R$ 24 milhões em transações registradas pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro. As informações foram divulgadas por veículos como Plural, Gazeta do Povo e Gazeta do Paraná.
Desse total, mais de R$ 20 milhões teriam sido destinados à Massa Intermediação, empresa registrada em Marumbi, no Paraná, segundo as reportagens.
O caso chama atenção porque a empresa teria sido criada em uma cidade pequena e passou a aparecer em movimentações milionárias envolvendo o Banco Master.
Até o momento, não há condenação judicial relacionada a esses repasses. No entanto, os valores levantam dúvidas legítimas.
Afinal, por qual motivo uma empresa registrada em Marumbi teria recebido valor tão expressivo de um banco que também aparece em investigações nacionais?
Tayayá também aparece no debate sobre o Banco Master
Além dos repasses ao Grupo Massa, o caso Tayayá ampliou os questionamentos.
Reportagens apontaram que estruturas financeiras ligadas ao Banco Master teriam relação com operações envolvendo o resort Tayayá, empreendimento associado ao apresentador Ratinho.
Além disso, o empreendimento também gerou debate por causa de licença ambiental concedida por órgão estadual.
O governo afirma que os procedimentos seguiram critérios técnicos. Mesmo assim, quando um empreendimento ligado à família do governador depende de decisões de órgãos do próprio Estado, a transparência precisa ser ainda maior.
Ponte de Guaratuba e possível superfaturamento
A Ponte de Guaratuba, uma das principais vitrines do Governo do Paraná, também entrou na lista de questionamentos.
Auditoria do Tribunal de Contas do Estado apontou indícios de possível superfaturamento de aproximadamente R$ 14,8 milhões na obra. O relatório cita inconsistências em custos, serviços, medições, equipamentos e gestão do contrato.
O DER-PR contestou os apontamentos e afirmou que não reconhece superfaturamento. Segundo o órgão, os pagamentos possuem embasamento técnico e o processo ainda será analisado pelo Tribunal de Contas.
Portanto, ainda não existe decisão definitiva. Mesmo assim, a pergunta permanece: se está tudo correto, por que não apresentar todos os dados de forma simples para a população?
Números apresentados por Ortigara na Alep também geram questionamentos
As contas públicas do Paraná também entraram no debate.
Durante audiência pública na Assembleia Legislativa, a Secretaria da Fazenda apresentou os dados do primeiro quadrimestre de 2026.
Segundo os números divulgados, o Estado registrou R$ 26,9 bilhões em receitas e R$ 30,3 bilhões em despesas no período.
O secretário Norberto Ortigara atribuiu a diferença ao aumento dos investimentos públicos. Segundo o governo, o Paraná empenhou R$ 3,8 bilhões em investimentos, o maior valor para um primeiro quadrimestre em 26 anos.
Portanto, o governo sustenta que a situação está sob controle e que o Estado mantém capacidade de investimento.
Mesmo assim, os números levantam questionamentos.
Se as despesas superaram as receitas no período, quais impactos isso pode gerar nos próximos meses? Os convênios prometidos aos municípios serão mantidos? Os recursos para obras de asfalto a fundo perdido chegarão para todas as cidades?
Em ano pré-eleitoral, a população precisa de respostas claras.
Afinal, governo de paz não pode transformar dúvida fiscal em povo feito de paspalho.
A importância da fase de pré-lançamento de um empreendimento
Prefeitos aguardam dinheiro para asfalto
Enquanto o governo fala em grandes investimentos, prefeitos de diferentes municípios aguardam recursos prometidos para obras de asfalto a fundo perdido.
Nos bastidores, gestores municipais temem que o dinheiro não chegue para todos.
Por consequência, algumas prefeituras já estudam usar recursos próprios ou buscar financiamentos.
A população, por outro lado, quer respostas claras: quais cidades serão atendidas? Quando o dinheiro será liberado? Qual será o critério? Quem ficará de fora?
Governo de paz não pode tratar o povo como paspalho
Paz não pode ser apenas slogan de campanha.
Paz exige transparência, documentos públicos, respostas oficiais e respeito ao cidadão.
Quando surgem denúncias sobre estatal, auditoria com possível superfaturamento, repasses milionários de banco, empresa em cidade pequena, licença ambiental polêmica e despesas superiores às receitas no primeiro quadrimestre, o governo precisa explicar.
A população não pode ser tratada como paspalha.
O povo paga imposto, acompanha os fatos e tem direito de saber o que acontece nos bastidores do poder.
Portanto, a pergunta continua:
O Paraná vive mesmo um governo de paz ou estão tentando fazer o povo de paspalho?
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