Silvio Barros recebe notícia da 29ª morte durante reunião: “Não dá para continuar desse jeito
Silvio Barros defendeu reação diante dos números; secretário Luciano Brito apresentou diagnóstico, Gilmar Ferreira cobrou coragem da imprensa e delegado Adão destacou responsabilização criminal nos casos envolvendo embriaguez
O prefeito de Maringá, Silvio Barros, abriu em 14 de agosto a discussão para a construção do Plano de Segurança Viária de Maringá diante do número de mortes registrado no trânsito da cidade.
Durante a própria reunião, Silvio recebeu uma atualização. O número, que estava em 28 mortes, chegou a 29 em 2026.
“Acabei de receber o recado aqui: 29. Então não vai parar. Só essa semana foram quatro. Não dá para continuar desse jeito”, afirmou o prefeito.
Diante do cenário, Silvio defendeu o endurecimento da fiscalização e a ampliação das ações de educação. Também pediu a participação da sociedade na construção de medidas para reduzir os acidentes.
O secretário municipal de Mobilidade Urbana, Luciano Brito, apresentou o diagnóstico que deverá orientar o plano. Os números mostram que os motociclistas representam o principal grupo entre as vítimas fatais. Além disso, o período noturno concentra parcela expressiva dessas mortes.
Representantes das forças de segurança, imprensa, especialistas e integrantes da comunidade também participaram das discussões.
Luciano Brito: motociclistas representam 62% dos óbitos
Luciano Brito apresentou dados sobre o perfil das vítimas e a localização dos acidentes.
No consolidado dos últimos cinco anos apresentado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, 62% dos óbitos são de motociclistas.
O secretário também mostrou crescimento de 20% nos óbitos de motociclistas neste ano.
Por isso, a Semob avalia que a mudança no perfil das vítimas exige uma resposta direcionada ao uso da motocicleta.
70% das mortes de motociclistas acontecem à noite
O horário dos acidentes também chamou a atenção durante a apresentação.
Segundo Luciano Brito, 70% das mortes envolvendo motociclistas estão ocorrendo no período noturno.
Com base nesse dado, a proposta prevê ampliação da fiscalização à noite. As operações deverão priorizar fatores como álcool, velocidade e condução sem habilitação.
Ao mesmo tempo, o plano deverá utilizar informações sobre dias, horários e locais de maior risco para direcionar as ações.
Colisões laterais aparecem em 53% dos óbitos envolvendo motos
Outro número apresentado por Brito mostra que 53% dos óbitos envolvendo motociclistas ocorreram em colisões laterais.
Durante a análise, os participantes citaram situações envolvendo avanço de preferencial, estacionamento irregular próximo das esquinas e problemas de visibilidade nos cruzamentos.
Assim, essas informações deverão orientar tanto a fiscalização quanto as intervenções de engenharia.
Quinta-feira chama atenção nos dados
Silvio Barros interrompeu a apresentação em um momento para destacar a distribuição dos acidentes ao longo da semana.
Segundo os dados apresentados, a quinta-feira aparece como um dia crítico.
“Se a gente não puder fazer todo dia, a gente tem que começar pela quinta-feira, porque é na quinta-feira que tem o maior índice de acidentes fatais”, afirmou.
A Prefeitura pretende usar esse diagnóstico para concentrar as ações nos períodos de maior risco.
Semob realizou 68 blitz
Luciano Brito também apresentou um balanço das fiscalizações realizadas neste ano.
A Semob realizou 68 blitz, abordou mais de 2 mil veículos, registrou 788 infrações e apreendeu 295 veículos.
O levantamento apontou ainda quase 300 pessoas flagradas conduzindo sem habilitação.
Durante a avaliação das mortes, os participantes também mencionaram seis casos confirmados de embriaguez.
Agora, a intenção é manter a fiscalização realizada durante o dia e ampliar as operações noturnas.
Gilmar Ferreira cobra coragem da imprensa
A imprensa também entrou diretamente na discussão sobre responsabilidade no trânsito.
O jornalista Gilmar Ferreira, de O Diário de Maringá, defendeu que comunicadores tenham coragem para discutir fiscalização sem transformar o assunto em um discurso voltado apenas a agradar a audiência.
“Prefeito, a palavra que eu tenho a dizer é o seguinte: que nos dê coragem, coragem de não fazer discurso. Isso vale para todos que estão aqui, inclusive para setores da imprensa”, afirmou.
Gilmar criticou especialmente o uso da expressão “indústria da multa” para questionar radares.
“Eu digo isso porque quando eu vejo nos meios de comunicação alguém dizendo que Maringá tem uma indústria de multa porque tem radares, eu fico questionando: como assim radares na cidade de Maringá ou em qualquer município? É questão de saúde pública”, declarou.
Na sequência, o jornalista citou Polícia Militar, Polícia Civil, forças de segurança, Guarda Municipal e comunicadores entre os setores que precisam participar do processo.
“Nós precisamos ter coragem de parar de tentar agradar o cidadão”, disse.
Gilmar também defendeu mensagens mais fortes para conscientizar a população.
“Falar a verdade. Não se importe de desagradar esse ou aquele setor, mas o cidadão tem que saber que se tem gente hoje morrendo na rua, a vítima pode ser da família dele”, afirmou.
PRF apresenta aumento de acidentes e feridos graves
Um representante da Polícia Rodoviária Federal, a PRF, apresentou números sobre as ocorrências registradas na área de Maringá.
O material disponível não permite identificar com segurança o nome do representante. Por isso, O Diário de Maringá registra apenas a instituição.
Segundo os números apresentados, a região registrou 169 acidentes no ano passado e 193 neste ano.
O total de pessoas gravemente feridas também aumentou, passando de 39 para 51.
A apresentação da PRF indicou ainda crescimento das ocorrências a partir da quinta-feira e durante a noite, principalmente entre pessoas de 18 a 35 anos.
As colisões traseiras aparecem entre os principais tipos de acidentes. O uso do celular e a falta de atenção também entraram na análise.
Coronel Cláudio fala em “números de guerra”
O coronel Cláudio defendeu uma abordagem mais forte diante dos números.
Segundo ele, as campanhas atuais não produzem o impacto necessário. Por isso, defendeu fiscalização, punição e maior presença policial.
“A ação agora tem que ser pesada”, afirmou.
Na avaliação do coronel, “a própria presença já intimida, já ajuda”.
Ao resumir a gravidade do cenário, declarou: “A gente tem números de guerra.”
Acidentes também mobilizam policiais, bombeiros e hospitais
Outra manifestação chamou a atenção para os impactos dos acidentes sobre os demais serviços públicos.
Segundo o relato apresentado na reunião, viaturas e equipes podem permanecer durante horas no atendimento de acidentes. Com isso, diminui a disponibilidade para outras ocorrências.
O participante também citou reflexos na saúde pública, como ocupação de leitos e remarcação de cirurgias diante da chegada de vítimas.
Como o material não permite identificar com segurança quem fez essa manifestação, O Diário de Maringá não atribui a declaração nominalmente.
O participante também sugeriu a produção de um vídeo mais impactante e uma mobilização envolvendo televisão, rádio e internet.
Delegado-chefe da 9ª Subdivisão Policial
O delegado-chefe da 9ª Subdivisão Policial, Adão Wagner, abordou a responsabilização dos motoristas envolvidos em mortes no trânsito.
Segundo ele, a Polícia Civil passou a contar com um delegado dedicado aos crimes de trânsito em Maringá. Adão também destacou o funcionamento da Delegacia de Trânsito.
Naquele momento, afirmou, não havia procedimento parado na unidade.
“Não existe impunidade, não existe passada de mão na cabeça”, declarou.
Em seguida, o delegado tratou especificamente dos casos que envolvem embriaguez e morte.
“A pessoa que comete uma morte no trânsito, que está embriagada, responde por homicídio doloso. Ele vai ser tratado como um homicida.”
A reportagem registra a afirmação como a posição apresentada pelo delegado durante o encontro.
Carlo Beto defende trabalho direto com motociclistas
Carlos Beto, instrutor de pilotagem para motociclistas, concentrou sua participação nas questões relacionadas aos motociclistas.
Carlos Beto defendeu que o enfrentamento aos acidentes também considere comportamento, conhecimento da motocicleta e preparação de quem utiliza esse tipo de veículo.
Durante a manifestação, Carlos Beto citou experiências anteriores de ações direcionadas aos motociclistas. Também defendeu que a comunicação considere os diferentes perfis de usuários de motos.
Além disso, chamou a atenção para a necessidade de treinamento e conscientização diante da participação dos motociclistas nas mortes registradas pelo município.
Mário Júnior apresenta proposta para cruzamentos sem visibilidade
Mário Júnior apresentou uma ideia para reduzir o risco em cruzamentos onde um motorista não consegue visualizar a aproximação de outro veículo.
A proposta utiliza uma câmera para identificar o veículo que se aproxima pela outra via e, em seguida, aciona painéis de LED para alertar o condutor.
Silvio Barros ressaltou que uma eventual implantação dependeria de análise técnica e homologação. Ainda assim, apresentou a ideia como exemplo de contribuição da comunidade.
Sandro Alex não consegue calar Jacovós
Presença de agentes reduziu acidentes em até 32% em alguns cruzamentos
A engenharia de trânsito será uma das frentes do plano.
Luciano Brito apresentou dados segundo os quais a presença de agentes em determinados cruzamentos monitorados provocou redução de até 32% no número de acidentes.
A Prefeitura pretende analisar visibilidade, estacionamento nas proximidades das esquinas, geometria das vias, redutores de velocidade e outras intervenções.
Biomédicas assumem assento no Conselho Municipal de Saúde de Maringá
Maringá registrou 74 mil infrações por avanço de sinal
A fiscalização eletrônica também entrou na discussão.
Segundo os dados apresentados, Maringá registrou 74 mil infrações por avanço de sinal vermelho no ano passado.
Por isso, a Prefeitura deverá incluir o uso de tecnologia entre as medidas avaliadas no Plano de Segurança Viária.
Silvio considera campanha atual “light demais”
Depois das manifestações sobre conscientização, Silvio Barros avaliou que a própria campanha preparada pelo município precisava mudar.
“Esse vídeo não serve. Ele é light demais”, afirmou.
Segundo o prefeito, a comunicação terá de adotar outra linguagem diante da gravidade dos acidentes.
A avaliação acompanhou outras manifestações apresentadas durante o encontro em defesa de campanhas mais impactantes.
Silvio cita 140 lojas em postos com venda de álcool 24 horas
O prefeito também colocou a disponibilidade de bebidas alcoólicas durante a madrugada entre os temas da discussão.
Silvio afirmou que Maringá possui 140 lojas em postos de gasolina vendendo álcool 24 horas por dia.
O próprio prefeito apresentou o número durante a reunião.
Em seguida, pediu a participação da Associação Comercial, sindicatos e outros setores na busca por alternativas.
Comunidade poderá enviar sugestões
A população e as entidades poderão participar da construção do Plano de Segurança Viária.
Durante a reunião, a organização disponibilizou um QR Code para o envio de propostas. Posteriormente, a Prefeitura deverá reunir essas contribuições ao diagnóstico apresentado pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana.
O trabalho apresentado por Luciano Brito reúne fiscalização, comportamento, engenharia, tecnologia e educação.
A meta anunciada durante o encontro é buscar uma redução entre 30% e 50% nos indicadores trabalhados pelo plano.
Ao final da reunião, diferentes setores apresentaram propostas. Entretanto, um número deu urgência ao debate.
Durante o próprio encontro, Silvio Barros recebeu a informação de que Maringá havia chegado à 29ª morte no trânsito em 2026.
Foi diante desse dado que o prefeito resumiu a situação:
“Não dá para continuar desse jeito.”



