A6 faturou com o show, mas quem vai arcar com o prejuízo das vítimas?

A6 faturou com o show, mas quem vai arcar com o prejuízo das vítimas?


O show de Henrique & Juliano reuniu milhares de pessoas no sábado (13), no Estádio Regional Willie Davids, em Maringá. Porém, após o evento, surgiram relatos de furtos de celulares, carros danificados e possíveis prejuízos ao patrimônio público.

Agora, A6 Produções, LG Produções Artísticas e órgãos da Prefeitura precisam dar explicações.

Segundo informações preliminares, cerca de 50 celulares teriam sido furtados durante o show. Além disso, participantes relataram danos em veículos estacionados na área usada pelo evento.

E agora, prefeito Ismael? Quem autorizou a gratificação investigada pelo MP?

Furtos em massa mudam o debate

O artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor prevê responsabilidade dos fornecedores por falhas na prestação do serviço.

Em geral, a Justiça não responsabiliza automaticamente organizadores por furtos isolados. Afinal, o consumidor também deve cuidar de seus pertences.

No entanto, dezenas de celulares furtados no mesmo evento mudam a análise. Se a investigação confirmar ação criminosa organizada, as vítimas poderão alegar falha na segurança.

Além disso, informações extraoficiais apontam furtos em áreas VIP. Caso isso se confirme, a cobrança fica ainda mais forte. Esses setores têm controle de acesso e ingressos mais caros. Portanto, o público espera mais segurança.

Carros danificados também exigem resposta

Participantes também relataram danos em veículos no estacionamento usado durante o show.

Segundo relatos, alguns motoristas teriam estacionado bloqueando outros carros. Se isso aconteceu, eles também devem responder pela irregularidade.

Porém, uma ilegalidade não autoriza outra. Ninguém pode quebrar retrovisor, amassar carro ou fazer justiça com as próprias mãos.

O chamado “cidadão de bem” que danifica patrimônio alheio também comete ato ilegal. Por isso, os autores dos danos precisam responder.

Ao mesmo tempo, os organizadores devem explicar quem administrava o estacionamento. Também devem informar se havia vigilância, orientação aos motoristas e equipe suficiente no local.

Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana precisa explicar

A Secretaria de Segurança e Mobilidade Urbana também precisa se manifestar.

O procedimento municipal para eventos prevê laudo sobre impacto no trânsito e na operação urbana. Portanto, a secretaria deve informar qual análise fez antes do show.

O órgão precisa responder se houve plano para circulação de veículos, fiscalização do estacionamento e apoio na entrada e saída do público.

Também deve informar quantos agentes atuaram no evento e quais pontos críticos identificou no entorno do estádio.

Prefeitura deve mostrar a documentação

A Prefeitura de Maringá deve informar se os organizadores apresentaram todos os documentos exigidos para o alvará.

O procedimento municipal exige laudos, contrato de segurança privada e, quando houver, contrato de guarda e estacionamento de veículos.

Assim, a Prefeitura precisa esclarecer se recebeu esses documentos, se analisou o material e se impôs alguma exigência à A6 Produções e à LG Produções Artísticas.

E se houve danos ao estádio?

Outra pergunta também precisa de resposta: houve dano ao Estádio Regional Willie Davids?

Se houve prejuízo ao patrimônio público, a conta não pode ficar com o município sem apuração.

A Prefeitura deve informar se fez vistoria antes e depois do evento. Também precisa dizer se encontrou danos e quem pagará eventuais reparos.

Caso o contrato atribua essa obrigação aos organizadores, A6 Produções e LG Produções Artísticas devem arcar com os custos. Se participantes causaram danos e forem identificados, eles também podem responder.

Lucro privado e custo público

Grandes eventos movimentam a cidade. Entretanto, também usam estrutura pública, mobilizam servidores e exigem fiscalização.

Por isso, Maringá precisa saber qual foi o retorno real do show.

Quanto o município arrecadou? Qual foi o custo da operação? Quantos servidores trabalharam? O benefício compensou os transtornos?

Os lucros de ingressos, camarotes, áreas VIP e patrocínios ficam com a iniciativa privada. Já os problemas acabam atingindo o público, os motoristas e o poder público.

Portanto, o mínimo esperado agora é transparência.

O público que pagou ingresso, as vítimas dos furtos e os donos dos carros danificados merecem respostas claras.

Imagem da Manchete: Na foto, os sócios Gustavo Cutolo, João Vittor, Guilherme Cutolo, Eduardo Poiares

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Redação O Diário de Maringá

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