Paraná tem 32 contratos parados; e Sandro Alex, tocador ou empacador de obras?

Paraná tem 32 contratos parados; e Sandro Alex, tocador ou empacador de obras?


Órgão vinculado à Secretaria de Infraestrutura, pasta que o pré-candidato do PSD comandou por dois mandatos, tem quatro contratos parados entre as 32 obras paralisadas listadas pelo governo do Paraná

Sandro Alex construiu sua pré-candidatura ao governo do Paraná em torno de uma frase. Ele se descreve como o “zagueiro” que destravou obras paradas na gestão de Ratinho Junior. Um dado recente, porém, questiona essa narrativa. Entre as 32 obras públicas paralisadas identificadas pela Secretaria das Cidades até maio de 2026, quatro contratos pertencem à sede administrativa do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, o DER-PR.

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O DER-PR não é um órgão qualquer nessa história. Trata-se de autarquia vinculada diretamente à Secretaria de Infraestrutura e Logística, a SEIL. Sandro Alex ocupou essa pasta entre fevereiro de 2019 e abril de 2022. Depois voltou, entre abril de 2023 e abril de 2026. Deixou o cargo naquele mês para se licenciar e concorrer à sucessão de Ratinho Junior.

Uma contradição que mora dentro de casa

Não se trata da duplicação de uma rodovia distante. Também não é um contrato de outra secretaria qualquer. É a própria sede administrativa do órgão que, sob a batuta de Sandro Alex, executou parte dos maiores contratos de infraestrutura do estado. Entre eles estão a Ponte de Guaratuba e dezenas de quilômetros de rodovias em concreto.



O discurso de campanha apresenta alguém que tira obras do papel. Também alguém que enfrenta a burocracia. Por isso, a paralisação de contratos dentro da própria estrutura vinculada à sua secretaria funciona como contraponto. E esse contraponto merece explicação pública.

O levantamento da Secretaria das Cidades não detalha, nos trechos disponíveis até a publicação desta reportagem, o motivo específico da paralisação dos quatro contratos do DER-PR. Também não informa o percentual de execução física de cada um. Segundo a própria Secretaria das Cidades, porém, a causa mais recorrente entre as 32 obras da lista é a inexecução contratual por parte das empresas responsáveis. Em seguida aparecem rescisões e a necessidade de novas licitações.

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O que o governo já disse, e o que ainda não disse

Em nota anterior sobre o conjunto das 32 obras, o governo do estado afirmou que a lista do Portal da Transparência está desatualizada. Segundo o Executivo, ela passa por revisão técnica. O governo também disse que a maior parte das paralisações decorre de descumprimento das empreiteiras, não de omissão do poder público.

Essa explicação, no entanto, tratou do conjunto geral das obras. Não houve menção específica ao caso do DER-PR. A reportagem não localizou, até a publicação, manifestação de Sandro Alex sobre a paralisação da sede do órgão. Também não localizou posicionamento da atual gestão da SEIL, hoje sob o secretário Fernando Furiatti Sabóia.

Os dados disponíveis também não comprovam que os quatro contratos tenham sido iniciados ou conduzidos diretamente sob a gestão pessoal de Sandro Alex. Tampouco provam que a paralisação seja resultado de decisão política atribuível a ele. O que existe, de fato, é a vinculação institucional entre a SEIL e o DER-PR. Sandro Alex comandou essa secretaria por seis dos últimos sete anos.

A pergunta que fica

A dúvida permanece em aberto até que Sandro Alex, o atual secretário da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (SEIL) ou o Governo do Paraná expliquem especificamente o caso. Sandro Alex é o tocador de obras que diz ser? Ou também carrega, dentro da própria secretaria, o peso de ser um empacador de obras?

Talvez seja por isso que as peças de publicidade do governo recorram tanto à Inteligência Artificial. Nos bastidores, já há quem diga que este é um “governo de IA”: ia fazer isso, ia fazer aquilo, mas tudo fica apenas na promessa.

Relação das obras apontadas como paralisadas no Paraná

O levantamento divulgado em junho de 2026 reuniu 32 contratos ou empreendimentos classificados como paralisados até maio. A relação estava distribuída por 22 municípios e abrangia segurança pública, sistema prisional, saúde, atendimento administrativo, defesa agropecuária, assistência social e ajuda humanitária.

Segurança pública

  1. Marechal Cândido Rondon
    Construção do Batalhão de Polícia de Fronteira, BPFron.
  2. Pato Branco
    Construção da sede administrativa do 2º Subgrupamento de Bombeiros Independente.
  3. Curitiba
    Obras no Regimento de Polícia Montada Coronel Dulcídio.
  4. Curitiba
    Reparos no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar do Paraná.
  5. Curitiba
    Reparos na sede da Divisão Estadual de Combate à Corrupção, Deccor.
  6. Curitiba
    Reforma da Delegacia de Delitos de Trânsito.
  7. Curitiba
    Projeto da Cidade da Polícia, posteriormente anulado ou cancelado.
  8. São José dos Pinhais
    Construção da piscina da Academia Policial Militar do Guatupê.
  9. Marmeleiro
    Reforma da delegacia de Polícia Civil.
  10. Foz do Iguaçu
    Reforma da 6ª Subdivisão Policial.

O contrato do BPFron tinha valor de aproximadamente R$ 36,6 milhões e registrava pouco mais de 32% de execução física. A sede dos bombeiros de Pato Branco tinha contrato de R$ 6,49 milhões, com somente 2,9% executados.

Sistema prisional e socioeducação

  1. Cascavel
    Ampliação da Penitenciária Industrial de Cascavel.
  2. Foz do Iguaçu
    Reparos na Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu.
  3. Cornélio Procópio
    Reparos ou reforma da Cadeia Pública.
  4. Assis Chateaubriand
    Reparos na Cadeia Pública.
  5. Foz do Iguaçu
    Intervenção no Centro de Socioeducação, Cense.

A Penitenciária Estadual de Foz do Iguaçu aparecia com 80,32% de execução. O contrato da Cadeia Pública de Assis Chateaubriand havia sido rescindido sem início físico. O serviço relacionado ao Cense de Foz do Iguaçu tinha valor aproximado de R$ 277 mil.

Saúde e controle de doenças

  1. Paranaguá
    Serviços de manutenção e reparos no Hospital Regional do Litoral.
  2. Pinhais
    Manutenção e reparos no Hospital Colônia Adauto Botelho.
  3. Porto Rico
    Construção ou reparos no Núcleo de Entomologia.

O contrato do Hospital Regional do Litoral tinha valor próximo de R$ 847 mil e registrava 88,42% de execução física. O Núcleo de Entomologia de Porto Rico tinha contrato de aproximadamente R$ 175 mil, com 5,4% de execução.

Agricultura e defesa agropecuária

  1. Sapopema
    Reforma da Unidade Local de Sanidade Agropecuária, Ulsa, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná.
  2. Clevelândia
    Reforma da Unidade Local de Sanidade Agropecuária.
  3. Dois Vizinhos
    Reforma da Unidade Local de Sanidade Agropecuária.
  4. Toledo
    Reparos no Núcleo Regional da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, Seab.

O governo informou posteriormente que o contrato da unidade de Sapopema havia sido rescindido por descumprimento da empresa e que uma nova licitação estava em preparação.

Departamento de Estradas de Rodagem

  1. Curitiba
    Reparos no estacionamento coberto da sede administrativa do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, DER-PR.
  2. Curitiba
    Melhorias e reparos em edifícios da sede administrativa do DER-PR.

A documentação mencionada pelas reportagens registra quatro contratos ligados à sede do DER-PR. Os serviços incluíam o estacionamento coberto e outras intervenções nos prédios administrativos. Os contratos somavam mais de R$ 3,1 milhões e tinham sido rescindidos unilateralmente por inexecução parcial.

Atendimento do Detran

  1. Cambará
    Reforma da sede da 40ª Circunscrição Regional de Trânsito, Ciretran.
  2. Loanda
    Obras na sede da Circunscrição Regional de Trânsito.

A reforma da Ciretran de Cambará tinha contrato de aproximadamente R$ 302 mil e pouco mais de 56% de execução física.

Administração pública e atendimento social

  1. Foz do Iguaçu
    Reforma da sede da Procuradoria-Geral do Estado do Paraná.
  2. Guarapuava
    Obra do Conselho Tutelar.
  3. Ampére
    Obra da Agência do Trabalhador.

O contrato relacionado ao Conselho Tutelar de Guarapuava tinha valor aproximado de R$ 27,5 mil. O relatório indicava que o contrato estava extinto e em processo de recebimento parcial.

Ajuda humanitária

  1. Guarapuava
    Implantação de Centro Logístico de Ajuda Humanitária.
  2. Quedas do Iguaçu
    Implantação de Centro Logístico de Ajuda Humanitária.
  3. Londrina
    Implantação de Centro Logístico de Ajuda Humanitária.

O contrato citado para a implantação dessas estruturas somava aproximadamente R$ 113 mil.

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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