Se Ratinho tirar Greca da disputa ele pode entregar o segundo turno aos adversários

Se Ratinho tirar Greca da disputa ele  pode entregar o segundo turno aos adversários


A possível entrada do ex-prefeito de Curitiba como vice poderá dar força à candidatura governista, mas expõe uma dúvida que o Palácio Iguaçu ainda não respondeu

Por Gilmar Ferreira

O governador Ratinho Junior costuma destacar os índices de aprovação de sua administração. O governo fala em apoio próximo de 80% da população.

Se todo esse capital político, somado à força da máquina do governo, à exposição na mídia e ao apoio de aliados influentes que frequentam as festas na Fazenda Ubatuba, ainda não foi suficiente para transferir votos para Sandro Alex, a pergunta é inevitável: Rafael Greca conseguirá fazer essa transferência?

A possível escolha do ex-prefeito de Curitiba como candidato a vice-governador tenta dar peso a uma candidatura que ainda não demonstrou força suficiente para acompanhar Sergio Moro e Requião Filho.



Greca tem experiência administrativa, visibilidade e trajetória política. Isso não está em discussão.

O ponto é outro.

Prestígio pessoal não significa transferência automática de votos.

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O limite da força de Ratinho Junior

Ratinho Junior é o governador do Estado. Comanda a estrutura administrativa, mantém influência sobre prefeitos, deputados e lideranças partidárias e afirma governar com ampla aprovação.

Ainda assim, Sandro Alex não conseguiu transformar esse apoio em crescimento eleitoral.

Esse é o primeiro sinal de alerta.

Se o próprio governador, com a força do cargo e a exposição acumulada durante quase oito anos, não consegue colocar seu candidato em posição de liderança, não há garantia de que Rafael Greca conseguirá fazer isso ocupando a vaga de vice.

Greca pode melhorar a imagem da chapa. Pode aumentar a repercussão política. Pode trazer experiência ao discurso governista.

Transferir votos é outra coisa.

Greca seria mais forte como candidato

Rafael Greca poderia ter mais utilidade eleitoral disputando o governo do Paraná.

É um político conhecido, culto e com experiência administrativa comprovada. Tinha condições de apresentar candidatura própria e buscar uma vaga no segundo turno.

Como vice, perde protagonismo.

Alexandre Curi será apunhalado pelas costas pelo grupo político de Ratinho Junior?

Seu nome passa a ser usado para tentar corrigir uma dificuldade que não foi criada por ele: a falta de crescimento de Sandro Alex.

O governo retira da disputa um nome que poderia ser competitivo e o coloca como apoio de um candidato que ainda não convenceu o eleitorado.

Essa escolha pode reduzir, e não ampliar, a força eleitoral de Greca.

Eleitor de Greca não pertence ao governo

O eleitor que considerava votar em Rafael Greca não está obrigado a seguir sua decisão.

Parte poderá apoiar Sandro Alex.

Outra parte poderá migrar para Sergio Moro.

Requião Filho também poderá receber votos de quem via Greca como uma alternativa ao candidato escolhido por Ratinho Junior.

Os votos de Greca não estão guardados em uma sala esperando ordem de transferência.

Eleitores fazem escolhas próprias. Avaliam o candidato principal, o momento político, as alianças e a capacidade de cada nome para governar.

Sandro Alex continuará sendo o cabeça da chapa.

É ele quem terá de convencer o eleitor.

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A possível crise com Alexandre Curi

A entrada de Greca também pode produzir consequências dentro do grupo governista.

Caso a composição coloque em risco a candidatura de Alexandre Curi ao Senado, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná poderá entender que foi abandonado pelo grupo ao qual permaneceu ligado durante a construção de sua pré-candidatura.

Curi possui influência sobre deputados, prefeitos e lideranças do Republicanos.

Uma ruptura não atingiria apenas a eleição para o Senado.

Poderia enfraquecer Sandro Alex, ampliar o espaço de Sergio Moro e beneficiar Requião Filho.

O reforço imaginado pelo governo terminaria provocando perdas dentro da própria base.

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Prefeitos não pedem votos apenas por ordem

Ratinho Junior também enfrenta outro limite.

Prefeitos que aguardam recursos, obras e compromissos assumidos pelo governo terão dificuldades para defender uma candidatura de continuidade diante de suas comunidades.

A presença de Rafael Greca não resolve essas cobranças.

Um vice conhecido não substitui obra entregue. Não apaga promessa não cumprida. Também não elimina insatisfações acumuladas durante o mandato.

Há ainda relatos de pressão sobre prefeitos, deputados e antigos aliados.

Em uma eleição apertada, ressentimento político também produz consequência.

Aprovação de governo não é voto garantido

Um governador pode ser bem avaliado e, mesmo assim, não eleger seu sucessor.

O eleitor pode aprovar uma administração sem aceitar o candidato indicado por ela.

Essa diferença parece estar no centro do problema enfrentado por Sandro Alex.

Ratinho Junior pode ter aprovação elevada. Isso não significa que o eleitor enxergue em Sandro Alex a continuidade natural do governo.

A possível entrada de Rafael Greca tenta preencher essa distância.

Mas a dúvida permanece: se Ratinho Junior, ocupando o cargo de governador e apresentando altos índices de aprovação, ainda não conseguiu transferir votos para Sandro Alex, por qual razão Greca conseguiria?

Uma aposta para salvar a candidatura

A composição pode dar repercussão e tempo político à chapa governista.

Também pode retirar Rafael Greca de uma disputa na qual teria possibilidade de chegar ao segundo turno, dividir o grupo de Ratinho Junior e liberar seus eleitores para Moro e Requião Filho.

Greca não chega como consequência do crescimento de Sandro Alex.

Chega como tentativa de impedir que a candidatura continue parada.

A questão não é saber se Rafael Greca possui peso político. Ele possui.

A questão é simples: mesmo com toda a estrutura do Palácio Iguaçu, a força da máquina do governo, o apoio de aliados influentes, de frequentadores das festas da Fazenda Ubatuba e os altos índices de aprovação que afirma ter, Ratinho Junior não conseguiu transformar Guto Silva em um candidato competitivo. Agora, enfrenta a mesma dificuldade com Sandro Alex.

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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