O voo era particular ou público? Denúncia cobra resposta sobre Sandro Alex

O voo era particular ou público? Denúncia cobra resposta sobre Sandro Alex


Denúncia pede que TCE identifique quem pagou helicóptero usado por Sandro Alex em agendas políticas

Advogado afirma que imagens mostram semelhança com uma aeronave operada pelo Governo do Paraná, mas reconhece que a fotografia não comprova a origem do helicóptero. Pedido busca matrícula, proprietário, lista de passageiros e documentos do voo.

Uma denúncia apresentada ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) pede que o órgão identifique o helicóptero utilizado por Sandro Alex (PSD), candidato ao Governo do Paraná, durante compromissos políticos realizados em Rio Negro e Quitandinha no dia 2 de agosto de 2026.

Na prática, o pedido tenta responder a perguntas objetivas: de quem era o helicóptero, quem autorizou o voo, quem estava na aeronave e quem pagou pelo deslocamento.

A denúncia não afirma que Sandro Alex utilizou um helicóptero público. O documento sustenta que existem elementos suficientes para o Tribunal investigar se houve participação, pagamento ou utilização de alguma estrutura do Governo do Paraná.



O advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande apresentou a petição. Ele pediu que o conselheiro Maurício Requião analise o caso por causa da ligação com outro procedimento sobre a utilização de aeronaves pelo Governo do Estado.

O que aconteceu durante o voo de Sandro Alex

Segundo a denúncia, Sandro Alex participou de compromissos políticos em Rio Negro e seguia para outra atividade em Quitandinha quando o helicóptero apresentou uma falha técnica e precisou fazer um pouso forçado.

Ninguém ficou ferido.

As reportagens citadas no documento classificaram as atividades como agendas políticas ou compromissos de campanha. No entanto, as publicações não informaram a matrícula do helicóptero, o nome do proprietário, a empresa responsável pela operação nem a origem do dinheiro utilizado no voo.

Essas informações são importantes porque permitem saber se a viagem recebeu pagamento da campanha, de um particular, de uma empresa ou do poder público.

Foto levantou dúvida sobre possível ligação com o Governo

Um dos pontos centrais da denúncia está em uma fotografia publicada depois do pouso forçado.

O advogado afirma que o helicóptero que aparece na imagem possui semelhanças com o Airbus H130 de matrícula PS-HTT. Segundo o Registro Aeronáutico Brasileiro citado na petição, o Governo do Paraná, por meio da Casa Militar, opera essa aeronave, classificada como pública estadual.

A comparação considera o modelo, o formato da aeronave, a pintura prateada, as faixas verdes e azuis e o rotor de cauda protegido por uma estrutura circular.

O próprio autor da denúncia reconhece uma limitação importante: a semelhança visual não comprova que o helicóptero utilizado por Sandro Alex era o PS-HTT.

A fotografia também não permite ler a matrícula da aeronave envolvida no pouso. Portanto, até que o Tribunal obtenha os registros oficiais, não é possível afirmar que o helicóptero pertencia ao Estado ou estava sob operação do Governo do Paraná.

O que o advogado quer que o TCE investigue

A denúncia pede que o Tribunal de Contas solicite documentos capazes de identificar toda a operação.

Entre os dados requeridos estão a matrícula do helicóptero, o nome do proprietário, a identificação do operador, a lista de passageiros e o responsável pela autorização do voo.

O advogado também pede a apresentação de plano de voo, diário de bordo, ordem de missão, manifesto de passageiros, registros de abastecimento, relatório da viagem e documentos que mostrem quem assumiu os custos.

Esses registros devem esclarecer se o helicóptero era público, privado, alugado, arrendado, fretado ou cedido por algum terceiro.

Caso uma empresa ou pessoa particular tenha disponibilizado a aeronave, a apuração deverá indicar quem contratou o serviço, quanto pagou e como registrou a despesa.

Por que a natureza da agenda importa

A denúncia afirma que o voo transportou Sandro Alex entre atividades de natureza político-eleitoral.

Esse detalhe é relevante porque uma agenda de campanha não se transforma em compromisso oficial apenas porque o passageiro ocupa um cargo público ou já integrou o Governo do Estado.

Sandro Alex é deputado federal e foi secretário estadual de Infraestrutura e Logística. Mesmo assim, para justificar o uso de uma aeronave pública, seria necessário demonstrar que o voo atendia a uma missão oficial, com autorização administrativa e interesse público comprovado.

A petição cita o artigo 73 da Lei Federal nº 9.504/1997. A norma proíbe o uso de bens públicos em benefício de candidato, partido político ou coligação, salvo nas situações autorizadas pela legislação.

Isso não significa que a denúncia já comprovou alguma infração. O Tribunal ainda precisa identificar a aeronave e verificar a origem do pagamento.

Se o helicóptero for público, o que pode ser analisado

Caso o TCE confirme que o Governo do Paraná operava ou custeava o helicóptero, o órgão deverá verificar por que uma estrutura pública participou de um deslocamento entre compromissos políticos.

A análise poderá alcançar despesas com combustível, pilotos, manutenção, taxas, seguro, hangaragem e operação.

O Tribunal também poderá examinar quem autorizou o voo, qual finalidade constava nos documentos oficiais e se a justificativa apresentada correspondia ao compromisso efetivamente realizado.

Segundo a denúncia, um helicóptero não precisa pertencer formalmente ao Governo para ser tratado como parte da estrutura pública. A fiscalização também pode alcançar aeronaves alugadas, arrendadas ou colocadas à disposição do Estado quando os custos recaem sobre os cofres públicos.

E se a aeronave for particular?

Caso o helicóptero seja privado, a apuração deverá mostrar quem disponibilizou o transporte e quem pagou a viagem.

Nesse cenário, os documentos poderão afastar qualquer suspeita de utilização de dinheiro ou estrutura pública.

Carro oficial utilizado pelo prefeito de Alto Piquiri acumula 47 ocorrências e mais de R$ 16,8 mil em multas

Também será necessário verificar como a campanha registrou o serviço, caso o deslocamento tenha sido contratado ou recebido para atender atividades eleitorais. A denúncia, no entanto, não apresenta comprovante de pagamento nem documento de prestação de contas da campanha. Por isso, não é possível afirmar, apenas com os arquivos analisados, como o voo foi custeado.

Investigação mais ampla sobre aeronaves do Estado

O caso de Sandro Alex aparece dentro de uma discussão mais abrangente.

Em outra petição, o mesmo advogado pediu que o TCE examine a utilização de aeronaves próprias ou custeadas pelo Governo do Paraná desde 1º de janeiro de 2025.

O requerimento inclui aviões e helicópteros pertencentes ao Estado, alugados, fretados, arrendados ou contratados por hora de voo. Também abrange aeronaves cedidas por terceiros quando o poder público assume despesas com combustível, tripulação, manutenção ou taxas.

A fiscalização solicitada busca separar missões de segurança pública, saúde, Defesa Civil e transporte de órgãos dos voos destinados ao transporte de autoridades, convidados, familiares ou pessoas sem vínculo direto com a atividade oficial.

O documento pede a relação dos passageiros, a finalidade de cada viagem, os responsáveis pelas autorizações, os contratos firmados e os valores pagos pelo Estado.

O advogado declara que esse pedido mais amplo não acusa uma pessoa específica de irregularidade. A finalidade, segundo ele, é verificar se o Governo mantém controles suficientes para impedir o uso de aeronaves públicas em atividades particulares, partidárias ou eleitorais.

Vídeos foram acrescentados ao processo

O advogado também apresentou um aditamento documental no processo nº 476070/26.

O novo documento informa que vídeos publicados nos perfis de Sandro Alex e do deputado estadual Devanil Reginaldo da Silva, o Cobra Repórter, confirmam a presença do candidato no helicóptero e sua participação em agendas políticas realizadas em Rio Negro e Quitandinha.

Outro registro citado no aditamento informa que Sandro Alex confirmou por telefone que estava na aeronave que apresentou a falha durante o deslocamento.

PT-PR pede a impugnação da candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado

Os vídeos ajudam a comprovar a existência da viagem e a presença do candidato. Entretanto, eles não mostram de forma suficiente a matrícula nem comprovam quem era o proprietário do helicóptero.

Essa identificação continua dependendo dos documentos que o Tribunal poderá solicitar.

O que ainda precisa ser esclarecido

Os documentos analisados não apresentam decisão definitiva do Tribunal de Contas sobre o caso.

Também não comprovam que o helicóptero era do Governo do Paraná, que o Estado pagou o voo ou que Sandro Alex cometeu alguma irregularidade.

A denúncia pede investigação. Caberá ao TCE decidir se recebe o pedido, quais diligências realizará e quem deverá apresentar os documentos.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *