“Quem ganha a guerra é quem tem a comunicação”: a frase de Ratinho que o Paraná precisa discutir

“Quem ganha a guerra é quem tem a comunicação”: a frase de Ratinho que o Paraná precisa discutir


Ratinho afirma que dono de rádio tem “uma força na mão”. Declaração chama atenção em um Estado governado por seu filho e onde a família mantém forte presença nos meios de comunicação.

“Quem ganha a guerra é quem tem a comunicação.”

A frase é de Carlos Roberto Massa, o Ratinho, apresentador, empresário da comunicação e pai do governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD).

No mesmo vídeo, Ratinho vai além. Afirma que “o poder é mais gostoso do que o dinheiro” e explica como enxerga a influência de quem controla um veículo.



Nem a força do governo Ratinho tira Sandro Alex do terceiro lugar; Moro lidera pesquisa

“O dono de uma rádio do interior é mais importante pra sociedade do que o maior fazendeiro”, afirma. Em seguida, diz que quem possui uma rádio tem “uma autoridade” e “uma força na mão”.

A declaração chama atenção pela franqueza. Mas ganha outra dimensão quando observada a partir do Paraná.

A força da comunicação está perto do poder

Ratinho Junior governa o Paraná desde 2019. Seu pai construiu um dos principais grupos privados de comunicação do Estado.

Isso, por si só, não prova interferência editorial, favorecimento ou qualquer irregularidade. Seria irresponsável fazer essa afirmação sem provas.

Mas é legítimo questionar a relação entre comunicação e poder quando o próprio pai do governador define os meios de comunicação como uma poderosa ferramenta de influência.

E há outro componente: o Governo do Paraná investe dinheiro público em publicidade institucional veiculada em diferentes meios de comunicação.

Por isso, a pergunta precisa ser objetiva: quanto do dinheiro dos paranaenses destinado à publicidade oficial chegou aos veículos ligados à família do governador e quais critérios determinaram essa distribuição?

Candidatos do PSD na região

Popularidade de Ratinho não chega ao seu candidato

Outro dado aumenta a discussão.

Pesquisa Genial/Quaest divulgada em 27 de julho apontou 81% de aprovação para Ratinho Junior.

Entretanto, essa popularidade não aparece, pelo menos até agora, na mesma intensidade quando o eleitor escolhe quem deseja no Palácio Iguaçu a partir de 2027.

Pesquisa Neokemp divulgada nesta quarta-feira, 12 de agosto, aponta Sergio Moro (PL) com 45,7%, Requião Filho (PDT) com 23,2% e Sandro Alex (PSD) com 18,2%.

Sandro Alex é o candidato apoiado por Ratinho Junior.

É importante fazer a ressalva: aprovação de governo e intenção de voto são indicadores diferentes. Uma pesquisa não invalida a outra.

Politicamente, contudo, a distância provoca uma pergunta inevitável: se Ratinho Junior tem aprovação tão elevada, por que seu candidato aparece tão distante dessa popularidade?

O Paraná da televisão e o Paraná dos municípios

Talvez parte da resposta esteja fora dos comerciais.

Quem acompanha os municípios encontra uma realidade mais complexa do que aquela apresentada pela publicidade institucional.

Há obras anunciadas que acumulam atrasos, investimentos que ainda não chegaram à etapa prometida e prefeitos cobrando recursos.

Na região de Maringá, a duplicação da PR-317 entre Maringá e Iguaraçu é um exemplo. A obra passou por sucessivos atrasos e o próprio Tribunal de Contas do Estado do Paraná apontou falhas e expediu determinações ao DER-PR.

Em Paiçandu, o novo hospital recebeu anúncio de investimento milionário, mas anúncio, autorização de recursos, licitação, início das obras e hospital funcionando são coisas completamente diferentes.

Essa diferença precisa aparecer no jornalismo com a mesma intensidade que aparece na propaganda.

Quando o próprio dono explica o tamanho da força

A questão central não é condenar um empresário por possuir televisão ou rádio. Tampouco afirmar, sem provas, que esses veículos trabalham politicamente para o governo.

O ponto é outro.

Foi o próprio Ratinho quem explicou sua visão sobre o poder de quem controla a comunicação.

Segundo ele, quem possui uma rádio tem “uma força na mão”.

Então cabe perguntar: como essa força funciona quando uma das famílias mais importantes da comunicação paranaense também tem um integrante no comando do Estado?

E mais: quanto dinheiro público é destinado aos veículos dessa família? Qual espaço recebem as realizações do governo? E qual espaço recebem atrasos, cobranças de prefeitos e problemas encontrados nos municípios?

Os números eleitorais acrescentam um elemento interessante ao debate.

O governador aparece com 81% de aprovação, mas seu candidato registra 18,2% das intenções de voto no levantamento mais recente.

Talvez o eleitor esteja mostrando que uma coisa é a imagem construída em torno de Ratinho Junior. Outra é decidir, sozinho diante da urna, quem deve governar o Paraná.

A frase do pai do governador permanece como ponto de partida para essa discussão:

“Quem ganha a guerra é quem tem a comunicação.”

No Paraná, diante da proximidade entre poder político, grupos de comunicação e publicidade paga com dinheiro público, vale investigar quem tem essa força nas mãos e como ela está sendo utilizada.

TV Diário
Redação O Diário de Maringá

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