Por que comer bem ainda é difícil? Pesquisa aponta os motivos
Pesquisa revela que falta de tempo, carga mental e praticidade dificultam a alimentação saudável no dia a dia; especialista explica por que a alimentação escolar se torna uma aliada nesse processo
Saber o que faz bem não significa conseguir colocar esse conhecimento em prática. Uma pesquisa qualitativa realizada pelo Instituto Pensi em parceria com o Pacto Contra a Fome mostra que o principal obstáculo para uma alimentação saudável não é a falta de informação. O tempo, a rotina intensa e a necessidade de conciliar trabalho, deslocamentos e cuidados com a família pesam mais na hora de decidir o que vai para o prato. O estudo também aponta que o ambiente escolar ocupa um papel estratégico na formação de hábitos alimentares durante a infância.
A pesquisa “Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável” foi realizada pelo Instituto Pensi, idealizada pelo Pacto Contra a Fome, com apoio da FOLU Brasil e cofinanciamento da Fundação José Luiz Setúbal. O estudo ouviu moradores de São Paulo, Belém, Fortaleza, Goiânia e Porto Alegre para compreender como fatores econômicos, sociais e culturais influenciam as escolhas alimentares. Entre os principais achados, está a constatação de que os brasileiros sabem identificar uma alimentação saudável, mas encontram dificuldades para transformar esse conhecimento em prática. A falta de tempo, o custo dos alimentos, a carga mental envolvida no planejamento das refeições, o ambiente alimentar e as desigualdades sociais aparecem como barreiras constantes. Os relatos também mostram que alimentos ultraprocessados e refeições de fast food acabam ganhando espaço por oferecerem praticidade, conveniência e até conforto emocional.
Entre os pontos destacados pelo levantamento, está o papel das crianças nas decisões alimentares das famílias e a influência do ambiente escolar na construção de hábitos mais saudáveis, reforçando a importância da alimentação oferecida nas escolas.
Para Andressa Meira, nutricionista da Merendô, marca da Polpa Brasil especializada em soluções saudáveis para alimentação escolar, os resultados refletem uma realidade vivida diariamente pelas famílias brasileiras.
“Todos exercem influência, mas a escola ocupa uma posição estratégica porque oferece alimentação diariamente e pode promover educação alimentar de forma contínua. Ela complementa o trabalho realizado pela família. Além disso, muitas crianças fazem as refeições principais no ambiente escolar quase todos os dias”, afirma.
A pesquisa mostra que, mesmo sabendo identificar o que é uma alimentação saudável, muitas famílias acabam recorrendo a alimentos ultraprocessados por causa da praticidade. Tempo, preço e conveniência acabam determinando as escolhas alimentares mais do que o próprio conhecimento nutricional.
Segundo Andressa, essa realidade ajuda a explicar por que esses produtos ainda estão tão presentes na alimentação infantil. “Produtos ultraprocessados são baratos, duráveis, fáceis de transportar e exigem pouco preparo. Além da rotina intensa das famílias favorecer esse tipo de escolha, a propaganda e o apelo das embalagens de produtos ultraprocessados para crianças fazem com que as famílias acreditem que estão comprando algo saudável. Por isso, a educação com a família e as crianças é tão importante.”
A nutricionista ressalta que praticidade e qualidade nutricional não precisam caminhar em direções opostas.
“A inovação alimentar vem justamente buscando esse equilíbrio. Produtos elaborados com ingredientes naturais, boa estabilidade e facilidade de consumo ajudam as famílias a fazer escolhas melhores sem aumentar o tempo de preparo.”
A Merendô atua justamente nesse segmento. A marca desenvolve soluções para alimentação escolar voltadas às redes públicas e privadas de ensino, com produtos 100% naturais, plant based, fonte de fibras e produzidos com frutas minimamente processadas, adoçadas apenas pelos açúcares naturalmente presentes na fruta. As barrinhas já fazem parte do intervalo de mais de 1,5 milhão de estudantes brasileiros e seguem as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Para Andressa, a alimentação escolar vai além da oferta de nutrientes. “Além da qualidade nutricional estabelecida pelo FNDE, um alimento adequado para o ambiente escolar precisa apresentar segurança microbiológica, facilidade logística, estabilidade durante o armazenamento, boa aceitação pelas crianças e viabilidade econômica para os gestores públicos e privados.”
O levantamento do Pacto Contra a Fome reforça esse papel ao destacar a escola como um dos principais espaços para formar hábitos alimentares e ampliar o acesso a alimentos saudáveis desde a infância. Entre as recomendações, o estudo defende o fortalecimento das políticas de alimentação escolar e da oferta de alimentos in natura e minimamente processados nas escolas.
Os impactos desse cuidado, segundo a nutricionista, acompanham a criança por muitos anos.
“Os impactos vão muito além da nutrição. Estudos mostram melhora na atenção, no rendimento escolar, na frequência às aulas, no desenvolvimento infantil e até na formação de hábitos alimentares que podem acompanhar a criança por toda a vida.”



