São Paulo atrai expositores que produzem brindes no Brasil
São Paulo se consolidou como o principal polo de feiras e eventos de negócios da América Latina, movimento que tem atraído um fluxo constante de expositores estrangeiros à capital paulista. Só na cidade, foram realizados 1.511 eventos de grande porte em 2025, número 22% maior do que o do ano anterior, com impacto econômico estimado em R$ 14 bilhões, segundo o Barômetro Eventos B2B 2025, da União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios (Ubrafe) em parceria com a São Paulo Turismo. O levantamento considera eventos com no mínimo 700 participantes, entre feiras, congressos e convenções.
Para marcar presença nesses eventos, expositores de fora do país precisam de brindes e materiais promocionais personalizados em seus estandes. Trazê-los da origem, no entanto, esbarra em frete internacional, retenção alfandegária e prazos incompatíveis com a data do evento. Diante disso, parte dessas empresas passou a recorrer à produção nacional sob demanda, contratada diretamente no Brasil.
A logística do brinde no evento
O principal obstáculo está na cadeia de importação. Além do custo do frete, que em muitos casos se aproxima do valor dos próprios produtos, há o risco de retenção na alfândega, capaz de fazer o material chegar depois do encerramento do evento. A ausência de fornecedores locais que atendam em outros idiomas ou aceitem pagamento do exterior é outro entrave recorrente. "Muitas empresas percebem tarde que trazer o brinde de fora custa mais e chega depois; produzir no Brasil resolve o prazo e elimina a alfândega", afirma Rodrigo Pereira, CEO da Innovation Brindes, fábrica de brindes corporativos em São Paulo que atende esse público.
Fornecedores de brindes e soluções promocionais integram a cadeia do setor de eventos, ao lado de empresas de montagem, cenografia, tecnologia e espaços para feiras. A demanda por personalização acompanha o calendário do segmento e se concentra nos períodos de maior movimentação da capital.
Produção nacional sob demanda
O modelo adotado por essas empresas dispensa qualquer etapa de importação. A produção ocorre em território nacional, com aprovação de uma amostra virtual — o mockup com a logo aplicada — antes de qualquer fabricação, e emprega técnicas como impressão UV 360°, gravação a laser, DTF e tampografia. A entrega é feita diretamente no estande, no hotel ou no endereço do evento, até a data marcada.
O pagamento, ponto sensível para empresas sem operação no Brasil, costuma ser resolvido por fatura internacional, com câmbio e impostos embutidos, ou por meios locais quando há CNPJ ou CPF de um representante. O arranjo transforma o brinde personalizado em uma etapa local da participação em feiras, e não em uma operação de comércio exterior — mudança que acompanha a expansão do setor de eventos de negócios no país.




