De “Dani” a “lindão”: qual era a proximidade entre Nikolas e Vorcaro?

De “Dani” a “lindão”: qual era a proximidade entre Nikolas e Vorcaro?


Deputado federal enviou o contato do advogado Thiago Rodrigues de Faria ao dono do Banco Master. Mensagens não esclarecem se o banqueiro atendeu ao pedido.

O deputado federal Nikolas Ferreira (Partido Liberal de Minas Gerais) pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que recebesse o contato de Thiago Rodrigues de Faria, advogado e ex-assessor parlamentar do deputado. A conversa tratava de um ativo minerário apresentado por Faria.

A informação foi publicada nesta quinta-feira, 3 de setembro, pela coluna da jornalista Juliana Dal Piva, no portal ICL Notícias. A reportagem afirma ter obtido áudios e mensagens trocados entre Nikolas e Vorcaro.

Cidadão banca a obra e depois paga caro para estacionar: o lucro ficará com a SRM?



Nikolas enviou o primeiro áudio em 30 de março de 2025. O Nikolas chamou o Vorcaro de “Dani” e “lindão”. Também afirmou que gostaria de ter mais proximidade com ele.

Segundo o parlamentar, Faria havia comentado sobre um ativo minerário que já teria passado por uma análise técnica. No entanto, alguma providência ainda estaria pendente dentro da empresa.

“Ele falou: ‘cara, tô com um ativo minerário lá, inclusive já passou pela ficha técnica, o pessoal técnico dele, enfim, tá pendente lá, tem algumas pessoas que sabem disso lá na empresa’”, disse Nikolas no áudio publicado pelo ICL Notícias.

A jardinagem milionária

O deputado afirmou que não conhecia os detalhes da negociação. Mesmo assim, declarou confiar totalmente em Faria e se ofereceu para aproximá-lo de Vorcaro.

“Não sei nem do que se trata, mas, enfim, como é uma pessoa que eu confio totalmente, tô passando aí pra você”, afirmou.

Vorcaro pediu que advogado entrasse em contato

Daniel Vorcaro respondeu inicialmente com um áudio de visualização única, segundo a reportagem. Em seguida, Nikolas enviou o contato de Thiago Rodrigues de Faria.

“Amém, irmão. Estamos na guerra juntos”, escreveu o banqueiro.

Na mesma conversa, Vorcaro orientou que Faria entrasse em contato diretamente com ele. No dia seguinte, 1º de abril de 2025, Nikolas informou que o advogado estaria em Brasília e disponível em qualquer horário.

“Deixa comigo”, respondeu Vorcaro em 2 de abril.

As mensagens mostram que o deputado intermediou o contato. Porém, não revelam se o dono do Banco Master efetivamente ajudou Faria ou se alguma negociação foi concluída.

Também não está claro o que Nikolas queria dizer ao mencionar a necessidade de avançar ou liberar o ativo. Portanto, o conteúdo divulgado não permite afirmar que houve interferência em órgão público ou qualquer ato ilegal.

Deputado pediu desculpas por crítica anterior

No mesmo áudio, Nikolas Ferreira pediu desculpas a Daniel Vorcaro por uma publicação feita em abril de 2024. Na ocasião, o deputado criticou um evento realizado em Londres com financiamento do Banco Master.

O encontro contou com a presença de ministros do Superior Tribunal de Justiça, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral.

Nikolas afirmou que havia conversado sobre o episódio com o pastor André Valadão. Segundo o deputado, ele não sabia que a instituição envolvida era o banco de Vorcaro.

“Eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani. Se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente”, disse Nikolas.

O parlamentar ainda afirmou que esperava ter esclarecido o episódio e sugeriu um encontro com o banqueiro.

Advogado diz que atua no setor de mineração

A coluna informou que enviou cinco perguntas a Nikolas Ferreira e Thiago Rodrigues de Faria. Segundo a publicação, Faria disse que o deputado estava em campanha e que não iria incomodá-lo.

O advogado classificou as perguntas como “nada a ver”. Também afirmou que conhecia Vorcaro por ambos serem de Belo Horizonte.

Faria declarou que trabalha na área de mineração e que enviou o ativo minerário para várias pessoas. Segundo ele, o contrato envolvia uma pessoa que posteriormente enfrentou problemas.

O advogado acrescentou que nunca foi chamado para prestar depoimento à Polícia Federal e negou envolvimento com possíveis irregularidades.

A reportagem não apresentou uma manifestação direta de Nikolas sobre as perguntas encaminhadas.

Nome de Faria aparece na Operação Rejeito

Meses depois da troca de mensagens, o nome de Thiago Rodrigues de Faria apareceu em documentos relacionados à Operação Rejeito. A Polícia Federal deflagrou a investigação em setembro de 2025 para apurar um suposto esquema de extração ilegal de minério de ferro em Minas Gerais.

A operação resultou em 22 prisões preventivas. A investigação envolve atividades na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Segundo reportagem do jornal Estado de Minas, Faria teria atuado como intermediário em uma negociação que envolvia uma lavra de minério e empresas investigadas pela Polícia Federal. Entre elas estava a Gmais Ambiental.

A empresa Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia mantinha um contrato com a Gmais, assinado em janeiro de 2025. Conforme os dados publicados, o escritório receberia uma parcela do lucro se uma área voltasse a operar e a lavra fosse vendida.

O negócio teria valor inicial de US$ 30 milhões e poderia superar US$ 45 milhões. Um trecho do inquérito citado pela imprensa informa que uma comissão de 20% seria dividida entre Gmais, Estabil Escritório Contábil e Thiago Rodrigues Advocacia.

Outras informações divulgadas apontam uma previsão contratual de até 25% do lucro total para a empresa ligada a Faria. A diferença entre os percentuais exige consulta aos documentos integrais para esclarecimento.

Negociação envolvia lavra com barragem de alto risco

O contrato também envolvia a mineradora Topázio Imperial, detentora dos direitos minerários de uma lavra em Ouro Preto, no distrito de Rodrigo Silva.

Na área fica a barragem Água Fria, apontada na reportagem como uma das sete estruturas com maior risco de rompimento no Brasil. Naquele período, a operação estava suspensa por medida relacionada ao Ministério Público Federal.

De acordo com a investigação citada pela imprensa, o grupo pretendia regularizar a situação da empresa para vender a lavra e retomar a exploração mineral.

A presença do nome de Faria em contratos ou documentos investigados não representa, por si só, uma condenação. O advogado afirmou que não foi chamado para depor e negou envolvimento com irregularidades.

Até a publicação original, não havia confirmação de que Daniel Vorcaro tenha ajudado na negociação apresentada pelo ex-assessor de Nikolas Ferreira.

Fonte: reportagem da jornalista Juliana Dal Piva, publicada pelo ICL Notícias.

TV Diário
Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

Notícias de Maringá e região em primeira mão com responsabilidade e ética

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *