Giselli troca explicações por mobilização digital contra jornalistas e páginas de Maringá
Mensagens atribuídas a Giselli Bianchini mostram a vereadora convocando apoiadores para comentar em páginas jornalísticas e repetindo acusações de perseguição política sem apresentar qualquer prova
As mensagens atribuídas à vereadora Giselli Bianchini revelam uma estratégia preocupante. Em vez de responder objetivamente aos fatos publicados, apresentar documentos ou apontar uma informação concreta que considere falsa, a parlamentar pede que apoiadores entrem em páginas jornalísticas e façam comentários em sua defesa.
“Peço que entrem nessas páginas e comentem lá pessoal”, diz uma das mensagens. Na sequência, aparecem os nomes de GMC, Spotted, O Diário e Rigon.
A mobilização não busca esclarecer qual publicação estaria errada. Também não apresenta provas de manipulação, pagamento ou perseguição. O pedido pretende criar uma reação coletiva contra veículos e profissionais que fazem questionamentos públicos.
Acusações graves exigem provas
Em outra mensagem, Giselli afirma que os veículos “vivem me atacando pagos provavelmente por opositores covardes”.
A acusação é grave. A vereadora, porém, não identifica quem teria realizado pagamentos, quanto teria sido pago, qual veículo teria recebido dinheiro ou qual documento sustentaria sua declaração. O uso da palavra “provavelmente” não transforma suspeita em fato.
Quem ocupa um cargo público pode contestar reportagens, pedir correções e procurar a Justiça. Também tem o direito de criticar a imprensa. O que não deve fazer é lançar suspeitas contra jornalistas e veículos sem apresentar provas.
Se Giselli possui evidências de que páginas receberam dinheiro para atacá-la, precisa mostrá-las. Caso contrário, tenta desqualificar o mensageiro para fugir do conteúdo das notícias.
A tentativa de assumir o papel de vítima
A vereadora também afirma que sofre “violência e perseguição política”. Diz ainda que isso ocorreria “com certeza a mando de alguém”. Mais uma vez, não apresenta o nome do suposto mandante nem qualquer elemento que sustente a acusação.
Crítica jornalística não equivale automaticamente a violência. Fiscalizar o mandato, questionar condutas, divulgar documentos e cobrar explicações fazem parte do trabalho da imprensa.
Transformar todo questionamento em perseguição cria uma narrativa conveniente. A autoridade pública deixa de responder pelos próprios atos e tenta ocupar o lugar de vítima. Ao mesmo tempo, lança seus apoiadores contra quem publica informações incômodas.
Mobilização contra páginas jornalísticas
O ponto mais revelador está no pedido para que integrantes do grupo entrem nas páginas e comentem. A mensagem não solicita apenas solidariedade. Ela direciona uma ação contra veículos determinados.
Esse tipo de convocação pode produzir uma onda artificial de comentários, ataques e tentativas de intimidação. Também dificulta o debate público, pois substitui respostas fundamentadas por uma disputa organizada nas redes sociais.
A imprensa não está acima da crítica. O mesmo vale para vereadores, candidatos e demais autoridades. A diferença é simples: críticas responsáveis precisam partir de fatos.
O Diário cobra respostas
O Diário de Maringá não recebe ordens de adversários políticos para publicar reportagens. Se Giselli Bianchini afirma o contrário, deve apresentar provas e identificar quem teria feito os supostos pagamentos.
O veículo também abre espaço para que a vereadora explique o contexto das mensagens, informe se reconhece o conteúdo e apresente os elementos que sustentariam suas acusações.
Até lá, os registros mostram uma parlamentar convocando apoiadores para agir nas páginas, acusando veículos sem provas e anunciando medidas judiciais. Não mostram qualquer documento que comprove perseguição, pagamento ou atuação comandada por opositores.
A verdade que Giselli afirma que “vai aparecer” precisa começar pelas provas que ela própria ainda não apresentou.
Giselli pede Pix. Esperamos que os valores com finalidade eleitoral sejam devidamente contabilizados na prestação de contas da campanha. Caso o dinheiro seja destinado à campanha e não seja declarado, a situação poderá levantar suspeita de caixa dois e deverá ser apurada pela Justiça Eleitoral. Se o Pix divulgado for pessoal, será necessário esclarecer a finalidade da arrecadação e o destino dos recursos. Vereadora, transparência também é obrigação de campanha.






