Vídeo“Ela chegou pressionando e intimidando”: diretora de CMEI relata abordagem de Giselli Bianchini
Adriana Palmieri afirma que a Prefeitura apura denúncia envolvendo uma criança e afastou a profissional citada. Diretora Kelly diz que Giselli Bianchini chegou filmando, exigiu documentos e alegou que poderia acessar todas as informações por ser vereadora
A secretária municipal de Educação de Maringá, Adriana Palmieri, afirmou que a Prefeitura abriu procedimentos administrativos para apurar uma denúncia envolvendo uma criança atendida pelo Centro Municipal de Educação Infantil Irmã Firmina. Segundo ela, a profissional citada no caso está afastada e não retornará à unidade durante a apuração.
Em entrevista concedida ao jornalista Gilmar Ferreira, de O Diário de Maringá, a secretária também rebateu a declaração da vereadora Giselli Bianchini sobre a existência de “dezenas de casos de violência” supostamente praticados por profissionais da rede municipal de ensino.
A professora Kelly, diretora do CMEI Irmã Firmina, participou da entrevista. Ela relatou que Giselli chegou à unidade filmando servidores sem autorização, exigiu documentos e a pressionou diante da mãe da criança.
Secretaria acompanha denúncia desde a semana passada
Adriana Palmieri classificou a denúncia como grave e afirmou que a Secretaria Municipal de Educação acompanha o caso desde a semana passada. Segundo ela, a equipe do CMEI comunicou imediatamente o ocorrido.
“Nós temos dentro da Secretaria de Educação um setor específico de proteção à criança. Qualquer coisa que aconteça e precise de um olhar da secretaria, imediatamente as equipes vão para as unidades”, afirmou.
De acordo com a secretária, a direção havia chamado a mãe para uma conversa antes do surgimento da denúncia. Adriana explicou que esse procedimento faz parte da rotina das unidades e pode ocorrer por faltas, questões de comportamento ou outras situações envolvendo a criança.
“Existe uma normativa para, inclusive, convocar periodicamente os pais para uma conversa. A mãe alega que a criança teve alguma situação específica. Estamos aqui para apurar os fatos”, declarou.
A secretária afirmou que a gestão já conversou com a profissional citada e iniciou os procedimentos administrativos.
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“Ela está afastada e não volta para a unidade educacional. Agora, para apurar se ela fez algo ou não, temos um processo administrativo que precisa ser realizado”, explicou.
O afastamento, portanto, ocorre durante a apuração. Até a conclusão do processo, não há confirmação de responsabilidade da profissional.
Adriana Palmieri contesta declaração sobre “dezenas de casos”
Gilmar Ferreira questionou a secretária sobre a afirmação feita por Giselli Bianchini de que existiriam dezenas de casos envolvendo profissionais da Educação municipal.
Adriana classificou a declaração como perigosa e afirmou que a secretaria não tem conhecimento dessa quantidade de ocorrências.
“Essa afirmação é muito perigosa. Estamos falando de uma rede municipal de ensino respeitada, onde temos trabalhadoras e trabalhadores que fazem da sua vida uma missão de educar”, respondeu.
A secretária disse que se sentiu constrangida com a generalização e defendeu os servidores da rede.
“É muito temerária essa fala, muito preocupante. É preciso conhecer o chão da sala de aula, a quantidade de crianças com as quais lidamos diariamente, os comportamentos, as culturas e os ambientes que vêm das próprias casas”, afirmou.
Questionada diretamente se a informação sobre dezenas de casos procedia, Adriana respondeu: “Não procede”.
Segundo ela, a Secretaria de Educação também quer saber qual é a origem dessa informação.
“Queremos entender de onde surgiram tantos casos de agressões nas nossas unidades educacionais. Não temos conhecimento de outros casos de agressão dentro dos nossos estabelecimentos de ensino e não esperamos isso de um profissional”, declarou.
Diretora afirma que unidade cumpriu protocolos
A professora Kelly, diretora do CMEI Irmã Firmina, afirmou que a unidade recebeu a família, comunicou a Secretaria de Educação e adotou as providências previstas nos protocolos.
“No momento em que a mãe fez o relato, nós comunicamos à Secretaria de Educação. A profissional foi afastada, não teve contato com a criança e não está na unidade escolar”, disse.
A diretora informou que a criança voltou ao CMEI e frequentou alguns dias de aula.
“A criança foi à unidade, teve contato tranquilamente com as demais crianças e com o corpo docente”, relatou.
Gilmar Ferreira perguntou se a professora afastada já havia sido alvo de outras reclamações. Kelly negou.
“Nunca tivemos nenhuma situação envolvendo essa profissional”, respondeu.
Profissional teria recebido ameaças
Durante a entrevista, Adriana Palmieri e Kelly confirmaram que a profissional citada na denúncia teria sofrido ameaças.
A secretária afirmou que orientou o registro de boletim de ocorrência assim que soube da situação.
“Quando tomei conhecimento de que alguém tinha ameaçado, pedi que fizesse o boletim de ocorrência para apurar os fatos. Esse é o procedimento padrão da Secretaria de Educação”, afirmou Adriana.
Kelly também confirmou as ameaças e disse que os procedimentos cabíveis já foram adotados. Nenhuma das entrevistadas informou, durante a conversa, quem teria feito as ameaças ou detalhou o conteúdo delas.
Diretora relata pressão e filmagem sem autorização
Kelly afirmou que Giselli Bianchini procurou a direção do CMEI e chegou à unidade acompanhada da mãe da criança.
“No dia de ontem, a vereadora me procurou. Na verdade, ela chegou me pressionando e me intimidando, perguntando sobre as situações que ocorreram e afirmando que queria documentos”, relatou.
Segundo a diretora, Giselli pediu acesso imediato aos documentos e questionou sua posição diante da mãe.
“Ela estava diante da mãe, me questionando sobre a minha opinião e sobre quais caminhos foram percorridos. Expliquei os protocolos que a escola realiza conforme a orientação da Secretaria de Educação”, contou.
Questionada por Gilmar Ferreira sobre a forma como a vereadora entrou no CMEI, Kelly afirmou que Giselli chegou filmando as pessoas que estavam no local.
“A vereadora chegou filmando todos que estavam ali”, declarou.
Gilmar perguntou se havia autorização. A diretora respondeu: “Sem autorização”.
Kelly disse ainda que a parlamentar exigiu documentos da unidade e alegou que poderia ter acesso às informações por exercer o mandato.
“Ela disse que era vereadora e que poderia ter acesso a tudo de que precisava”, relatou.
A diretora não entregou os documentos. Segundo ela, os registros já haviam sido encaminhados aos órgãos competentes conforme as orientações da Secretaria de Educação.
O caso envolve uma criança e documentos internos da unidade. Por isso, o tratamento das informações exige cuidado e deve preservar a identidade e a intimidade do estudante.
CMEI atende 247 crianças e possui 47 profissionais
Kelly afirmou que o episódio abalou a comunidade escolar. O CMEI Irmã Firmina atende 247 crianças e conta com 47 profissionais.
“Estamos tristes com a situação porque somos profissionais, temos compromisso com as crianças e precisamos de respeito”, declarou.
A diretora informou que a equipe pretende adotar providências em relação à conduta atribuída à vereadora.
“Nós iremos tomar as providências cabíveis porque merecemos respeito enquanto profissionais da Educação. Temos compromisso com a comunidade e com as crianças”, afirmou.
Secretaria prepara representação e nota de repúdio
Adriana Palmieri reconheceu que vereadores possuem o dever de fiscalizar o poder público, mas afirmou que essa fiscalização precisa respeitar procedimentos e os profissionais das unidades.
“Acredito que é dever do vereador fiscalizar. No entanto, é necessário pensar e agir considerando ambas as partes”, disse.
Segundo a secretária, a Secretaria de Educação aguarda documentos e vídeos para formalizar uma manifestação sobre o episódio.
“Assim que a unidade educacional nos entregar todos os documentos, inclusive os vídeos, estaremos formalizando um pedido e uma nota de repúdio junto à Câmara Municipal”, afirmou.
Adriana declarou que a Secretaria de Educação não recebeu comunicação prévia sobre a visita.
“A direção da unidade e a equipe pedagógica fazem parte da Secretaria de Educação, mas em nenhum momento a secretaria foi chamada para participar dessa visita ou mediação. A vereadora chegou com a mãe e entrou no CMEI”, disse.
A secretária encerrou a entrevista afirmando que ninguém pode antecipar conclusões sobre a denúncia.
“Não somos juízes. Somos parlamentares e profissionais. Neste momento, existe a Justiça para fazer o que é de direito”, concluiu.
A entrevista apresentada nesta reportagem foi conduzida por Gilmar Ferreira, jornalista de O Diário de Maringá. As declarações sobre a abordagem no CMEI representam os relatos de Adriana Palmieri e da diretora Kelly. O espaço permanece aberto para manifestação da vereadora Giselli Bianchini.



