Semob, GM e PM vão esperar o influencer atropelar alguém para tomar providências?

Semob, GM e PM vão esperar o influencer atropelar alguém para tomar providências?


Mau influenciador: critica banners legais e pode ter ignorado uma regra gravíssima

Vídeo mostra motorista filmando a avenida, comentando a propaganda eleitoral e aparecendo diante da câmera enquanto o veículo está em movimento; uso do celular ao volante está entre as principais causas de acidentes apontadas pela Prefeitura de Maringá

Um influenciador digital publicou um vídeo no qual aparece dirigindo por uma avenida de Maringá enquanto grava os wind banners instalados no canteiro central. Durante o registro, ele critica o excesso de propaganda e afirma: “Eu odeio wind banner”.

Entardecer em Maringá



A crítica à poluição visual pode até ser legítima. O problema está na maneira escolhida para apresentá-la. As imagens mostram a rua, os materiais políticos e, na sequência, o próprio motorista diante da câmera. O veículo aparentemente permanece em movimento durante a gravação.

A mudança de enquadramento indica uma possível interação com o celular. Entretanto, o vídeo não mostra claramente o aparelho na mão do condutor. Por isso, não é possível afirmar de forma categórica se o telefone estava preso a um suporte ou se foi manuseado durante o trajeto.

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A pergunta continua necessária: até quando dirigir e produzir conteúdo ao mesmo tempo será tratado como algo normal?

Celular está entre as principais causas de acidentes em Maringá

A preocupação não surge de uma hipótese distante. Em janeiro de 2026, a própria Prefeitura de Maringá informou que o uso do celular ao volante, o avanço do sinal vermelho e a velocidade incompatível estão entre as principais causas de acidentes na cidade.

Portanto, a distração causada pelo aparelho não pode ser reduzida a uma brincadeira para as redes sociais. O motorista que olha para a tela deixa de observar, ainda que por alguns segundos, o semáforo, a faixa de pedestres, os ciclistas, as motocicletas e os veículos que circulam ao redor.

O vídeo foi gravado em um dia de chuva. A pista molhada aumenta a distância necessária para a frenagem e exige atenção ainda maior. Nesse cenário, dividir a atenção entre o trânsito, a fala e a gravação amplia o risco.

Uma distração de poucos segundos pode provocar uma colisão traseira. Também pode impedir que o motorista perceba um pedestre iniciando a travessia, uma bicicleta na lateral, uma motocicleta entre as faixas ou um veículo parado à frente.

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O que determina o Código de Trânsito Brasileiro

O artigo 28 do Código de Trânsito Brasileiro determina que o motorista deve manter, a todo momento, o domínio do veículo e dirigir com atenção e os cuidados indispensáveis à segurança.

Já o artigo 252 estabelece que dirigir segurando ou manuseando telefone celular constitui infração gravíssima. A penalidade prevista é multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação.

A norma não proíbe apenas atender ligações ou enviar mensagens. Se houver manuseio do celular para gravar, mudar o enquadramento ou alternar entre as câmeras durante a condução, a prática também pode receber esse enquadramento.

Caso o aparelho estivesse apenas fixado em um suporte, isso afastaria a constatação automática de que o motorista o segurava. Ainda assim, produzir conteúdo, olhar para a câmera e comentar os elementos externos enquanto dirige pode comprometer a atenção exigida pelo artigo 28.

A autuação, evidentemente, depende da análise da autoridade competente e da confirmação das circunstâncias em que o vídeo foi produzido.

Influência exige responsabilidade

Quem possui audiência nas redes sociais não registra apenas uma conduta pessoal. Também transmite uma mensagem aos seguidores.

Quando um influenciador dirige e grava ao mesmo tempo, pode passar a impressão de que esse comportamento é aceitável. Não é. O alcance digital aumenta a responsabilidade de quem publica, principalmente quando o conteúdo pode normalizar uma prática que coloca outras pessoas em risco.

A crítica aos wind banners poderia ter sido gravada com o veículo estacionado em local seguro. Também poderia ter sido feita por um passageiro. Nenhuma publicação justifica colocar a atenção no celular enquanto o automóvel circula.

Uber e 99 precisam esclarecer eventual vínculo

Há informação de que o influenciador trabalha como motorista por aplicativo. No entanto, as imagens não comprovam que ele estava conectado a uma plataforma, atendendo uma corrida ou transportando passageiros naquele momento.

Ainda assim, Uber e 99 precisam esclarecer se ele mantém cadastro ativo nas plataformas e quais medidas adotam quando recebem imagens de motoristas parceiros possivelmente produzindo conteúdo enquanto dirigem.

As empresas terão acesso ao vídeo? Vão verificar as circunstâncias? Existe algum protocolo de orientação, advertência ou suspensão para situações semelhantes?

Não se trata de antecipar uma punição sem apuração. Trata-se de cobrar das plataformas uma resposta compatível com o discurso de segurança apresentado aos passageiros.

Semob, Guarda Municipal e forças de segurança vão apurar?

A Secretaria de Mobilidade Urbana de Maringá, a Guarda Civil Municipal e as demais forças responsáveis pela fiscalização também precisam dizer se o vídeo permite alguma providência ou apuração.

As autoridades vão avaliar as imagens ou fingir que não viram? Vão aguardar uma colisão, um atropelamento ou uma vítima para agir?

A fiscalização não deve selecionar condutas conforme a popularidade do motorista. Se as autoridades municipais reconhecem o celular como uma das principais causas de acidentes em Maringá, precisam agir de forma coerente quando a própria rede social oferece indícios públicos da prática.

O Diário de Maringá deixa espaço aberto para a manifestação do influenciador, da Uber, da 99, da Secretaria de Mobilidade Urbana, da Guarda Civil Municipal e dos demais órgãos competentes.

Enquanto as respostas não chegam, permanece o fato registrado pelo próprio motorista: ele decidiu criticar a propaganda eleitoral enquanto conduzia um veículo e produzia um vídeo em uma avenida molhada de Maringá. A crítica aos wind banners pode ser discutida. A segurança no trânsito não pode ser negociada.

TV Diário
Redação O Diário de Maringá

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