Paiçandu prevê até R$ 1,2 milhão para publicidade; média mensal equivale a 2.375 consultas especializadas
Edital prevê contrato de 12 meses. Ao mesmo tempo, moradores relatam possíveis cortes na saúde, ainda sem confirmação documental.
A Prefeitura de Paiçandu prevê contratar até R$ 1.200.000,00 em serviços de publicidade por 12 meses. O valor consta da Concorrência Presencial nº 07/2026, vinculada ao Processo Administrativo nº 93/2026. Por enquanto, trata-se de um limite previsto no edital: o município não necessariamente gastará toda a quantia.
Se utilizar o valor integral, a prefeitura terá uma despesa média de R$ 100 mil por mês. Pela tabela de 2026 do Consórcio Público Intermunicipal de Saúde do Setentrião Paranaense (CISAMUSEP), esse montante equivale ao preço de 2.375 consultas médicas em atenção especializada, a R$ 42,09 cada.
A comparação ajuda a dimensionar a contratação. No entanto, ela não indica que a prefeitura retirou dinheiro da saúde ou que poderia transferir automaticamente a verba de publicidade para consultas.
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Quanto R$ 100 mil representam em atendimentos?
A tabela compara R$ 100 mil com cada procedimento separadamente. Assim, as quantidades de linhas diferentes não devem ser somadas.
| Procedimento | Valor unitário | Equivalência de R$ 100 mil |
|---|---|---|
| Consulta médica em atenção especializada | R$ 42,09 | 2.375 consultas |
| Consulta de cardiologia com eletrocardiograma | R$ 60,70 | 1.647 consultas |
| Ultrassonografia de abdômen total com laudo | R$ 89,16 | 1.121 exames |
| Consulta de neurologia adulto fora do ambulatório CISAMUSEP | R$ 100,00 | 1.000 consultas |
| Tomografia computadorizada de abdômen total | R$ 138,63 | 721 exames |
As quantidades consideram apenas procedimentos inteiros. Para chegar a elas, a reportagem dividiu R$ 100 mil pelo preço unitário de cada atendimento informado na tabela do CISAMUSEP de 2026.
Relatos sobre a saúde ainda precisam de confirmação
Enquanto a licitação avança, O Diário de Maringá recebeu relatos de moradores sobre uma possível redução de consultas e de profissionais na rede municipal. As informações atribuem a suposta medida ao presidente da Fundação de Saúde, Tiago Cèfalo. Moradores também reclamam da demora para conseguir consultas e da falta de medicamentos.
Até o momento, porém, a reportagem não obteve ordem oficial, nova escala de profissionais ou outro documento que confirme cortes. Portanto, os relatos não permitem afirmar que a prefeitura decidiu reduzir o atendimento.
A administração precisa esclarecer se planeja mudanças nas equipes e na oferta de consultas. Também deve informar o tamanho das filas e responder às queixas sobre medicamentos. Quanto à licitação, cabe dizer quanto pretende gastar efetivamente com publicidade.
O que prevê o edital de publicidade
A concorrência abrange planejamento, criação, produção e distribuição de publicidade em veículos de comunicação e outros meios. Nesta fase, o trecho do edital analisado não identifica TVs, blogs ou destinatários de pagamentos. Por isso, não há base para afirmar quanto cada veículo receberia.
Segundo o documento analisado, a sessão está prevista para 16 de outubro de 2026. Os campos de horário e local, contudo, aparecem incompletos. A redação recebeu a informação de que a sessão ocorreria às 9h, mas ainda precisa de confirmação oficial desse horário.
A prefeitura justifica a forma presencial pela necessidade de preservar o anonimato das propostas técnicas. A Lei nº 14.133/2021 prefere a forma eletrônica, mas admite a presencial quando há motivação. Nesse caso, a sessão deve ter registro em ata e gravação em áudio e vídeo. A escolha da forma presencial, isoladamente, não comprova irregularidade.
O edital, portanto, prevê até R$ 1,2 milhão para publicidade. Já os possíveis cortes na saúde seguem sem comprovação documental. A prefeitura precisa responder às duas questões: quanto pretende gastar com o contrato e se haverá mudanças nas consultas, nas equipes e no fornecimento de medicamentos.



