Paulo Guedes palestrou em Maringá antes de reportagem revelar sua atuação na OnilX, acusada por investidores de dar calotes

Paulo Guedes palestrou em Maringá antes de reportagem revelar sua atuação na OnilX, acusada por investidores de dar calotes


Ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro participou de evento em 16 de setembro. Oito dias depois, o Metrópoles publicou detalhes de suas palestras, consultorias e reuniões com a empresa de criptoativos.

Por Gilmar Ferreira

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes palestrou em Maringá em 16 de setembro, no Economic Summit 2026. Oito dias depois, o jornalista Tácio Lorran publicou no Metrópoles uma reportagem sobre a atuação de Guedes junto à OnilX. A empresa enfrenta ações de investidores que afirmam não conseguir resgatar os recursos aplicados. www.prcempreendimentos.com.br

Guedes comandou o Ministério da Economia no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A posição que ocupava lhe rendeu o apelido de “superministro”, também empregado pela reportagem do Metrópoles. Sua atuação junto à OnilX ocorreu após sua passagem pelo governo. A apuração consultada não atribui participação de Bolsonaro ou do governo federal nos negócios da empresa. www.metropoles.com



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Em Maringá, Guedes falou no Teatro Marista. O empreendimento ÍON, da PRC Empreendimentos, apoiou o Economic Summit e convidou 40 empresários e lideranças empresariais da região. A documentação consultada não relaciona o evento ou seus apoiadores à OnilX. www.prcempreendimentos.com.br

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Imagem do evento no Teatro Marista em Maringá

O que a reportagem documenta sobre Guedes e a OnilX

Segundo o Metrópoles, Guedes deu palestras e consultorias à OnilX, recebeu investidores, participou de reuniões estratégicas com parceiros comerciais e teve sua imagem usada em material de divulgação da empresa. A coluna reproduziu uma publicação na qual ele aparece com Fábio Lino, apontado como dono da OnilX, e executivos da Visa. Na legenda citada pela reportagem, a empresa descreveu o ex-ministro como alguém que lhe oferecia “suporte e visão”. Guedes não consta no quadro societário do grupo, conforme a apuração. www.metropoles.com

O Metrópoles também obteve um vídeo de uma palestra de Guedes para assessores e investidores da OnilX. Ele elogiou a empresa diante da plateia. A coluna ressalvou, porém, que não tinha registros do que foi dito nas reuniões privadas entre Guedes, dirigentes do grupo e potenciais clientes. www.metropoles.com

A reportagem informa ainda que a advogada Anne Caroline Marciquevik, ex-assessora especial de Guedes no Ministério da Economia, representou a OnilX em reuniões com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo a coluna, registros compilados pela Agenda Transparente apontam seis reuniões dela com autoridades da autarquia após a ordem emitida contra o grupo. Essa atuação da advogada não demonstra que Guedes tenha participado das tratativas com a CVM. www.metropoles.com

O que dizem os investidores

O Metrópoles afirma ter identificado 108 ações ajuizadas contra o grupo OnilX entre 12 de junho e 10 de setembro. Investidores relatam dificuldade para sacar recursos que aplicaram na empresa. Alguns suspeitam de uma pirâmide financeira. Essas são alegações dos autores das ações, não uma conclusão judicial apresentada pela reportagem. www.metropoles.com

Em uma das ações citadas pela coluna, um casal cobra R$ 876.513,00. Os autores afirmam que ampliaram seus aportes após uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril. Em outro processo, uma empresa cobra R$ 632.183,33. O Metrópoles relata que uma assessora da OnilX mencionou Guedes ao tentar convencer esse cliente a investir valores mais altos. www.metropoles.com

Não encontrei confirmação de que Paulo Guedes seja réu nessas ações. O que a reportagem mostra é que investidores citaram o ex-ministro ao relatar seus contatos com a empresa. Ela não apresenta prova de que Guedes tenha administrado os valores aplicados ou decidido sobre os pedidos de resgate. www.metropoles.com

O que a CVM determinou

Em janeiro de 2026, a CVM ordenou que o grupo Onil ou OnilX suspendesse imediatamente a oferta pública de serviços de intermediação de valores mobiliários. A autarquia informou que o grupo não tinha autorização para intermediar esses ativos, atuar como assessor de investimentos ou captar recursos para aplicação em valores mobiliários. Comissão de Valores Mobiliários

Após recurso da empresa, a CVM esclareceu em abril que a ordem não proíbe operações regulares com criptoativos que não sejam valores mobiliários. A restrição continua aplicável a ofertas associadas a contratos de investimento coletivo, promessa de retorno ou outros elementos sujeitos à fiscalização da autarquia. Comissão de Valores Mobiliários

Patrocínio em Maringá e posição da empresa

O jornalista Angelo Rigon publicou que a OnilX patrocina o Maringá Futebol Clube. O presidente do clube, João Vitor Lima Mazzer, também é identificado como coordenador da campanha de Sergio Moro em Maringá em reportagem já publicada pelo O Diário de Maringá. O patrocínio ao clube não demonstra que Mazzer ou Moro tenham participado das operações da OnilX questionadas pelos investidores.

Em seu site, a OnilX afirma que atua regularmente no mercado de ativos virtuais. A empresa sustenta que não gere investimentos, não promete rentabilidade fixa e não oferece contratos de investimento coletivo. Segundo o Metrópoles, Guedes e Fábio Lino foram procurados pela coluna, mas não responderam até a publicação às perguntas sobre a atuação do ex-ministro e as acusações dos investidores. onilx.com.br

Guedes também foi procurado pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para uma conversa, segundo reportagem do UOL publicada em junho. Guedes poderá ocupar um ministério em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, caso o candidato seja eleito.

Fontes e links

TV Diário
Redação O Diário de Maringá

Redação O Diário de Maringá

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