Consciência para votar, prefeita, também exige responsabilidade para dirigir e administrar
Suzie Pucillo aparece ao volante sem cinto visível; episódio provoca cobrança sobre exemplo público e explicações sobre o PA de Astorga
Por Gilmar Ferreira
No vídeo encaminhado à reportagem, a prefeita de Astorga, Suzie Pucillo (PP), aparece dirigindo um veículo em deslocamento, sem o cinto de segurança visível sobre o corpo. Enquanto a mensagem pede consciência ao eleitor, as imagens provocam outra cobrança: a responsabilidade também precisa acompanhar quem está ao volante.
O Código de Trânsito Brasileiro determina o uso do cinto por motoristas e passageiros. Conforme o artigo 167, descumprir essa obrigação configura infração grave, com multa de R$ 195,23, cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação e retenção do veículo até a colocação do equipamento. Essas são as consequências previstas na legislação, sem significar que a prefeita tenha recebido uma autuação.
Votar com consciência é importante, prefeita. Dirigir com consciência também. Quem ocupa um cargo público deve dar o exemplo, inclusive nas atitudes mais simples. Colocar o cinto antes de sair com o carro é uma delas.
Gravar conteúdo não dispensa os cuidados no trânsito
Mesmo que outra pessoa faça a filmagem, a motorista pode cometer infração se a participação na gravação comprometer sua atenção ao trânsito. Nesse caso, o artigo 169 do Código de Trânsito Brasileiro prevê infração leve, com multa de R$ 88,38 e três pontos na CNH.
Se também conduzir sem cinto de segurança, poderá responder pela infração grave prevista no artigo 167, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos. Caso dirija com apenas uma mão para gesticular durante a gravação, fora das exceções legais, o possível enquadramento é o artigo 252, inciso V: infração média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos. planalto.gov.br
A soma hipotética dessas três infrações chega a R$ 413,77 e 12 pontos na CNH. A aplicação conjunta depende da comprovação de cada conduta e da avaliação da autoridade de trânsito. A filmagem feita por outra pessoa, isoladamente, não comprova direção sem atenção nem autoriza enquadrar a motorista por segurar ou manusear o celular.
Isso não elimina a cobrança por atenção ao trânsito. Uma gravação para as redes sociais não justifica descuidar da direção nem dispensar o cinto de segurança. O pedido de consciência ganha força quando vem acompanhado de exemplo.
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E a consciência na administração de Astorga?
A responsabilidade cobrada da prefeita também alcança o Pronto Atendimento Municipal (PAM). O governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) participou da inauguração da unidade em 10 de abril de 2026. A Secretaria de Estado da Saúde anunciou investimento de aproximadamente R$ 4,6 milhões. Na cerimônia, Suzie afirmou que o serviço funcionaria 24 horas, com atendimento de urgência e emergência.
Na visita que fiz ao local em 26 de setembro, entretanto, encontrei o prédio fechado. Conforme a apuração publicada por O Diário de Maringá naquela data, o novo PAM ainda não havia atendido pacientes. Esse é o último registro verificado para este texto, sem confirmação atualizada sobre eventual abertura posterior.
Neste sábado, 3 de outubro, a inauguração se aproxima de completar seis meses. A distância entre a cerimônia e o funcionamento registrado na reportagem exige explicações. O que impediu o início dos atendimentos? Quais providências a administração tomou? Qual é a situação atual da unidade?
A demora, por si só, não comprova desvio de recursos ou outra ilegalidade. Mas uma estrutura construída com dinheiro público precisa cumprir sua finalidade. Cabe à Prefeitura esclarecer os obstáculos e apresentar informações concretas sobre equipe, equipamentos e atendimento.
Administrar com consciência e respeito ao erário também seria ótimo, prefeita. A população merece mais que uma mensagem de campanha: merece segurança, transparência e serviço público funcionando.
O exemplo começa com o cinto colocado antes de dirigir. Na saúde, precisa chegar às portas do Pronto Atendimento, abertas para receber quem necessita de cuidado.



