Vindo de Flávio Mantovani, a atitude de hoje na sala de imprensa não me surpreendeu
Uma conversa na sala de imprensa da Câmara de Maringá mostrou o valor de manter convicções e compromissos depois de um resultado eleitoral desfavorável.
Por Gilmar Ferreira
Acompanho as sessões da Câmara Municipal de Maringá há mais de 20 anos. Nesta quinta-feira (15), uma conversa com o vereador Flávio Mantovani na sala de imprensa me chamou a atenção pela maneira como ele tratou o resultado da eleição e a continuidade de seu trabalho.
Mantovani comentou que algumas pessoas se elegeram, em sua avaliação, depois de falar barbaridades ou apresentar poucas propostas. Não generalizou. Citou nomes que não reproduzo aqui porque o propósito deste artigo é reconhecer uma postura, sem alimentar polêmica pela polêmica.
O ponto principal veio quando falou sobre o próprio caminho. Mesmo sem conquistar uma cadeira de deputado estadual, afirmou que pretende continuar fazendo o que sempre fez: fazer o certo até dar certo.
Conheço Flávio há muitos anos. Por isso, aquela disposição de seguir trabalhando era uma resposta que eu esperava ouvir dele. Na minha avaliação, sua atuação tem marcas reconhecíveis: a defesa da legalidade, a atenção às demandas dos cidadãos e o compromisso com a causa animal.
Uma derrota eleitoral pode provocar frustração. Quem coloca o nome à disposição do eleitor espera vencer. Ainda assim, existe uma diferença entre lamentar o resultado e permitir que ele apague o sentido da própria trajetória. Na conversa que tivemos, Mantovani demonstrou disposição para preservar seus compromissos.
O valor de continuar sendo quem se é
O voto define quem conquista o mandato em disputa. Já o caráter, a coerência e a responsabilidade precisam ser avaliados ao longo do tempo, nas atitudes e nas escolhas de cada pessoa.
Isso também exige cuidado de quem analisa uma eleição. Uma votação expressiva não coloca ninguém acima de críticas. Da mesma forma, deixar de se eleger não elimina o valor de um trabalho ou das causas que alguém representa. A escolha do eleitor merece respeito, assim como merece reconhecimento quem recebe uma derrota e continua disposto a servir à comunidade.
ATENÇÃO: escorpiões ficam mais ativos em períodos chuvosos; saiba como prevenir acidentes
Considero que algumas candidaturas oferecem mais barulho do que propostas. Essa é uma avaliação política, não uma condenação de todos os eleitos. Há pessoas sérias entre os vencedores e entre aqueles que ficaram pelo caminho. O resultado das urnas não dispensa a observação do que cada um fará depois.
No caso de Mantovani, foi justamente esse depois que apareceu na nossa conversa. Ele continua vereador e tem um mandato pelo qual responder à população de Maringá. Sua disposição de manter o trabalho merece crédito e também acompanhamento.
Reconhecer essa atitude não significa concordar com todas as suas posições. O jornalismo precisa conservar a liberdade de cobrar, questionar e criticar. Essa mesma liberdade permite registrar uma postura que considero correta quando ela aparece.
Flávio Mantovani não conquistou a cadeira de deputado estadual que buscava. Mas, pelo que ouvi naquela sala de imprensa, preservou algo que considero essencial: sua identidade e a vontade de continuar trabalhando pelas causas em que acredita.
Agora, essa disposição seguirá sendo medida no exercício do mandato. Foi dali, de uma conversa sobre uma derrota, que ficou a frase que melhor traduz o compromisso assumido por ele: fazer o certo até dar certo.



