Moro precisa conferir a herança de Ratinho antes de assumir os abacaxis

Moro precisa conferir a herança de Ratinho antes de assumir os abacaxis


Transição deve mostrar o estado real das obras, das contas e dos compromissos do Paraná, com transparência e sem caça às bruxas.

Por Gilmar Ferreira
Artigo de opinião

O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), e o atual governador, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), reuniram-se nesta quinta-feira, 15 de outubro, no Palácio Iguaçu, em Curitiba, para tratar da transição. Segundo o TNOnline, Ratinho Junior afirmou que colaborará e garantirá acesso às informações necessárias à futura administração. Esse compromisso precisa resultar em uma conferência rigorosa do Estado que entregará ao sucessor.



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Na fotografia original do encontro, os dois aparecem em um aperto de mão descontraído. A imagem que ilustra este artigo recebeu uma alteração com inteligência artificial, por sugestão editorial de O Diário de Maringá. A caixa com abacaxi e pepinos foi acrescentada e não fazia parte da cena original.

A montagem representa os possíveis desafios que Moro encontrará ao assumir o governo. Trata-se de uma interpretação editorial, sem valor de prova sobre irregularidades ou pendências administrativas.

A cordialidade entre quem sai e quem entra é saudável. Entretanto, a transição precisa ir além dos sorrisos. O paranaense tem o direito de saber o que Ratinho Junior afirma deixar e o que realmente entregará.

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Conferir os documentos e abrir os armários

Moro não deve promover uma caça às bruxas. A transição exige trabalho técnico, critérios claros e respeito aos servidores. Ao mesmo tempo, precisa de independência para apresentar qualquer problema que encontrar.

O levantamento deve identificar obras paradas, empreendimentos com dificuldades e projetos anunciados que ainda dependem de recursos ou providências. Cada situação precisa vir acompanhada de documentos, prazos, custos e explicações.

Também será necessário conferir os compromissos assumidos com as prefeituras. Quais anúncios viraram convênios? Quais têm orçamento assegurado? Quanto dinheiro chegou aos municípios? O que ainda depende de transferência?

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Promessa não equivale a recurso disponível. Da mesma forma, uma placa de obra não assegura sua conclusão. Por isso, o novo governo deve confrontar a publicidade das entregas com a execução dos contratos.

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Se a equipe identificar recursos prometidos e não repassados, deverá explicar os motivos. Caso encontre obras sem condições de avançar, precisará informar os obstáculos e o valor necessário para resolvê-los.

É nesse sentido que Moro precisa tirar os esqueletos dos armários: divulgar as pendências que encontrar, demonstrar sua origem e apresentar os esclarecimentos da administração atual. A transparência deve orientar tanto a exposição de dificuldades quanto o reconhecimento do que estiver em ordem.

Ratinho Junior declarou que permitirá acesso às informações. Agora, a conferência dos documentos mostrará como esse compromisso funcionará na prática.

O namoro de 2027 pode virar cobrança em 2028

O primeiro ano de Moro poderá representar um período de namoro com os paranaenses. A expectativa de mudança costuma dar ao governante algum espaço para organizar a equipe e iniciar suas propostas.

Contudo, esse crédito político tem prazo incerto. Em 2028, obras sem solução, compromissos pendentes e dificuldades nos serviços poderão pesar sobre a avaliação do novo governador.

Sem um diagnóstico público da situação recebida, Moro correrá o risco de assumir também o desgaste por decisões anteriores à sua posse. O cidadão sente a falta do serviço, vê a obra inacabada e cobra de quem está no comando.

Por isso, eventuais problemas herdados precisam aparecer durante a transição, com sua dimensão e sua origem. Se houver falhas de planejamento da gestão Ratinho Junior, o relatório deverá apontá-las com documentos.

As possíveis “bombas” administrativas precisam de identificação antes de seus efeitos atingirem a população. Escondê-las em nome da boa convivência apenas adiaria o problema e dificultaria a definição das responsabilidades.

Isso também não dará a Moro uma justificativa permanente para os próprios erros. A partir da posse, ele responderá pelas decisões que tomar, pelas prioridades que estabelecer e pelas soluções que apresentar.

Conhecer a herança serve justamente para permitir essa distinção: o que veio do governo anterior e o que decorrerá das escolhas do sucessor.

A força da comunicação continuará no cenário político

Outro elemento merece atenção: a estrutura de comunicação ligada à família do atual governador. Sua atuação reúne televisão, rádio e plataformas digitais.

A presença dessa estrutura não impediu a vitória de Moro. Ainda assim, o futuro governador não deve ignorar seu alcance durante os próximos quatro anos.

Esses veículos poderão cobrar, questionar e criticar a nova administração. Não há fundamento para afirmar antecipadamente que haverá uma campanha coordenada contra Moro. Existe, porém, a possibilidade política de críticas com grande repercussão.

Diante disso, a documentação pública será essencial. Um retrato claro do Estado recebido permitirá confrontar discursos, conferir responsabilidades e acompanhar as providências do novo governo.

Moro precisa prestar contas desde a transição. Ao divulgar o que encontrou, dará ao cidadão condições de avaliar tanto a gestão que termina quanto aquela que começa.

O resultado desse trabalho deve aparecer em um relatório acessível, com obras, contratos, obrigações financeiras e compromissos municipais. Também precisa incluir as explicações do governo atual e as medidas propostas pela futura equipe.

A fotografia original registra um aperto de mão. A montagem acrescenta os abacaxis e os pepinos como provocação editorial. Aos responsáveis pela transição cabe apresentar algo mais concreto: os documentos que mostrarão o que Ratinho Junior realmente entregará a Sergio Moro.

Imagem da manchete feita por IA

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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