Ratinho, antes de falar sobre verdades e mentiras na política, que tal esclarecer impostos e negócios com o Banco Master?
Após a derrota do grupo de Ratinho Junior para Sergio Moro no Paraná, o apoio a Flávio Bolsonaro ganha destaque. Mas o apresentador Ratinho poderia aproveitar seu espaço na televisão para esclarecer antigas cobranças milionárias de impostos.
Por Gilmar Ferreira | O Diário de Maringá | 17 de outubro de 2026
O apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, poderia aproveitar alguns minutos de seu programa de televisão para responder a uma pergunta simples: afinal, o que aconteceu com os R$ 74 milhões que a Fazenda Nacional cobrava dele em 2017?
A revista Época divulgou a cobrança naquele ano. Na ocasião, a defesa do apresentador contestou os valores e sustentou que sua empresa já havia recolhido os impostos.
Mas qual foi o resultado dessa discussão? Ratinho pagou? Conseguiu anular a cobrança? Fez algum acordo? Ou ainda existe alguma pendência?
São perguntas legítimas, especialmente quando uma figura pública com grande influência na comunicação participa do debate político nacional.
Da derrota no Paraná ao apoio a Flávio Bolsonaro
O grupo político do governador Ratinho Junior (PSD) sofreu uma derrota expressiva nas eleições paranaenses. Seu candidato ao governo, Sandro Alex (PSD), perdeu para Sergio Moro (PL).
Agora, Ratinho Junior apoia Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República.
O apresentador Ratinho tem todo o direito de manifestar suas preferências políticas. Entretanto, a proximidade entre política, negócios e comunicação também exige transparência.
Se o debate eleitoral envolve tantas acusações de fake news, por que não esclarecer publicamente as informações sobre as antigas cobranças tributárias?
Ratinho, é fake ou verdade?
Em 2006, o jornal Valor Econômico noticiou duas autuações fiscais envolvendo Ratinho, de R$ 39 milhões e R$ 26 milhões.
Em 2017, a revista Época publicou a informação sobre a cobrança de aproximadamente R$ 74 milhões.
Esses valores fazem parte de reportagens de períodos diferentes. Portanto, não é correto somá-los nem afirmar que representam dívidas atuais.
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Mas Ratinho poderia explicar o desfecho de cada caso. Afinal, quanto pagou? Quanto contestou? Quais processos terminaram? Existe alguma cobrança em andamento?
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Uma explicação acompanhada de documentos ajudaria a encerrar as dúvidas.
E se Flávio Bolsonaro vencer a eleição?
Outra pergunta merece atenção: um eventual governo Flávio Bolsonaro poderia criar programas tributários que beneficiassem empresas ligadas a seus apoiadores?
A legislação permite renegociações fiscais dentro de critérios específicos. Entretanto, nenhum presidente pode simplesmente perdoar a dívida de um aliado por vontade própria.
Também não existem provas de que Ratinho tenha negociado qualquer benefício tributário em troca de apoio político.
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Mesmo assim, a pergunta sobre a situação fiscal do apresentador continua válida.
A verdade também precisa valer para os aliados
Ratinho tem audiência, influência e espaço para discutir política com milhões de brasileiros. Por que não aproveitar essa visibilidade para esclarecer o que aconteceu com as cobranças tributárias divulgadas pela imprensa?
Não estamos afirmando que o apresentador ainda deva R$ 74 milhões. Estamos perguntando qual foi o destino daquela cobrança.
Ratinho, é fake ou verdade que ainda existem impostos pendentes? Quanto foi pago? Quanto a Justiça afastou?
Uma resposta acompanhada de documentos seria mais esclarecedora do que qualquer disputa política.
Afinal, quem participa do debate sobre verdade e mentira também precisa aceitar perguntas sobre os próprios negócios.
E a cobrança de R$ 74 milhões, que ganhou repercussão nacional em 2017? Essa questão também merece uma resposta objetiva: qual foi o desfecho da cobrança, quanto foi efetivamente pago e quais são os esclarecimentos sobre seu suposto envolvimento com o empreendimento Tayayá e o Banco Master?
Gilmar Ferreira é jornalista e editor de O Diário de Maringá.



