Veículos públicos a serviço de quem? Denúncia coloca uso de carros da GCM de Maringá sob questionamento
Um dossiê encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MPPR) aponta indícios de possível uso irregular de veículos oficiais da Guarda Civil Municipal (GCM) de Maringá. Segundo reportagem publicada neste domingo (25) pelo jornalista Angelo Rigon, do Maringá News, o documento menciona o subcomandante da corporação, Sidnei Aparecido de Faria.
O material solicita a apuração de possíveis irregularidades relacionadas à utilização de veículos públicos, deslocamentos para outros municípios e retirada da identificação visual de um dos automóveis.
As informações apresentadas constituem indícios que dependem de investigação. Até o momento, o material divulgado não comprova a ocorrência de irregularidades administrativas ou ilícitos.
Dossiê aponta utilização de veículo oficial por períodos prolongados
De acordo com a reportagem de Angelo Rigon, um dos veículos mencionados é um Fiat Argo, placa UCD8I38, patrimônio 477809, vinculado à Secretaria Municipal de Segurança Pública de Maringá.
O documento afirma que o automóvel permaneceria praticamente de forma permanente à disposição do subcomandante, inclusive durante períodos de 24 horas.
Outro ponto levantado envolve a identificação visual do veículo.
Fotografias anexadas ao dossiê mostram que, em 6 de agosto de 2026, o Fiat Argo apresentava adesivos e logomarcas da Guarda Civil Municipal. Entretanto, dois dias depois, em 8 de agosto, o mesmo automóvel aparece sem a identificação institucional.
Diante dessa situação, o documento solicita esclarecimentos sobre quem autorizou a retirada dos adesivos, quando ocorreu a mudança e qual foi sua justificativa.
Registros mostram deslocamentos para Mandaguaçu e Apucarana
O dossiê também apresenta registros de circulação do Fiat Argo fora dos limites de Maringá.
Segundo o material divulgado pelo Maringá News, em 3 de julho de 2026, às 18h01, o veículo foi registrado na estrada para o distrito de Pulinópolis, em Mandaguaçu.
Posteriormente, em 23 de agosto, o automóvel apareceu em dois pontos de Apucarana.
O primeiro registro ocorreu na BR-376, quilômetro 231, às 11h32. Já o segundo foi identificado na BR-369, quilômetro 212,45, às 17h19.
Os deslocamentos, isoladamente, não demonstram utilização irregular. A apuração deverá verificar se as viagens ocorreram durante atividades oficiais e se havia autorização administrativa.
Segundo veículo também aparece na documentação
Além do Fiat Argo, o documento menciona um Ford Fusion, placa ARD2091.
Conforme o dossiê, esse veículo estaria sob posse do mesmo servidor desde janeiro de 2026.
O material apresenta registros fotográficos e de localização do automóvel em Marialva, Maringá e Paiçandu.
Entre os registros está uma passagem pela BR-376, quilômetro 202, em Marialva, no dia 10 de maio de 2026.
A documentação busca esclarecer as condições de utilização dos veículos e a existência de autorização para os deslocamentos.
Ministério Público recebe pedido de apuração
O dossiê recomenda que o Ministério Público solicite documentos administrativos relacionados aos automóveis.
Entre os registros mencionados estão fichas patrimoniais, termos de responsabilidade, diários de bordo, comprovantes de abastecimento, dados de rastreamento por GPS, ordens de serviço e escalas dos servidores.
O cruzamento dessas informações poderá esclarecer se os veículos foram utilizados exclusivamente em atividades institucionais ou se ocorreram deslocamentos sem autorização.
O material também reúne vídeos, fotografias comparativas e registros de localização.
A documentação ressalta que os fatos apresentados representam indícios, sem constituir conclusão sobre a existência de irregularidade ou prática de ilícito.
Secretário de Segurança Pública promete transparência e apuração administrativa
Procurado sobre o assunto, conforme informou Angelo Rigon, o secretário municipal de Segurança Pública de Maringá, vereador licenciado Delegado Luiz Alves (PL), declarou que tomou conhecimento dos fatos neste sábado (24).
O secretário afirmou que responderá aos questionamentos apresentados pelo Ministério Público de forma transparente e adotará as providências necessárias para a apuração administrativa.
A manifestação indica que a administração municipal deverá examinar os fatos relatados na denúncia.



