R$ 4 milhões por água abaixo: temporal destrói novamente pista emborrachada do Parque do Ingá

R$ 4 milhões por água abaixo: temporal destrói novamente pista emborrachada do Parque do Ingá


R$ 4 milhões por água abaixo: temporal destrói novamente pista emborrachada do Parque do Ingá

O temporal que atingiu Maringá na madrugada de segunda-feira (2 de novembro) voltou a provocar estragos na pista emborrachada do Parque do Ingá. A estrutura, que recebeu investimento de aproximadamente R$ 4 milhões durante a administração do ex-prefeito Ulisses Maia, sofreu novos danos. O caso foi registrado em reportagem publicada pelo portal GMC Online na própria segunda-feira.

A cena reacende uma discussão que acompanha a obra há anos: como um investimento milionário, destinado a melhorar as condições de caminhada e corrida, acabou acumulando tantos problemas?

A pista apresenta um histórico de deterioração, desprendimento do revestimento e danos provocados pelas chuvas. Além disso, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) ingressou com uma ação civil pública para buscar o ressarcimento dos recursos aplicados.



Problemas começaram ainda em 2021

A contratação da obra ocorreu após licitação em 2019. A empresa R. Martins Garcia Construção Civil venceu o processo, com valor aproximado de R$ 3,985 milhões.

A implantação do revestimento ocorreu durante a gestão de Ulisses Maia. Embora algumas reportagens indiquem inauguração em novembro de 2020, documentos e outras publicações apontam a entrega definitiva em setembro de 2021.

Antes mesmo desse recebimento definitivo, já existiam questionamentos sobre a conservação do piso.

Em agosto de 2021, o Requerimento nº 1019/2021, apresentado na Câmara Municipal, mencionava deterioração em parte da estrutura e solicitava esclarecimentos sobre fiscalização e garantia contratual.

Portanto, as dificuldades não começaram com o temporal desta semana.

Em fevereiro de 2022, a água arrancou parte da pista

O primeiro grande episódio ocorreu em 22 de fevereiro de 2022. Uma chuva intensa atingiu Maringá e arrancou parte do revestimento emborrachado.

Na época, a Prefeitura estimou que aproximadamente 20% da pista havia sofrido danos.

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Imagens do material sendo arrastado pela enxurrada circularam pelas redes sociais e chamaram a atenção dos moradores.

Posteriormente, a administração municipal decidiu recuperar parte do trecho com asfalto. O custo estimado da intervenção foi de R$ 200 mil.

Naquele momento, a Prefeitura atribuiu o problema às condições de drenagem do entorno do parque, e não a defeitos na instalação ou no material.

Em 2023, novos problemas e mais gastos

A situação voltou a se repetir em 2023. Outras chuvas intensas danificaram o revestimento, enquanto usuários reclamavam de buracos, desníveis e dificuldades para caminhar.

A Prefeitura informou que estudava soluções para melhorar o escoamento das águas pluviais.

A Fundação de Apoio ao Desenvolvimento Científico (Fadec), vinculada à Universidade Estadual de Maringá (UEM), desenvolveu estudos sobre a drenagem da região.

Também houve intervenções provisórias para recuperar trechos danificados.

Os problemas, entretanto, continuaram.

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Setembro de 2026: mais 15 metros arrancados

Na noite de 5 de setembro de 2026, outra chuva forte provocou novos estragos.

Segundo informações divulgadas pela Prefeitura, aproximadamente 15 metros do revestimento se desprenderam na região da Avenida Juscelino Kubitschek.

As equipes municipais precisaram remover o material danificado.

O episódio ocorreu enquanto a Justiça analisava as circunstâncias da obra e as possíveis responsabilidades pelos defeitos.

Ainda em setembro, a Prefeitura pediu autorização judicial para retirar o revestimento restante, alegando deterioração e riscos à segurança dos frequentadores.

Novembro de 2026: pista volta a sofrer com o temporal

Agora, o temporal de 2 de novembro trouxe novamente o problema à tona.

O revestimento emborrachado sofreu novos danos, conforme imagens divulgadas pelo GMC Online.

A repetição dos episódios reforça o debate sobre a durabilidade da estrutura e o destino dos recursos públicos investidos.

A dimensão exata dos danos causados pelo temporal de novembro ainda depende de avaliação técnica. Por isso, não é possível afirmar que a totalidade do investimento original tenha sido perdida nesta ocorrência.

O fato é que a obra milionária acumula sucessivos episódios de deterioração desde sua implantação.

Ministério Público cobra devolução de mais de R$ 4,2 milhões

A discussão ultrapassou a esfera administrativa.

Em outubro de 2024, a 20ª Promotoria de Justiça do Ministério Público do Paraná ajuizou ação civil pública para buscar o ressarcimento de R$ 4.247.349,93, com acréscimo de juros e correção monetária.

A ação envolve cinco servidores e a empresa contratada.

Segundo informações divulgadas sobre o processo, o Ministério Público questiona aspectos do projeto, da aprovação técnica, da fiscalização e da execução da obra.

Em junho de 2026, o valor atualizado da ação era estimado em aproximadamente R$ 7,3 milhões.

Esse montante representa a pretensão de ressarcimento atualizada, e não uma condenação definitiva ou o valor comprovado dos danos provocados pelas chuvas.

A perícia judicial busca esclarecer as causas dos problemas e identificar eventuais responsabilidades.

O que dizem os envolvidos

O ex-prefeito Ulisses Maia, responsável pela administração municipal durante a implantação da pista, apresentou sua posição em manifestação divulgada pelo GMC Online em setembro de 2026.

Por meio de sua assessoria, afirmou que o projeto atendia a uma demanda da comunidade e que sua execução seguiu os parâmetros estabelecidos, com liberação dos órgãos técnicos competentes à época.

Ulisses também defendeu a apuração dos fatos e a responsabilização da empresa executora caso a perícia comprove erro ou descumprimento contratual.

A construtora, por sua vez, já sustentou que executou os serviços conforme o projeto disponibilizado pelo município.

As causas definitivas dos problemas e as responsabilidades permanecem sob discussão judicial.

Justiça analisa retirada do revestimento

Em setembro de 2026, a Prefeitura de Maringá, agora administrada pelo prefeito Silvio Barros, solicitou autorização para remover o material restante.

O pedido foi encaminhado à 1ª Vara da Fazenda Pública.

Em decisão de 8 de outubro, a Justiça determinou que o perito prestasse esclarecimentos sobre a necessidade de preservar o revestimento para a continuidade da produção de provas.

Assim, a retirada da estrutura passou a depender da análise judicial.

Enquanto isso, a pista continuou exposta às condições climáticas e voltou a sofrer danos.

Quase R$ 4 milhões investidos e uma pergunta que permanece

O histórico da pista emborrachada do Parque do Ingá reúne investimento milionário, intervenções posteriores, reclamações dos usuários e uma ação judicial em andamento.

As chuvas de 2022, 2023 e 2026 mostram que os problemas se repetiram ao longo de diferentes anos.

O temporal desta segunda-feira acrescentou mais um capítulo a essa trajetória.

Diante dos novos estragos, permanece uma questão de interesse público: quanto ainda será necessário gastar para oferecer uma pista segura e durável à população de Maringá?

A resposta depende da conclusão da perícia, da definição das responsabilidades e de uma solução técnica capaz de evitar que novos trechos sejam novamente levados pela água.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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