Temporal de Maringá teve a quinta maior rajada de vento desde 1999, mas velocidade real pode ter sido muito superior
Em conversa com O Diário de Maringá, professor doutor Leandro Zandonadi, coordenador da Estação Climatológica da UEM, explica que não havia equipamentos no trajeto principal da tempestade. Por isso, a velocidade máxima dos ventos que atingiram a cidade permanece desconhecida.
Por Gilmar Ferreira | O Diário de Maringá
O temporal que atingiu Maringá na madrugada de segunda-feira, 2 de novembro de 2026, deixou um cenário de destruição pela cidade. Entretanto, um levantamento da Estação Climatológica da Universidade Estadual de Maringá (UEM) revela um dado que chama a atenção: a rajada de 96,8 km/h registrada durante a tempestade ocupa apenas a quinta posição entre as maiores velocidades apresentadas em uma série de registros desde 1999.
Nesta terça-feira (3), O Diário de Maringá conversou com o professor doutor Leandro Zandonadi, coordenador da Estação Climatológica da UEM (ECPM UEM/INMET), para compreender por que o temporal provocou tantos estragos, mesmo sem superar os maiores registros históricos de vento na estação.
Segundo o especialista, a explicação pode estar na trajetória da tempestade. O equipamento que registrou os 96,8 km/h estava próximo da área atingida pelos ventos mais intensos, mas fora do caminho principal do fenômeno.
Além disso, não havia outras estações meteorológicas posicionadas exatamente na trajetória da tempestade. Portanto, não é possível determinar com precisão a maior velocidade alcançada pelos ventos em Maringá.
Estações meteorológicas não estavam no caminho dos ventos mais fortes
Durante a conversa com nossa reportagem, Leandro Zandonadi explicou que os dados precisam ser interpretados considerando a localização dos equipamentos e a distribuição dos estragos.
“Veja que o de ontem foi somente o 5 mais intenso do período, porém, essa é uma questão a ser analisada, pois, de acordo com os levantamentos dos estragos já realizados pela defesa civil, a estação estava próxima, mas fora do caminho principal de ventos mais intensos registrado ontem, sugerindo que em alguns locais os ventos foram bem mais violentos.”
O coordenador também destacou uma limitação importante para a análise meteorológica do episódio.
“Infelizmente, não há estações em Maringá que estavam exatamente no trajeto da tempestade, portanto, é difícil de se dizer qual foi a velocidade exata.”
A declaração ajuda a explicar por que os registros oficiais podem não representar a intensidade máxima dos ventos que atingiram a cidade.
Em outras palavras, os 96,8 km/h correspondem à velocidade medida na estação, mas não necessariamente à rajada mais forte que ocorreu durante o temporal.
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Maringá já registrou ventos de até 110 km/h
O levantamento compartilhado pelo professor Leandro Zandonadi reúne 23 ocorrências com rajadas de vento de pelo menos 70 km/h, entre dezembro de 1999 e novembro de 2026.
Segundo o coordenador, velocidades acima de 70 km/h já apresentam potencial para provocar danos mais sérios.
Entre os registros apresentados, a maior rajada ocorreu em 7 de outubro de 2023, quando os ventos atingiram 110 km/h.
Confira as cinco maiores velocidades da tabela fornecida pela Estação Climatológica da UEM:
| Data | Velocidade |
|---|---|
| 7 de outubro de 2023 | 110,0 km/h |
| 22 de setembro de 2025 | 99,0 km/h |
| 1º de outubro de 2021 | 98,0 km/h |
| 27 de setembro de 2020 | 97,0 km/h |
| 2 de novembro de 2026 | 96,8 km/h |
Fonte: Dados compartilhados pelo professor doutor Leandro Zandonadi, coordenador da Estação Climatológica da UEM (ECPM UEM/INMET).
Embora a rajada de novembro de 2026 apareça na quinta posição, isso não significa que a tempestade tenha sido a quinta mais intensa a atingir Maringá.
A classificação considera somente as velocidades medidas e apresentadas no levantamento, não a força máxima de cada tempestade em toda a cidade.
Por que a destruição foi tão grande se a estação registrou 96,8 km/h?
A resposta está, principalmente, na diferença entre a velocidade registrada em um ponto e a intensidade dos ventos em outras regiões.
Uma tempestade não distribui necessariamente sua força de maneira uniforme. Enquanto determinados bairros podem enfrentar rajadas extremamente violentas, outros locais podem registrar velocidades menores.
Por isso, a posição de uma estação meteorológica influencia diretamente os resultados.
No temporal de 2 de novembro, os levantamentos dos estragos realizados pela Defesa Civil, mencionados por Zandonadi, indicam que o equipamento estava fora do principal corredor de ventos intensos.
Assim, a estação registrou 96,8 km/h, mas os ventos podem ter alcançado velocidades superiores nas regiões mais atingidas.
Essa possibilidade, entretanto, não permite estabelecer um número exato. Sem medições realizadas diretamente no trajeto da tempestade, qualquer estimativa precisa de velocidade máxima dependeria de estudos técnicos adicionais.
Comparação com outros temporais exige cautela
Outro ponto destacado pelo coordenador da Estação Climatológica da UEM é que, em episódios anteriores, o equipamento estava mais próximo do caminho percorrido pelos ventos intensos.
Isso pode ajudar a explicar por que algumas tempestades apresentaram velocidades medidas superiores às do dia 2 de novembro, mesmo sem necessariamente provocar o mesmo padrão de destruição.
Além da velocidade dos ventos, a extensão da área atingida, a trajetória da tempestade e a vulnerabilidade das estruturas também influenciam os danos.
Dessa forma, comparar exclusivamente os números das estações meteorológicas pode levar a conclusões equivocadas sobre a gravidade de cada episódio.
Afinal, qual foi a velocidade real dos ventos em Maringá?
A resposta é que ainda não existe uma medição capaz de determinar a velocidade máxima dos ventos que atingiram a cidade durante o temporal de 2 de novembro.
O registro confirmado é de 96,8 km/h na estação meteorológica. No entanto, segundo o professor doutor Leandro Zandonadi, a ausência de equipamentos no trajeto principal da tempestade impede uma conclusão precisa sobre a intensidade máxima.
Os levantamentos dos estragos realizados pela Defesa Civil sugerem que determinadas regiões podem ter enfrentado rajadas mais violentas.
Portanto, embora os números históricos coloquem o episódio na quinta posição entre os registros apresentados, a dimensão dos danos e a localização da estação indicam que a análise não pode se limitar a esse resultado.
O temporal de 2 de novembro deixa, assim, uma questão meteorológica importante para Maringá: os ventos mais fortes podem ter passado justamente pelos locais onde não havia equipamentos para medir sua velocidade.



