Entre o que Ratinho Junior anuncia e o que realmente entrega existe uma distância que o Paraná já conhece
Governo anuncia linhas de crédito para empresários atingidos pelo temporal em Maringá, mas valores divulgados apresentam divergências. Histórico de promessas sobre a duplicação entre Maringá e Iguaraçu reforça cobrança por resultados concretos.
Por Gilmar Ferreira
O governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior (PSD), esteve em Maringá nesta quarta-feira (4) e anunciou medidas de apoio financeiro aos empresários prejudicados pelo temporal que atingiu a cidade. Entretanto, existe uma diferença que precisa ficar clara: o governo anunciou linhas de crédito, e não a distribuição de dinheiro a fundo perdido para cobrir os prejuízos.
Segundo a divulgação oficial do Governo do Paraná, o pacote prevê R$ 175 milhões em linhas de crédito. Desse total, R$ 100 milhões correspondem a recursos do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e R$ 75 milhões à Fomento Paraná.
Há modalidades com juros zero para pequenos empreendedores, desde que cumpram as condições previstas, incluindo o pagamento em dia.
Apesar disso, veículos que acompanharam a coletiva em Maringá divulgaram um montante de R$ 275 milhões, com R$ 200 milhões atribuídos ao BRDE. O comunicado oficial do banco, porém, confirmou R$ 100 milhões.
Essa diferença de R$ 100 milhões entre os valores divulgados exige esclarecimento. Afinal, quando o assunto envolve a recuperação de empresas atingidas por um desastre, a informação precisa ser transparente.
Empréstimo é ajuda, mas também é dívida
Não se pode negar que o acesso ao crédito pode representar uma alternativa importante para empresários que perderam mercadorias, equipamentos e estruturas.
Entretanto, também não podemos ignorar que o empresário prejudicado pelo temporal terá de reconstruir seu negócio e, caso contrate um financiamento, assumir uma obrigação financeira.
Mesmo quando existem condições especiais, carência ou juros subsidiados, empréstimo continua sendo empréstimo.
Por isso, o governo precisa esclarecer quantos empresários poderão acessar os recursos, quais serão as exigências, os prazos para aprovação e, principalmente, quando o dinheiro estará efetivamente disponível.
Anunciar milhões é relativamente simples. Fazer esses milhões chegarem às mãos de quem precisa é o verdadeiro desafio.
A duplicação entre Maringá e Iguaraçu não pode ser esquecida
Quando Ratinho Junior anuncia novos compromissos em Maringá, é impossível não lembrar da duplicação da rodovia entre Maringá e Iguaraçu.
A obra já foi objeto de anúncios e previsões de conclusão. No entanto, a população continua aguardando sua entrega integral.
Esse exemplo ajuda a explicar por que devemos acompanhar os anúncios oficiais com atenção.
Uma coisa é apresentar um investimento durante uma solenidade. Outra, muito diferente, é concluir a obra e permitir que a população usufrua do benefício prometido.
O governo precisa demonstrar, com cronogramas atualizados e informações públicas, quando os compromissos assumidos serão efetivamente cumpridos.
O Paraná precisa saber o que aconteceu com as promessas
Também é necessário acompanhar os compromissos anunciados pelo governo em diferentes regiões do Paraná, especialmente quando surgem revisões de investimentos, mudanças de prazos ou cortes orçamentários.
O cidadão tem o direito de saber o que foi prometido, o que já saiu do papel e o que ainda depende de execução.
A responsabilidade de um governo não termina quando o governador deixa o palco de uma solenidade.
Pelo contrário. É justamente depois dos anúncios que começa a obrigação de entregar resultados.
E essa cobrança precisa valer antes, durante e depois das eleições.
Os empresários de Maringá precisam de dinheiro disponível, não apenas anunciado
Maringá enfrenta as consequências de um temporal que provocou prejuízos e comprometeu atividades econômicas.
Nesse cenário, a recuperação exige rapidez.
Por isso, seria importante que o Governo do Paraná divulgasse periodicamente quantas empresas solicitaram financiamento, quantas tiveram seus pedidos aprovados e quanto dinheiro chegou efetivamente aos beneficiários.
Esses números permitirão avaliar se o programa está cumprindo sua finalidade.
Também será possível identificar se os pequenos empresários, justamente aqueles que podem enfrentar maiores dificuldades para oferecer garantias e comprovar capacidade de pagamento, conseguirão acessar as linhas de crédito.
Não basta existir dinheiro disponível nos bancos. É necessário que as condições permitam sua utilização por quem sofreu os prejuízos.
A pergunta que Ratinho Junior precisa responder
O anúncio de R$ 175 milhões em linhas de crédito, conforme os comunicados oficiais consultados, pode representar uma oportunidade para a recuperação econômica de Maringá.
Mas anúncio não é liberação de recursos. E disponibilidade de crédito não significa aprovação automática de financiamento.
A experiência com compromissos de infraestrutura, como a duplicação entre Maringá e Iguaraçu, demonstra a importância de acompanhar cada promessa até sua conclusão.
Por isso, fica uma pergunta ao governador Ratinho Junior:
Esse dinheiro, mesmo sendo emprestado, chegará rapidamente aos empresários que realmente precisam ou será mais um anúncio que não se transformará nos resultados esperados?
A resposta não estará nas fotografias oficiais, nos discursos ou nos números apresentados durante a visita.
Estará na quantidade de empresários atendidos, nos recursos efetivamente liberados e nos negócios que conseguirem se recuperar.
Rio Bonito do Iguaçu, que enfrentou o mesmo problema no ano passado, sentiu na pele as consequências das promessas feitas pelo governador Ratinho Junior.
Porque, no final das contas, o Paraná não precisa de mais promessas. Precisa que aquilo que foi anunciado seja cumprido.
Ainda em tempo: fazia tempo que não se via uma foto de Ratinho Junior em Maringá, ou em qualquer outra parte do Paraná, sem a presença do deputado estadual Adriano José, sempre por perto para garantir uma pose ao lado do governador. Desta vez, porém, a ausência chama a atenção. Será que tem alguma relação com a derrota do candidato apoiado pelo governador nas eleições? Fim de mandato não é fácil, principalmente quando as fotografias começam a mudar.
Para quem acreditava que Ratinho Junior seria o próximo diretor-geral de Itaipu, parece que agora ele terá de se contentar apenas em andar de lancha e pescar no Rio Paraná.
Gilmar Ferreira
O Diário de Maringá



