Ratinho Junior vem a Maringá: vai trazer soluções ou repetir promessas não cumpridas no prazo em Rio Bonito do Iguaçu?

Ratinho Junior vem a Maringá: vai trazer soluções ou repetir promessas não cumpridas no prazo em Rio Bonito do Iguaçu?


Por Gilmar Ferreira

Governador visita Maringá após tornado, enquanto 35 mil imóveis seguem sem energia. Em Rio Bonito do Iguaçu, anunciou 320 casas, mas apenas 19 das 49 previstas após revisão do programa haviam sido entregues seis meses depois da tragédia.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior (PSD) estará em Maringá na tarde desta quarta-feira, 4 de novembro, para avaliar os estragos provocados pelo tornado e discutir medidas de auxílio ao município. A visita ocorre em meio à falta de energia elétrica e levanta uma questão que merece resposta: os compromissos anunciados serão cumpridos dentro dos prazos?

Segundo a Agência Estadual de Notícias, Ratinho Junior participará de uma reunião às 14h, no 5º Batalhão do Corpo de Bombeiros, com o prefeito Silvio Barros (PP). O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Schunig, também acompanhará a agenda. Agência Estadual de Notícias



A presença do governador é importante diante da gravidade da situação. Entretanto, Maringá precisa de soluções concretas, com recursos definidos, prazos públicos e acompanhamento dos resultados.

A preocupação não surge por acaso. Em novembro de 2025, após um tornado devastar Rio Bonito do Iguaçu, Ratinho Junior anunciou a construção emergencial de 320 casas. O governador também estabeleceu a expectativa de entregar as primeiras moradias em até 90 dias.

Seis meses depois, porém, uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que apenas 19 das 49 casas previstas após a revisão do programa haviam sido entregues. Secretaria das Cidades+1

O que Ratinho Junior prometeu em Rio Bonito do Iguaçu e não entregou no prazo anunciado

Em 10 de novembro de 2025, três dias após o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, o governador anunciou um programa emergencial para construir 320 moradias.

A Secretaria das Cidades publicou o anúncio no dia seguinte. O investimento inicialmente estimado era de R$ 60 milhões.

Na ocasião, Ratinho Junior declarou que esperava entregar as primeiras casas em até 90 dias, com a possibilidade de concluir boa parte delas nesse período. Secretaria das Cidades

Entretanto, os resultados documentados ficaram abaixo daquela expectativa.

Em 17 de março de 2026, a Gazeta do Paraná informou que apenas uma moradia havia sido entregue. A reportagem abordou um requerimento apresentado pela deputada estadual Luciana Rafagnin (PT), que cobrava explicações do governo sobre os atrasos. Gazeta do Paraná

Posteriormente, em 7 de maio, a Folha de S.Paulo constatou que apenas 19 casas pré-fabricadas haviam sido concluídas e entregues, enquanto outras 30 não tinham sido construídas.

Portanto, existe comprovação de que a expectativa de entrega anunciada inicialmente não se concretizou no período previsto. No entanto, é necessário considerar que o programa passou por alterações.

Das 320 casas anunciadas, o planejamento caiu para 49 unidades pré-fabricadas

A mudança é fundamental para compreender o que aconteceu.

Segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, a maioria das famílias atingidas preferiu receber recursos financeiros para reformar suas próprias residências.

Com isso, o planejamento de casas pré-fabricadas passou de 320 unidades anunciadas inicialmente para 49.

Mesmo após essa redução, somente 19 estavam entregues em maio de 2026. As outras 30 continuavam pendentes naquele momento.

O Governo do Paraná atribuiu o atraso à falta de terrenos adequados disponibilizados pela Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu. A administração municipal, por sua vez, afirmou que havia adquirido uma área apropriada e apontou a falta de aceitação do modelo habitacional por parte de algumas famílias.

Além disso, os dois governos informaram que um convênio previa a construção de 80 moradias em outros terrenos. Folha

Essas informações demonstram que houve atrasos e mudanças no programa, mas não permitem afirmar que todas as 320 casas continuavam sendo necessárias ou que o governo simplesmente abandonou a reconstrução.

Deputada cobrou explicações e Ministério Público questionou transparência

As dificuldades em Rio Bonito do Iguaçu também chegaram aos órgãos de fiscalização.

Em março, a deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) apresentou requerimento cobrando explicações sobre a construção das moradias e os benefícios destinados às famílias.

A parlamentar também encaminhou questionamentos ao Ministério Público, após relatos de moradores sobre dificuldades no recebimento integral de auxílios e preocupações com a qualidade de uma das construções. Essas manifestações constituem denúncias e reclamações, não conclusões definitivas sobre irregularidades. Assembleia Legislativa do Paraná

Em outra frente, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública contra a Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu para exigir maior transparência sobre os recursos destinados à reconstrução.

Segundo a Folha de S.Paulo, uma decisão judicial de 30 de março estabeleceu prazo de 120 dias para adequações no Portal da Transparência municipal.

A prefeitura informou que estava cumprindo a determinação e aprimorando a divulgação das informações. Folha

Governo estadual também apresentou investimentos e medidas de reconstrução

O atraso nas moradias não significa ausência de iniciativas do Estado.

Em março de 2026, a Secretaria das Cidades informou que os investimentos na recuperação de Rio Bonito do Iguaçu já ultrapassavam R$ 63 milhões.

Desse total, segundo o governo, R$ 11,5 milhões foram destinados à prefeitura por meio do Fundo Estadual para Calamidades Públicas. Também houve distribuição de auxílios para reconstrução de residências e outras medidas de atendimento às famílias. Secretaria das Cidades

Em maio, o governo informou à Folha de S.Paulo que havia distribuído 831 cartões de auxílio para compra de materiais e contratação de serviços, representando aproximadamente R$ 26 milhões.

Assim, os documentos registram tanto ações efetivas quanto compromissos habitacionais que não avançaram no ritmo inicialmente anunciado.

A questão central é saber quanto foi prometido, quanto foi executado e o que efetivamente chegou às famílias.

Maringá enfrenta falta de energia e cobra respostas da Copel

Enquanto o governador prepara sua visita, milhares de moradores de Maringá continuam enfrentando dificuldades provocadas pelo tornado.

Segundo balanço divulgado pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) às 7h desta quarta-feira, aproximadamente 35 mil imóveis permaneciam sem energia elétrica.

A empresa informou que havia restabelecido o fornecimento para 53 mil unidades consumidoras desde o início dos trabalhos. Desse total, 12 mil religamentos ocorreram durante a madrugada.

Ainda conforme a Copel, 900 profissionais participam da força-tarefa. As equipes identificaram 219 postes quebrados, oito quilômetros de rede danificada e a necessidade de substituir seis transformadores.

A companhia apresentou previsão de normalização do fornecimento até sexta-feira, 6 de novembro. Maringá Post

O tornado provocou danos graves à infraestrutura. Isso precisa ser considerado na avaliação do tempo de recuperação.

Entretanto, a população também tem direito a informações confiáveis sobre os reparos, o atendimento e os prazos de restabelecimento.

Privatização da Copel também precisa de explicações

A Copel passou por um processo de desestatização em 2023, durante o governo Ratinho Junior. Na ocasião, o governo defendeu a mudança como uma forma de ampliar a capacidade de investimento e a competitividade da companhia.

Agora, diante dos problemas enfrentados pelos consumidores após o tornado, é legítimo questionar quais melhorias efetivas ocorreram desde a transformação da empresa.

A população precisa conhecer os investimentos realizados na rede de distribuição de Maringá, a evolução do número de equipes de manutenção e os indicadores de qualidade do atendimento.

Também merece esclarecimento a capacidade de resposta da companhia diante de eventos climáticos extremos.

Entretanto, não há comprovação de que a privatização tenha causado diretamente a demora no restabelecimento da energia após o tornado. Para estabelecer essa relação, seria necessário analisar dados técnicos, investimentos e indicadores anteriores e posteriores à mudança de controle.

A fiscalização deve alcançar tanto a Copel quanto a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), responsável pela regulação do setor.

Menos anúncios e mais compromissos verificáveis

A visita de Ratinho Junior representa uma oportunidade para esclarecer o que o Estado fará para ajudar Maringá.

A experiência de Rio Bonito do Iguaçu demonstra a importância de acompanhar os compromissos públicos depois que as autoridades deixam os locais atingidos.

O anúncio de 320 moradias, a expectativa inicial de entrega em até 90 dias e a existência de apenas 19 casas concluídas seis meses depois são fatos documentados. Também está documentada a mudança no planejamento, motivada pela opção de famílias por recursos para reformas e pelos impasses relacionados aos terrenos.

Por isso, a cobrança precisa considerar as duas situações: os atrasos e as medidas efetivamente executadas.

Em Maringá, o governador deve esclarecer quais recursos estarão disponíveis, quando chegarão e quais órgãos responderão pela execução das medidas.

Além disso, é importante saber como o governo acompanhará a recuperação da infraestrutura e a assistência aos moradores prejudicados.

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Governador, Maringá quer soluções, prazos e resultados

O trabalho dos profissionais da Defesa Civil, dos bombeiros, das equipes de manutenção e dos voluntários merece reconhecimento. São essas pessoas que enfrentam diretamente as consequências da destruição.

Ao mesmo tempo, cabe às autoridades garantir condições para que os serviços essenciais sejam restabelecidos o mais rapidamente possível.

A população não precisa apenas de novos anúncios. Precisa de compromissos que possam ser acompanhados e cobrados.

Rio Bonito do Iguaçu deixou uma lição importante: entre a promessa e a entrega existe uma distância que precisa ser medida com documentos, prazos e resultados.

Em Maringá, essa cobrança começa com uma necessidade imediata.

Governador, menos anúncios e mais resultados. Afinal, milhares de moradores ainda esperam algo muito mais importante do que uma fotografia oficial: a energia elétrica de volta às suas casas.

Só para lembrar: quando, afinal, vão entregar a duplicação da rodovia entre Maringá e Iguaraçu? Já fizeram várias promessas de prazos, mas, até agora, nada de conclusão. Afinal, qual é a data definitiva de entrega?

Por Gilmar Ferreira

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira Jornalista, apresentador e mestre de cerimônias | MTB 0011341/PR Gilmar Ferreira construiu sua trajetória entre redações, estúdios de televisão, emissoras de rádio e eventos. Sua experiência reúne a apuração jornalística, a apresentação ao vivo e a condução de cerimônias, com atuação no Paraná e em Santa Catarina. Atualmente, é diretor de redação de O Diário de Maringá e atua como mestre de cerimônias em eventos no Paraná e SP. Na televisão, trabalhou como apresentador e âncora na TV Maringá (Band), RIC TV Maringá (Record), Record News (Rede Mercosul) e RTV 10 Maringá. Sua trajetória no rádio inclui passagens, no Paraná, pela Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Em Santa Catarina, atuou na Rádio Menina FM e na Rádio Globo AM, em Blumenau. Em cada formato, Gilmar leva a experiência de quem conhece a notícia desde a apuração até o momento de comunicá-la ao público.

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