Se já era ilegal, imagine quando começam a rachar a rachadinha
Dizem que, em Pasárgada, um deputado fictício ficou indignado. Não por falta de recursos, mas por falta de devolução. O combinado era simples. Vinte e cinco por cento voltariam para ele. Só que não voltaram.
O problema é que o deputado já estava acostumado com a rachadinha de verdade. Aquela de cinquenta por cento. Para ele, rachar é metade. Menos do que isso não é acordo, é ofensa.
Revoltado, concluiu que vinte e cinco por cento não é rachadinha. É rachar a rachadinha. Ofendido em sua própria matemática, saiu à procura de outro município imaginário, onde os números fechassem e a consciência continuasse aberta.
Moral da fábula. Quando a corrupção vira hábito, até a propina precisa seguir tabela.
Este texto é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.


