Olho Vivo de Guto Silva identifica carros roubados hoje, mas pode cobrar IPVA amanhã
O programa Olho Vivo, criado por Guto Silva, poderá se tornar uma grande fonte de arrecadação, além de contribuir para reduzir a inadimplência do IPVA e aumentar a quantidade de veículos apreendidos por falta de pagamento do licenciamento ou do próprio imposto.
O sistema de monitoramento Olho Vivo, que começou a ser implantado em cidades do Paraná, incluindo Maringá, surge oficialmente como uma ferramenta de combate ao crime. A tecnologia utiliza câmeras inteligentes capazes de identificar veículos furtados, roubados e pessoas com mandados de prisão em aberto.
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O projeto foi idealizado dentro do governo estadual pelo secretário Guto Silva, que passou a defender o uso de tecnologia para ampliar o monitoramento de veículos e pessoas em todo o Estado.
Apesar de ser apresentado como um sistema voltado à segurança pública, o projeto também passou a gerar questionamentos sobre os valores envolvidos e a transparência do contrato de implantação. Como se trata de um programa estadual de grande escala, estimativas apontam que o valor total do contrato pode chegar a cerca de R$ 500 milhões, considerando implantação e operação do sistema em diversas cidades do Paraná.
Uma reportagem publicada pela Gazeta do Paraná acrescentou um elemento ainda mais delicado ao debate. Segundo a publicação, existem questionamentos sobre a possibilidade de um esquema de pagamento de comissão irregular que poderia chegar a 20% do valor do contrato, o que, em tese, poderia representar algo próximo de R$ 100 milhões dentro de um contrato estimado em R$ 500 milhões. Até o momento, porém, essas informações aparecem no campo de suspeitas levantadas em reportagens jornalísticas e não há confirmação oficial de irregularidades.
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Em Maringá, o sistema já começou a ser implantado com a instalação de cerca de 100 câmeras em pontos estratégicos da cidade. Diferente das câmeras tradicionais de vigilância urbana, o Olho Vivo utiliza tecnologia de leitura automática de placas de veículos, que cruza os dados captados nas ruas com bancos de dados estaduais.
O funcionamento ocorre de forma automatizada. O veículo passa pela câmera, o sistema identifica automaticamente a placa e compara as informações com registros oficiais do Estado. Caso haja alguma irregularidade relacionada a crime, como veículo furtado ou pessoa com mandado de prisão em aberto, o sistema dispara um alerta automático para a central de segurança responsável pela região, permitindo que equipes policiais sejam acionadas.
No momento, o sistema em Maringá ainda está em fase de treinamento e testes operacionais, etapa necessária para calibrar os equipamentos e integrar os dados com os sistemas estaduais de segurança pública.
O Olho Vivo não substitui o monitoramento urbano tradicional, mas funciona como um sistema paralelo baseado em inteligência de dados. Enquanto o monitoramento tradicional depende de operadores acompanhando imagens em tempo real, o Olho Vivo trabalha com leitura automática de placas e cruzamento instantâneo de informações.
Outro aspecto que começa a gerar debate envolve o potencial de expansão da tecnologia. Atualmente, o sistema não foi contratado para verificar débitos como IPVA, licenciamento ou seguro obrigatório. O contrato inicial prevê uso apenas para identificação de crimes.
No entanto, especialistas apontam que a tecnologia utilizada tem capacidade técnica para fazer esse tipo de verificação. Isso ocorre porque os bancos de dados de veículos furtados, mandados de prisão, IPVA, licenciamento e outras pendências administrativas pertencem ao próprio Estado.
Caso no futuro haja integração entre esses bancos de dados e uma mudança contratual, as câmeras poderiam identificar automaticamente veículos que estejam com IPVA atrasado, licenciamento vencido ou outras irregularidades administrativas. Nesse cenário, o sistema poderia enviar alertas automáticos às forças de segurança, permitindo que a polícia seja informada sobre veículos circulando com documentação irregular.
A implantação do Olho Vivo abre duas discussões importantes no Paraná. A primeira envolve o impacto da tecnologia no combate ao crime e na segurança pública. A segunda diz respeito à transparência do contrato e ao alcance que essa tecnologia poderá ter no futuro.
Hoje o sistema é apresentado como uma ferramenta para localizar veículos roubados e pessoas procuradas pela Justiça. Porém, dependendo das decisões administrativas que venham a ser tomadas, o mesmo sistema poderá também se transformar em uma poderosa ferramenta de fiscalização veicular e arrecadação pública.


