Deboche no lugar de resposta: a reação de Guto à mobilização da UMES
Em política, a forma como se responde a críticas diz tanto quanto o conteúdo da resposta. E, neste caso, a reação do secretário Guto Silva nas redes sociais levanta um ponto básico: conhecer quem está do outro lado.
Ao comentar uma mobilização contra a concessão do título de Cidadão Honorário em Maringá, Guto tratou a UMES como “sindicato”. Não é. E não é um detalhe menor.

A União Municipal dos Estudantes Secundaristas (UMES) é uma entidade representativa de estudantes. Ela reúne alunos do ensino fundamental, médio e técnico de um município e tem como função organizar, mobilizar e representar os interesses estudantis. Atua em pautas como educação pública, qualidade do ensino, participação política, transporte escolar, infraestrutura e direitos dos estudantes.
Não se trata de sindicato. Não representa trabalhadores organizados por categoria profissional. Representa jovens em formação, que estão exercendo, muitas vezes pela primeira vez, o direito à participação cidadã.
Confundir isso revela, no mínimo, desatenção. No máximo, desrespeito.
Ao chamar estudantes de “companheiros do panfleto vermelho” e reduzir uma manifestação a “marketing gratuito”, o secretário não apenas erra conceitualmente. Ele escolhe desqualificar o debate. Substitui argumento por ironia. Substitui diálogo por deboche.
E aqui está o ponto central.
Quando estudantes se mobilizam, não é um problema. É um sinal de vitalidade democrática. É a sociedade se movimentando. É o futuro participando do presente. Tratar isso como incômodo ou caricatura ideológica é ignorar o papel histórico do movimento estudantil no Brasil.
Mais grave ainda é a tentativa de transformar questionamento público em palanque pessoal. Ao dizer que levará “a conta fechada dos investimentos”, Guto tenta mudar o eixo da discussão. Mas a questão não é essa.
A pergunta que está colocada é outra: faz sentido conceder o título de Cidadão Honorário diante das controvérsias, críticas e questionamentos que cercam sua atuação?
Responder isso exige respeito ao contraditório. Não ironia.
No fim, o episódio deixa um recado claro.
Antes de cobrar reconhecimento, é preciso reconhecer quem está falando.
Porque quando um agente público não distingue estudantes de sindicato, o problema não está na manifestação.
Está na forma como ele enxerga a sociedade.


