A moela desceu, mas os milhões para a SRM estão difíceis de o maringaense engolir
Cidades do Paraná, Guto Silva, cresce a percepção de que também não existe jantar sem custo político, e neste caso há algo que desce fácil e algo que simplesmente não dá para engolir.
Durante a visita à Câmara Municipal, o secretário publicou nas redes sociais um momento descontraído comendo moela, oferecida por um influenciador de Sarandi. A cena foi usada para reforçar uma imagem de simplicidade e proximidade com o povo.
Mas, se a moela desceu fácil, o mesmo não se pode dizer de outro ponto que ficou nos bastidores e que agora começa a ganhar peso no debate público.
Circula nos meios políticos a informação de que um jantar na Sociedade Rural de Maringá não apareceu nas redes do secretário. Pode ter sido estratégia, cautela ou simples omissão. Porém, mais relevante do que o jantar em si é o contexto financeiro que o cerca.
Recentemente, foram destinados cerca de R$ 25 milhões à Sociedade Rural de Maringá, uma entidade privada. E é justamente aqui que a narrativa muda de tom.
Porque, enquanto se divulga gesto simbólico com comida simples, a realidade dos números é muito mais difícil de engolir.
Para efeito de comparação, durante o ano de 2025, a Prefeitura de Maringá investiu cerca de R$ 377 milhões na saúde. O governo federal destinou mais de R$ 400 milhões ao setor no município. Já o Governo do Paraná, sob gestão de Ratinho Junior, enviou aproximadamente R$ 51 milhões.
Ou seja, os R$ 25 milhões destinados à SRM representam praticamente metade de tudo o que o Estado investiu na saúde da cidade ao longo de 2025.
E mais, esse valor é superior ao montante destinado pelo governo estadual para a manutenção do Hospital da Criança ao longo de cerca de 15 meses.
Diante disso, a questão deixa de ser apenas política e passa a ser também moral e de prioridade pública.
Fica mais fácil engolir a moela do que aceitar R$ 25 milhões destinados a uma instituição privada que, durante a exposição, trata como novidade a oferta de água gratuita ao público, algo que na verdade não é favor nem inovação, mas uma obrigação prevista em legislação federal.
O contraste é inevitável.
De um lado, a construção de uma imagem popular cuidadosamente exibida nas redes sociais. De outro, decisões que envolvem milhões de reais em recursos públicos, com impactos diretos sobre áreas essenciais como a saúde.
No fim, a moela vira marketing. Os milhões, silêncio.
E é justamente esse silêncio que mais incomoda.
Porque, em Maringá, engolir a moela é fácil. O que não dá para engolir são esses R$ 25 milhões para a SRM.


