Com R$ 25 milhões públicos, SRM já tem lado na eleição?

Com R$ 25 milhões públicos, SRM já tem lado na eleição?


R$ 25 milhões para entidade privada, R$ 51 milhões para a saúde: prioridades que precisam ser explicadas

A publicação feita nas redes sociais pelo assessor do deputado estadual Adriano José tenta transmitir a imagem de um encontro institucional produtivo na Sociedade Rural de Maringá. O texto fala em parceria, desenvolvimento e fortalecimento do agro.

Mas quando se olha além da narrativa, o que aparece não é apenas um encontro. É um cenário que levanta questionamentos sérios sobre prioridades, uso de recursos públicos e, principalmente, sobre o papel político por trás dessas relações.

O texto publicado diz:

“Na noite desta terça-feira (17), a Sociedade Rural de Maringá foi palco de um importante encontro institucional que reuniu autoridades estaduais, municipais e lideranças regionais. O evento contou com a presença do secretário das Cidades do Paraná, Guto Silva, e do deputado estadual Adriano José, que foram recepcionados pelo presidente da entidade, Henrique Pinto, juntamente com diretores da Sociedade Rural.

Durante o encontro, Henrique Pinto destacou e agradeceu os recursos destinados à entidade, ressaltando a importância da parceria com o Governo do Estado e com o Legislativo para o fortalecimento do setor agropecuário.”

A leitura isolada do texto passa a ideia de normalidade. De rotina institucional. De mais um evento protocolar.

Mas os números contam outra história.

A Sociedade Rural de Maringá, uma entidade privada com cerca de 500 associados, recebeu R$ 25 milhões em recursos públicos.

R$ 25 milhões.

Esse valor representa praticamente metade de tudo que o Governo do Estado destinou para a saúde de Maringá, que atende mais de 400 mil pessoas e recebeu apenas R$ 51 milhões.

Mais do que isso, os R$ 25 milhões destinados à SRM equivalem a mais de um ano inteiro de recursos para o Hospital da Criança.

Um hospital que atende vidas, que sustenta famílias em momentos críticos, que representa uma das áreas mais sensíveis de qualquer gestão pública.

Diante disso, a pergunta deixa de ser política. Ela se torna humana.

O que está sendo priorizado?

Enquanto a Prefeitura de Maringá investe cerca de R$ 377 milhões na saúde e o Governo Federal ultrapassa os R$ 400 milhões, o Governo do Estado aparece com um valor muito menor e, ao mesmo tempo, direciona quase metade disso para uma entidade privada.

E é justamente essa entidade que vira palco de valorização política.

No mesmo evento citado na publicação, aparecem Guto Silva, nome que se movimenta como possível candidato ao Governo do Estado, e Adriano José, deputado que precisa consolidar sua base eleitoral.

Não se trata de acusar. Se trata de observar o contexto.

Quando dinheiro público, visibilidade e agentes políticos se encontram no mesmo espaço, a sociedade tem o direito de questionar.

A exemplo do que já ocorreu em Paranavaí, onde há denúncia no Ministério Público por possível campanha antecipada em eventos semelhantes, Maringá pode seguir o mesmo caminho?

Haverá promoção de nomes políticos em telões da Expoingá?

Ingressos serão distribuídos como ferramenta política?

A estrutura da Sociedade Rural será utilizada para fortalecer candidaturas?

E há um detalhe que escancara ainda mais o distanciamento entre discurso e realidade.

As famílias que frequentam a Expoingá pagam ingresso. E agora surge como destaque a oferta de água gelada em vários pontos do evento.

Isso não é novidade.

Isso não é benefício.

Isso é obrigação prevista em lei.

Transformar o básico em propaganda não é avanço. É, no mínimo, um sinal de como a comunicação tenta vender como conquista aquilo que já deveria estar garantido.

No fim, tudo converge para uma mesma conclusão.

Quando R$ 25 milhões são destinados a uma entidade privada enquanto a saúde pública recebe pouco mais do que o dobro disso para atender toda uma cidade, o debate deixa de ser técnico.

Ele passa a ser moral.

Quem está sendo priorizado?

Quem está sendo beneficiado?

E quem está sendo usado nesse processo?

A população paga essa conta.

E tem todo o direito de exigir respostas claras.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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