Governo Ratinho Junior quer sucessão, mas Fiep expõe apagões e prejuízos no Paraná
A crise no fornecimento de energia elétrica no Paraná deixou de ser apenas reclamação isolada de produtores rurais e empresários. Agora, o problema chegou oficialmente ao Senado Federal e colocou o governo de Ratinho Junior sob pressão política e econômica. Durante audiência pública em Brasília, entidades do setor produtivo acusaram a Copel de falhas constantes no fornecimento, aumento no tempo de resposta e risco real de prejuízos à indústria e ao agronegócio paranaense.
Além disso, o debate escancarou uma contradição que começa a incomodar setores empresariais: enquanto o governo estadual comemora privatizações e apresenta discursos sobre modernização, empresários afirmam que a qualidade da energia piorou justamente em regiões responsáveis pela produção industrial e agropecuária do Paraná.
Fiep expõe falhas e questiona indicadores da Copel
A Federação das Indústrias do Estado do Paraná afirmou no Senado que os indicadores oficiais da Copel não mostram a realidade enfrentada pelas empresas. Segundo o superintendente João Arthur Mohr, as oscilações de tensão derrubam linhas inteiras de produção, causam perdas de matéria-prima e geram retrabalho nas indústrias.
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De acordo com levantamento apresentado pela entidade, 30 grandes indústrias de Ponta Grossa somaram cerca de 1.200 horas de paralisação em apenas um ano por causa das oscilações de energia. Isso representa média de 40 horas de interrupção por empresa.
Mesmo assim, os indicadores oficiais seguem abaixo do limite estabelecido pela ANEEL porque parte das interrupções acaba retirada dos cálculos sob justificativa de eventos climáticos ou porque o desempenho de cidades grandes mascara a situação do interior.
Na prática, empresários afirmam que o sistema atual não mede o prejuízo real causado ao setor produtivo.
Paraná corre risco de perder competitividade
A audiência também trouxe um alerta grave para o futuro econômico do estado. Segundo a Fiep, o Paraná terá crescimento estimado de 4,5% na demanda energética nos próximos anos. Porém, representantes do setor produtivo afirmam que a infraestrutura atual não acompanha essa expansão.
O problema atinge especialmente regiões industriais do Oeste, Sudoeste, Noroeste e Campos Gerais. Nessas áreas, empresários relatam quedas frequentes, oscilações repentinas e demora para restabelecimento da energia.
Enquanto isso, produtores rurais também reclamam que falhas simples, como galhos atingindo redes elétricas, provocam interrupções capazes de derrubar operações industriais inteiras.
A crítica feita no Senado foi direta: falta investimento preventivo.
Conta pode subir até 51% enquanto serviço recebe críticas
Se a qualidade do serviço já gera revolta, a previsão tarifária aumentou ainda mais a tensão entre consumidores e Copel.
A proposta da Revisão Tarifária Periódica de 2026 prevê reajuste médio superior a 26% nas tarifas de energia no Paraná. Para alguns segmentos industriais atendidos em alta tensão, o aumento pode chegar a 51%.
O cenário provoca indignação porque empresários afirmam que o consumidor poderá pagar mais caro por um serviço que, segundo eles, apresenta piora operacional.
Além disso, dados apresentados no Senado mostram aumento no tempo médio de resposta da Copel. Entre 2021 e 2025, o período para despacho de equipes subiu de 159 para 238 minutos. Já o tempo médio para religamento da energia aumentou de 30 para 40 minutos.
O avanço desses números ocorre justamente após anos de debates sobre privatização, eficiência e modernização da companhia.
Governo Ratinho Junior enfrenta desgaste político
O desgaste político cresce porque a crise energética atinge diretamente dois pilares frequentemente usados pelo governo de Ratinho Junior como vitrine administrativa: agronegócio e desenvolvimento econômico.
Durante a audiência, representantes do agro afirmaram que a instabilidade energética ameaça a competitividade da produção paranaense e pode gerar aumento de custos ao consumidor final.
A pergunta que começa a circular nos bastidores políticos e empresariais é inevitável: como um estado que se apresenta como potência econômica convive com reclamações tão intensas sobre energia elétrica?
Além disso, cresce a cobrança para que o governo estadual deixe discursos publicitários de lado e apresente soluções concretas para evitar prejuízos à indústria, ao campo e aos consumidores.




