Placa sobre desacato não melhora atendimento público, apenas pode intimidar o cidadão

Placa sobre desacato não melhora atendimento público, apenas pode intimidar o cidadão


A proposta do vereador Luiz Neto, que prevê a obrigatoriedade de placas informativas sobre o crime de desacato e normas de atendimento ao usuário nas repartições públicas, levanta uma discussão necessária. Afinal, o cidadão que procura o serviço público precisa de orientação, respeito e solução. No entanto, uma placa sobre desacato, isoladamente, não melhora o atendimento. Pelo contrário, pode funcionar como instrumento de intimidação contra quem já chega ao balcão cansado, mal informado ou mal atendido.

É evidente que nenhum servidor público deve sofrer agressão, ameaça ou humilhação. Além disso, o respeito precisa valer para todos os lados. Contudo, o poder público não pode tratar o cidadão como potencial infrator antes de tratá-lo como usuário de um serviço essencial. Portanto, a prioridade deveria ser outra.

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Atendimento público exige escuta, não intimidação

O problema central das repartições públicas raramente está na falta de aviso sobre desacato. Na prática, muitos conflitos começam por demora, desinformação, ausência de servidores preparados, respostas contraditórias e falta de canais eficientes para reclamação.

Por isso, seria mais útil obrigar cada repartição a divulgar, em local visível, o telefone da ouvidoria, o canal para reclamações, o endereço eletrônico para sugestões e o passo a passo para registrar queixas sobre atendimento inadequado. Assim, o cidadão saberia onde buscar solução sem transformar o balcão em espaço de tensão.

Além disso, cada unidade pública deveria contar com pelo menos uma pessoa treinada para mediar conflitos. Esse servidor poderia orientar usuários, organizar demandas e evitar que pequenos problemas virem discussões. Essa, sim, deveria ser uma preocupação legislativa concreta.

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O cidadão precisa reclamar sem medo

Quando o Estado coloca em destaque apenas o crime de desacato, mas não informa como reclamar de mau atendimento, cria-se uma mensagem desequilibrada. De um lado, o servidor aparece protegido. De outro, o cidadão fica sem saber como denunciar falhas, abusos ou omissões.

Portanto, o projeto precisa ser debatido com cuidado. Maringá não deve criar repartições públicas onde o cidadão se sinta ameaçado por reclamar. Ao contrário, deve construir ambientes onde o usuário seja respeitado, ouvido e orientado.

O vereador Luiz Neto poderia aperfeiçoar a proposta. Em vez de apenas exigir placas sobre desacato, deveria incluir a obrigação de divulgar canais de ouvidoria, treinamento de servidores e mecanismos de mediação. Dessa forma, o projeto deixaria de parecer uma defesa preventiva contra o cidadão e passaria a contribuir, de fato, para melhorar o atendimento público.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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