Feira de intercâmbio atrai público de diversas idades e aposta em personalização

Feira de intercâmbio atrai público de diversas idades e aposta em personalização


Edição curitibana do evento movimenta o mercado com programas para todas as faixas etárias e busca por novos destinos

Quem compareceu à Feira do Intercâmbio de Curitiba encontrou um novo panorama entre as viagens educacionais, que reflete uma transformação no setor, provando que o mundo está disponível para todas as idades, perfis e bolsos. Longe de atrair apenas o público jovem tradicional, a movimentação nos estandes ficou dividida entre adolescentes em busca de cursos de férias ou de temporada e profissionais experientes dedicados a planejar a expansão de suas carreiras e vivências internacionais. Ao todo, mais de mil pessoas se inscreveram para participar do evento.

“O balanço final da feira deixa claro que o intercâmbio deixou de ser um produto de temporada para se tornar um projeto de vida para todas as idades”, afirma o organizador da feira, Alexandre Argenta. “A evolução demonstra que sempre haverá um tipo de intercâmbio ideal para cada momento da vida de uma pessoa”, completa.

Percebendo isso, as escolas internacionais estão se especializando e aliando o estudo de idiomas ao turismo e a experiências culturais, históricas e gastronômicas profundas. Há também opções importantes para quem quer estudar fora combinando o aprendizado acadêmico com a prática de esportes.

Essa diversificação reflete-se diretamente na escolha dos países. Além dos destinos tradicionais para estudar inglês, como Estados Unidos e Inglaterra, países como Irlanda, Austrália, África do Sul e Malta surgem como opções atraentes. A Coreia do Sul também desponta como fenômeno de procura. Essa busca por novas fronteiras é impulsionada tanto por fatores econômicos como geopolíticos.

Modalidades

Ainda que o maior volume seja de viagens de intercâmbio de High School ou Au pair, muita gente foi atrás do formato Study & Work (Estudo e Trabalho), em que os participantes garantem o direito de trabalhar legalmente fora do país para custear a estadia. Os países mais buscados por intercambistas interessados em trabalhar com visto de estudante foram Austrália e Irlanda, além dos programas de trabalho para universitários nos EUA durante o período de férias na faculdade. Os Programas Executivos também atraíram profissionais em busca de networking global por meio de cursos de curta duração em universidades de prestígio, enquanto o modelo de Idioma com Atividade — como estudar culinária na Itália ou arte na França — conquistou quem busca aliar estudo a um hobby.

Uma das principais novidades foi o foco de algumas das empresas nos Intercâmbios para 30+ e 50+, mostrando que esse público está ressignificando o conceito de viajar. Capitalizados e ansiosos por vivências culturais exclusivas e confortáveis ao lado de pessoas da mesma faixa etária, eles buscam programas especiais.

“Esse público não quer apenas sentar em uma sala de aula de gramática tradicional. Eles buscam uma imersão que converse com sua bagagem de vida”, explica Argenta. Segundo Viviane Massaro, da EC English, empresa que oferece este tipo de intercâmbio, os pacotes específicos para os segmentos 30+ e 50+ unem o idioma a roteiros de vinhos, história e hotelaria de alto padrão. Da mesma forma, os programas de Voluntariado Internacional (focados em causas sociais e ambientais) e os Programas para Famílias (em que pais e filhos estudam juntos no mesmo campus) mostraram que o mercado agora é ditado pela total personalização.

Mercado

Dados recentes do setor reforçam essa tendência. Levantamento da Belta (Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio) aponta que 74% das agências registraram aumento na procura por programas internacionais em 2024. Atualmente, mais de 110 mil brasileiros estão estudando no exterior, número que indica um crescimento sustentável no interesse por formação global.

A graduação internacional tem ganhado protagonismo: cerca de 36% dos brasileiros que buscam estudar fora optam por cursos de graduação, com um crescimento de aproximadamente 50% nesse segmento nos últimos anos. Outro destaque é o perfil do público: as mulheres lideram esse movimento, representando cerca de 65% dos estudantes que planejam estudar no exterior.

Entre os destinos mais procurados pelos brasileiros, o cenário segue consolidado, mas com uma diversificação cada vez mais estratégica. O Canadá continua liderando a preferência, especialmente pela possibilidade de conciliar estudo e trabalho. Os Estados Unidos mantêm sua posição de destaque pela excelência acadêmica, ampla oferta de universidades e oportunidades de bolsas de estudo.

Portugal segue atraindo estudantes pela facilidade do idioma e pela proximidade cultural, enquanto a Irlanda permanece forte na demanda por cursos de inglês com permissão de trabalho. Já países como Austrália e Nova Zelândia também ampliam sua presença entre os destinos desejados, com destaque para o crescimento recente da Nova Zelândia nas preferências dos estudantes brasileiros.

Já o Reino Unido vem ganhando destaque especialmente nos programas de pós-graduação e MBA. Dados da Pesquisa Selo Belta 2025 apontam o país na terceira posição entre os destinos preferidos dos estudantes brasileiros. Reconhecido mundialmente pela excelência acadêmica, o Reino Unido abriga algumas das universidades mais prestigiadas do mundo e um sistema educacional valorizado internacionalmente pela qualidade, inovação e forte conexão com o mercado de trabalho.

Outro diferencial importante é a possibilidade de permanência no país após a conclusão do curso por meio do Graduate Route Visa, que permite ao estudante trabalhar no Reino Unido por até 18 meses após a formação. Além disso, os cursos britânicos costumam ter duração mais curta em comparação a outros destinos, reduzindo custos e acelerando a inserção profissional internacional.

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Redação

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