Vice de Flávio Bolsonaro estreia na chapa sob suspeita de estupro de vulnerável e irregularidades em R$ 6 milhões de emendas

Vice de Flávio Bolsonaro estreia na chapa sob suspeita de estupro de vulnerável e irregularidades em R$ 6 milhões de emendas


Alfredo Gaspar nega acusação envolvendo adolescente e afirma que recursos enviados a município de Alagoas seguiram as normas legais

O anúncio do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levou ao centro da campanha dois procedimentos que envolvem o parlamentar. Um deles tramita sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF). O outro apura a destinação de R$ 6 milhões em emendas parlamentares ao município de São José da Laje, em Alagoas.

Flávio Bolsonaro apresentou Gaspar nesta quarta-feira, 5 de agosto, durante uma entrevista coletiva em Brasília. A escolha formou uma chapa composta apenas por integrantes do Partido Liberal. O anúncio ocorreu após o partido não conseguir fechar uma aliança com outras legendas para a indicação do candidato a vice-presidente.

Gaspar nega qualquer irregularidade nos dois casos.



STF ainda decidirá se autoriza investigação

O procedimento relacionado à acusação de estupro de vulnerável ainda está em fase preliminar. A Polícia Federal pediu ao STF autorização para abrir uma investigação, mas a Corte não havia decidido sobre o pedido até esta quinta-feira, 6 de agosto.

O caso tramita sob sigilo e tem como relator o ministro Gilmar Mendes. A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a realização de diligências preliminares antes de uma decisão sobre a abertura de inquérito.

A apuração preliminar surgiu depois de acusações apresentadas pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke. Os parlamentares apontaram a existência de documentos e gravações sobre uma suposta relação de Gaspar com uma adolescente.

As alegações também citam uma gravidez e supostas tentativas de pagamento para que familiares não divulgassem o caso. Até o momento, essas afirmações não foram confirmadas judicialmente.

Gaspar nega a acusação. O deputado afirma que a história apresentada pelos parlamentares envolveria um primo e que não houve crime. Também declarou que realizou um exame de DNA e que o resultado comprovaria que a acusação contra ele é falsa.

O candidato a vice-presidente disse que se tornou alvo de perseguição política por causa de sua atuação na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do Instituto Nacional do Seguro Social, a CPMI do INSS.

Gaspar também apresentou uma queixa-crime no STF contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke. Ele acusa os dois parlamentares de calúnia.

A campanha de Flávio Bolsonaro defendeu o arquivamento do procedimento e classificou as acusações como uma iniciativa de parlamentares ligados ao governo federal.

Auditoria analisa R$ 6 milhões enviados a município de Alagoas

Alfredo Gaspar também aparece em uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre R$ 6 milhões em emendas parlamentares destinadas a São José da Laje, município localizado na Zona da Mata de Alagoas.

Os recursos foram transferidos por meio das chamadas emendas Pix. Essa modalidade permite o envio direto do dinheiro da União aos estados e municípios, sem a necessidade de indicação prévia de um projeto ou convênio específico.

A auditoria analisa a aplicação dos valores e possíveis falhas na destinação dos recursos. A existência do procedimento não significa que o TCU tenha responsabilizado o parlamentar ou concluído que houve desvio.

Quando a apuração se tornou pública, Gaspar afirmou que as transferências atenderam a uma solicitação do ex-prefeito de São José da Laje, Rodrigo Valença. O deputado declarou que atuou “dentro da legalidade e das normas vigentes”.

Abriu mão

Escolha ocorreu após dificuldades para ampliar alianças

Flávio Bolsonaro tentou atrair partidos de centro e de direita para a chapa presidencial. Uma das alternativas discutidas envolvia a senadora Tereza Cristina, mas o Progressistas decidiu manter neutralidade na disputa nacional.

A ausência de acordo levou o PL a escolher um integrante do próprio partido. Gaspar deixou o União Brasil e ingressou no PL em março de 2026. Ex-promotor de Justiça e ex-secretário de Segurança Pública de Alagoas, ele exerce o primeiro mandato como deputado federal.

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A escolha também permite que a campanha apresente um nome do Nordeste e ligado às áreas de segurança pública e combate à corrupção. Gaspar ganhou projeção nacional como relator da CPMI do INSS.

O STF ainda precisa decidir se autoriza a abertura da investigação pedida pela Polícia Federal. No TCU, a auditoria sobre os R$ 6 milhões em emendas permanece em andamento.

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Redação O Diário de Maringá

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