Ratos, morcegos e instrumentais sujos: médica relata bastidores de hospital do Paraná

Ratos, morcegos e instrumentais sujos: médica relata bastidores de hospital do Paraná


A Dra. Louise Lima afirma que levou um relatório ao Ministério Público e diz que acabou afastada após as denúncias. Médica também questiona contratos, gestão hospitalar e cobra proteção para servidores que comunicam possíveis irregularidades

A médica ortopedista Louise Lima, que afirma ter trabalhado durante 12 anos no Hospital Regional do Litoral, divulgou um vídeo no qual faz uma série de denúncias sobre situações que teriam ocorrido na unidade. Entre os problemas citados por ela estão instrumentais cirúrgicos enferrujados ou sujos, insetos no campo cirúrgico, ratos no espaço destinado aos médicos e morcegos sobrevoando o pronto-socorro.

Louise também afirma que encaminhou ao Ministério Público um relatório sobre o que teria identificado no hospital. Segundo a médica, depois disso descobriram que ela havia feito as denúncias e a afastaram.

“Eu fiz um relatório bastante expressivo ao Ministério Público. Denunciei, fui descoberta e afastada”, afirma.



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As declarações partem da própria médica. Por isso, O Diário de Maringá as apresenta como denúncias e relatos que precisam de apuração e manifestação dos responsáveis pela unidade e pela gestão.

Médica cita problemas no centro cirúrgico

No vídeo, Louise começa lembrando algumas das situações que atribui ao período em que trabalhou no Hospital Regional do Litoral.

“Aquele dos instrumentais cirúrgicos enferrujados ou sujos, dos insetos pousando no campo cirúrgico”, declara.

Além disso, ela questiona a atuação de um anestesista que, segundo sua versão, teria sido contratado sem registro de qualificação de especialidade.

A médica também faz outra acusação grave. Conforme seu relato, o hospital teria descartado biópsias por uma questão de economia.

Louise não apresenta, no trecho do vídeo encaminhado ao jornal, documentos que permitam confirmar individualmente essas afirmações. Assim, a reportagem mantém os episódios atribuídos à médica.

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Ratos e morcegos também aparecem no relato

Na sequência, Louise cita problemas relacionados à presença de animais dentro da estrutura hospitalar.

Segundo ela, pessoas filmaram ratos no espaço destinado aos médicos. A ortopedista também afirma que morcegos chegaram a sobrevoar o pronto-socorro.

Outro ponto mencionado envolve lixo a céu aberto.

As situações, caso confirmadas, exigem esclarecimentos sobre quando ocorreram, quais providências a administração adotou e se os órgãos responsáveis receberam comunicações formais na época.

Médica relata problemas no necrotério

Louise também direciona parte das denúncias ao funcionamento do necrotério.

No vídeo, ela afirma que ocorreram problemas envolvendo corpos mantidos no local. Em um dos casos relatados, segundo a médica, um corpo teria permanecido no necrotério por três dias.

Ela diz ainda que a família precisou realizar o funeral com o caixão fechado devido às condições em que o corpo se encontrava.

Novamente, trata-se de uma afirmação feita por Louise no vídeo. A reportagem não dispõe, até o momento, de documentação independente que permita confirmar as circunstâncias desse episódio.

Louise questiona contratações da Funeas

As críticas não se limitam à estrutura do hospital. Louise também questiona contratações relacionadas à Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Paraná (Funeas).

A médica afirma que uma pesquisa sobre o histórico judicial de pessoas que teriam ocupado cargos comissionados na instituição mostraria casos envolvendo acusações de corrupção, desvio de dinheiro e até assalto a banco.

Em seguida, questiona:

“Por que uma administração contrata um número tão expressivo de pessoas com esse histórico estranho?”

Nesse ponto, é necessário fazer uma distinção. A existência de processos ou acusações não representa, por si só, uma condenação. Cada situação depende da análise do processo, da fase em que ele se encontra e de eventual decisão da Justiça.

“Denunciei, fui descoberta e afastada”

Um dos principais pontos da declaração envolve a reação que Louise afirma ter enfrentado depois de procurar o Ministério Público.

“Eu fiz um relatório bastante expressivo ao Ministério Público. Denunciei, fui descoberta e afastada.”

Na sequência, a médica afirma:

“Não porque estava errada, mas porque estava certa no lugar errado.”

Louise atribui o afastamento às denúncias que apresentou. No entanto, o vídeo, isoladamente, não permite estabelecer a motivação administrativa para a medida. Esse ponto também depende da manifestação dos responsáveis e da análise dos documentos relacionados ao caso.

“Quem aponta o problema vira o problema”

Ao final, Louise amplia as críticas e defende mudanças na administração de hospitais públicos.

A médica pede “moralização de contratos públicos hospitalares”, maior transparência na gestão e mecanismos de proteção aos servidores que denunciam possíveis irregularidades.

“Porque hoje quem aponta o problema vira o problema”, afirma.

Em outro momento, Louise usa uma expressão ainda mais contundente ao acusar a existência de “um sistema que protege a máfia e não o paciente”.

A expressão representa uma acusação da médica e não uma conclusão desta reportagem. Cabe aos órgãos competentes apurar os fatos relatados e determinar se houve irregularidades administrativas ou eventual prática criminosa.

Veja o vídeo

As denúncias ganham relevância também pelo período que Louise afirma ter permanecido dentro do Hospital Regional do Litoral: 12 anos.

No vídeo, ela reúne relatos sobre o centro cirúrgico, pronto-socorro, necrotério, estrutura física, contratações e administração hospitalar. Além disso, afirma que procurou o Ministério Público e relaciona seu posterior afastamento às denúncias.

Veja o vídeo e acompanhe as declarações da médica Louise Lima na íntegra.

O O Diário de Maringá deixa espaço aberto para manifestação da Funeas, da direção do Hospital Regional do Litoral e dos demais citados nas declarações da médica. Caso haja resposta, ela deverá ser incorporada à reportagem.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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