Banheiros fechados, vazamento e possível carrapato: esse é o Paraná da saúde que funciona?
Imagens encaminhadas ao O Diário de Maringá mostram problemas na estrutura da unidade. A advogada Regina Perrota exige providências. Prefeitura ainda não se manifestou. Caso também levanta dúvidas sobre fiscalização, controle de pragas e transferência de pacientes para hospitais.
O Diário de Maringá recebeu vídeos gravados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 horas de Paranavaí. As imagens mostram banheiros fechados, vazamento e o que aparenta ser um carrapato sobre um leito destinado a pacientes.
Moradores que procuraram o jornal demonstraram revolta. Além disso, os registros levantam dúvidas sobre manutenção, higienização e controle de pragas na unidade.
A reportagem não possui laudo técnico que confirme que o animal seja um carrapato. Da mesma forma, não existem elementos que permitam afirmar que há infestação na UPA.
Ainda assim, as imagens exigem esclarecimentos. A administração precisa informar como realiza a limpeza, a desinfecção, a dedetização e o controle de vetores no local.
Se for carrapato, existe risco à saúde?
Caso uma análise técnica confirme que o animal é um carrapato, a situação merece atenção sanitária.
Segundo o Ministério da Saúde, carrapatos infectados podem transmitir bactérias do gênero Rickettsia. Elas causam a febre maculosa, doença infecciosa que pode evoluir para formas graves.
A transmissão acontece por meio da picada de um carrapato infectado.
No entanto, nem todo carrapato transmite a doença. O animal precisa estar infectado pela bactéria para que exista possibilidade de transmissão.
Portanto, o vídeo não permite afirmar que algum paciente tenha sofrido exposição à febre maculosa ou a outra doença.
Mesmo assim, encontrar um possível carrapato sobre um leito exige explicações. Afinal, trata-se de um ambiente destinado ao atendimento de pessoas que já procuram assistência médica.
Banheiros fechados e vazamento aparecem nos vídeos
Os vídeos também mostram banheiros fechados e vazamento dentro da UPA.
Até agora, a reportagem não conseguiu esclarecer há quanto tempo os banheiros estão nessa situação. Também não recebeu informações sobre a origem do vazamento.
Outra questão envolve o controle de pragas.
Quando ocorreu a última dedetização da UPA? Qual empresa ou órgão executou o serviço? Existe um cronograma periódico? A administração identificou anteriormente carrapatos ou outros vetores no local?
Essas perguntas continuam sem resposta.
UPA deve manter paciente em observação por até 24 horas
A situação também chama atenção para outra questão: quanto tempo um paciente pode permanecer em uma UPA?
As Unidades de Pronto Atendimento não substituem hospitais destinados à internação prolongada.
Segundo as normas do Ministério da Saúde, a UPA pode manter o paciente em observação por até 24 horas para diagnóstico ou estabilização clínica.
Se o quadro exigir internação, a rede deve encaminhar o paciente para um serviço hospitalar de retaguarda por meio da regulação assistencial.
A UPA funciona como serviço intermediário entre a atenção básica e a rede hospitalar. Assim, atende urgências, estabiliza pacientes e encaminha para hospitais os casos que exigem internação.
Diante disso, surge outra pergunta: os pacientes da UPA de Paranavaí que precisam de internação conseguem vaga hospitalar dentro do fluxo previsto?
O Diário também quer saber quantos pacientes permaneceram na unidade por mais de 24 horas nos últimos meses. Se isso ocorreu, qual foi o motivo?
Há falta de leitos hospitalares?
Os vídeos mostram as condições encontradas na UPA no momento da gravação. Porém, eles não comprovam falta de leitos hospitalares em Paranavaí ou no Paraná.
Para fazer essa afirmação, são necessários dados oficiais.
Por isso, O Diário de Maringá busca informações sobre o fluxo de transferência dos pacientes.
Quantos pacientes aguardam vaga hospitalar? Quanto tempo, em média, demora uma transferência? Há pessoas permanecendo na UPA por mais de 24 horas enquanto esperam leitos? Para quais hospitais esses pacientes seguem?
Caso exista demora, as autoridades também precisam explicar a causa. O problema está na quantidade de leitos, na regulação, no aumento da demanda ou em outro ponto da rede?
A resposta ajudará a compreender uma questão maior.
Se pacientes permanecem além do previsto em uma UPA enquanto aguardam transferência, esse é o retrato atual da saúde pública no Paraná?
Somente os dados oficiais poderão responder.
Veja o vídeo da Upa aqui
Regina Perrota exige providências
A advogada Regina Perrota exige providências das autoridades após tomar conhecimento das imagens.
Ela cobra uma apuração das condições sanitárias da UPA. Também pede que os órgãos responsáveis adotem as medidas necessárias.
A presença do que aparenta ser um carrapato sobre um leito está entre os principais pontos da cobrança.
Com isso, aumenta a pressão por respostas sobre manutenção, limpeza, controle de pragas e fiscalização sanitária.
Vigilância Sanitária fiscalizou a UPA?
A fiscalização sanitária representa outro ponto que precisa de esclarecimento.
O Diário de Maringá quer saber quando a Vigilância Sanitária realizou a última inspeção na UPA. A reportagem também questiona o resultado dessa fiscalização.
O órgão encontrou irregularidades? Emitiu notificações ou recomendações? Determinou alguma correção? Existe registro sobre carrapatos ou outros vetores?
A UPA pertence à administração municipal. Entretanto, esse fato não permite concluir que a Vigilância Sanitária deixou de fiscalizar o local.
Por isso, a reportagem aguarda documentos e respostas oficiais antes de qualquer conclusão.
Moradores demonstram revolta
Moradores que enviaram os vídeos ao O Diário de Maringá demonstraram indignação.
A preocupação aumenta porque a UPA atende pessoas que procuram assistência médica de urgência.
Além dos problemas estruturais mostrados nas imagens, o possível carrapato sobre um leito ampliou a cobrança sobre higiene e controle de pragas.
Prefeitura de Paranavaí ainda não se manifestou
O Diário de Maringá procurou a Prefeitura de Paranavaí para obter esclarecimentos. Até a publicação desta reportagem, porém, não recebeu resposta.
A reportagem questionou a administração sobre a última dedetização e o controle de pragas. Também busca informações sobre os banheiros fechados, o vazamento e a fiscalização sanitária.
Além disso, O Diário quer saber se a Prefeitura identificou carrapatos na UPA e quais providências pretende adotar.
Outro questionamento envolve os pacientes. Quantos precisaram de transferência hospitalar? Qual é o tempo médio de espera? Há pacientes permanecendo mais de 24 horas na unidade por dificuldade para conseguir vaga?
E o deputado Adriano José, sabe o que está acontecendo?
E, por falar em carrapato, surge também uma cobrança política.
O deputado estadual Adriano José, que vive politicamente grudado no governador Ratinho Junior e no prefeito de Paranavaí, sabe o que está acontecendo dentro da UPA do município?
Adriano José integra a base de apoio do governo estadual e mantém proximidade política com a administração de Paranavaí. Por isso, diante das imagens que mostram banheiros fechados, vazamento e o que aparenta ser um carrapato em um leito, cabe perguntar qual é a posição do parlamentar.
A administração da UPA é responsabilidade do município. Portanto, não se pode atribuir ao deputado responsabilidade direta pelos problemas registrados na unidade.
Mas a proximidade política com o governador e com o prefeito torna legítima a cobrança.
Como deputado estadual da base governista, Adriano José pode cobrar informações, buscar providências e exigir respostas sobre a situação da unidade. Também pode questionar o Governo do Paraná sobre leitos hospitalares e regulação de pacientes.
O Diário de Maringá pergunta: Adriano José sabe o que está acontecendo na UPA de Paranavaí? Já procurou o prefeito ou o Governo do Estado para pedir explicações? Vai cobrar providências?
O espaço permanece aberto para manifestação do deputado.
Também seguem abertos os espaços para a Prefeitura de Paranavaí, a Secretaria Municipal de Saúde e os demais órgãos citados.
Enquanto isso, continuam sem resposta perguntas objetivas: quando ocorreu a última dedetização? Por que existem banheiros fechados? Qual é a origem do vazamento? O animal registrado no leito é realmente um carrapato? Existem pacientes aguardando transferência por mais de 24 horas?
São questões que as autoridades precisam esclarecer.



