Mais de R$ 118 milhões sob questionamento: gastos do Turismo na gestão Ratinho Junior chegam ao TCE, MP e Justiça

Mais de R$ 118 milhões sob questionamento: gastos do Turismo na gestão Ratinho Junior chegam ao TCE, MP e Justiça


Documentos apresentados à Justiça, ao Tribunal de Contas e ao Ministério Público questionam 364 contratações diretas da Secretaria de Estado do Turismo e repasses ao Viaje Paraná. Gastos cresceram em 2026, ano eleitoral.

A gestão do governador Carlos Massa Ratinho Junior enfrenta questionamentos formais sobre mais de R$ 118 milhões ligados à promoção do turismo no Paraná. O caso envolve principalmente a Secretaria de Estado do Turismo do Paraná (SETU) e o Viaje Paraná.

O advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande levou os questionamentos a três frentes. Ele ajuizou uma ação popular na Justiça Estadual. Também apresentou denúncia ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) e notícia de fato ao Ministério Público do Paraná (MPPR).

Os procedimentos questionam contratos, repasses, critérios de escolha, preços e transparência.



No entanto, os documentos não comprovam, por si só, qualquer irregularidade. Eles apresentam alegações e pedidos de investigação. Portanto, caberá à Justiça e aos órgãos de controle analisar os fatos e as justificativas dos envolvidos.

Secretaria de Turismo fez 364 contratações diretas

Um dos principais pontos envolve 364 contratações diretas da SETU. A secretaria usou inexigibilidade de licitação para contratar espaços, estandes, mobiliário e estruturas semelhantes em eventos.

Segundo os documentos, essas contratações alcançaram R$ 56,2 milhões. Os dados têm como base registros do Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).

Em 2025, a SETU realizou 89 contratações, que somaram R$ 9,49 milhões.

Já em 2026, até 11 de agosto, o número chegou a 275 contratações. O valor atingiu R$ 46,71 milhões. Assim, o volume financeiro registrado em 2026 ficou quase cinco vezes acima do total de 2025.

O crescimento ocorre justamente em ano eleitoral.

R$ 24,2 milhões foram contratados em maio e junho

A concentração das despesas também chamou a atenção do autor da ação.

Segundo a documentação, a Secretaria de Turismo contratou R$ 24,2 milhões em estandes somente durante maio e junho de 2026.

O atual secretário de Estado do Turismo, Luciano Ferreira Bartolomeu, assumiu a pasta em 30 de abril de 2026.

A ação também cita os ex-secretários Márcio Fernando Nunes e Leonaldo Paranhos da Silva. O documento separa os períodos de cada gestor e relaciona os atos que pretende discutir judicialmente.

Márcio Nunes comandou a pasta de 2023 até o fim de março de 2025. Segundo a ação, ele assinou, em 16 de janeiro de 2025, o segundo termo aditivo do Contrato de Gestão nº 001/2023.

Esse aditivo elevou os repasses previstos para 2025 de R$ 4,17 milhões para R$ 36 milhões, conforme aponta a petição.

Depois, Leonaldo Paranhos assumiu a secretaria. O documento relaciona sua gestão ao início da série de contratos diretos de estandes e às 89 contratações de 2025.

Isso não significa que os secretários cometeram irregularidades. A ação pede que as autoridades analisem a participação de cada gestor.

351 contratos têm valores em múltiplos de R$ 5 mil

Outro dado aparece com destaque nos documentos.

Das 364 contratações analisadas, 351 apresentam valores em múltiplos exatos de R$ 5.000,00. Esse grupo representa 96,4% do total.

Por isso, o denunciante quer saber como a SETU formou esses preços.

A denúncia também cobra critérios objetivos para selecionar os eventos. Além disso, questiona quais contrapartidas o Estado exigiu e como avaliou a compatibilidade dos preços com o mercado.

O TCE recebeu pedido para analisar especificamente essa concentração de valores.

29 contratos foram assinados após 4 de julho

O calendário eleitoral acrescentou outro ponto ao caso.

Segundo os documentos, a SETU assinou 29 contratações a partir de 4 de julho de 2026. Juntas, elas somam R$ 5,57 milhões.

O denunciante pede que o TCE examine esses contratos à luz do artigo 73 da Lei nº 9.504/1997.

Além disso, ele solicita a análise do limite legal relacionado às despesas com publicidade institucional durante o período eleitoral.

A notícia de fato apresentada ao Ministério Público também aborda o assunto. Nesse caso, o advogado pede articulação com o Ministério Público Eleitoral.

Até o momento, os documentos analisados não demonstram decisão que reconheça irregularidade eleitoral nesses contratos.

Viaje Paraná entra no centro dos questionamentos

Outra frente envolve o Viaje Paraná, serviço social autônomo ligado à política estadual de turismo.

A SETU celebrou com a entidade o Contrato de Gestão nº 001/2023. Posteriormente, as partes firmaram sete termos aditivos.

Segundo os documentos, os repasses autorizados entre 2024 e 2026 chegam a aproximadamente R$ 62,2 milhões.

A documentação, porém, diferencia valor autorizado de dinheiro efetivamente pago.

Por esse motivo, o denunciante pede a confirmação dos valores empenhados, liquidados e pagos.

Essa diferença é importante. Portanto, não é possível afirmar apenas com os documentos analisados que todo o montante de R$ 62,2 milhões já saiu dos cofres públicos.

R$ 1,7 milhão para Miss Universe Brasil 2026

Entre os contratos apresentados como exemplos aparece a “Cota Platinum” do Miss Universe Brasil 2026.

Segundo a documentação, o Viaje Paraná contratou a cota por meio da Inexigibilidade nº 04/2026, com a RFCG Participações S.A.

Valor: R$ 1.700.000,00.

O documento também cita outros eventos.

O 34º Festival de Curitiba aparece com R$ 500.000,00. O IRONMAN 70.3 também aparece com R$ 500.000,00.

Além disso, consta um contrato de R$ 80.000,00 com a Mitra Diocesana de Guarapuava. A documentação ainda menciona congressos religiosos, festas de padroeira e contratos relacionados à Federação Paranaense de Tênis.

No caso do Miss Universe Brasil 2026, o denunciante pede uma análise específica. Ele quer que o TCE verifique finalidade pública, economicidade, critérios e contrapartidas relacionadas aos R$ 1,7 milhão.

Denúncia questiona falta de critérios públicos

A forma de escolha dos eventos ocupa uma parte importante dos documentos.

O autor sustenta que não encontrou publicação consolidada dos critérios usados para selecionar beneficiários. Também questiona como os responsáveis definiram valores e contrapartidas.

A petição aponta ainda ausência de publicação consolidada das atas e pareceres da comissão interna. Também menciona processos de seleção, critérios de precificação, comprovantes de execução e prestações de contas.

Mais uma vez, trata-se da alegação apresentada pelo denunciante.

Agora, os órgãos responsáveis poderão requisitar a documentação e verificar se esses elementos existem e se atendem às exigências legais.

Contratos mencionam “divulgação institucional”

Os documentos levantam ainda uma discussão sobre a natureza de parte das contratações.

O denunciante afirma que alguns objetos mencionam expressamente “publicidade” ou “divulgação institucional”.

A discussão jurídica envolve o uso da inexigibilidade prevista no artigo 74 da Lei nº 14.133/2021. Segundo a tese apresentada, a legislação impede essa modalidade em determinadas contratações de publicidade e divulgação.

O autor argumenta que a exclusividade de um organizador sobre determinado evento não torna automaticamente exclusiva a finalidade de divulgação pretendida pelo Estado.

Essa interpretação ainda depende da análise das autoridades competentes.

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Publicidade, estandes e patrocínios

A denúncia apresentada ao Tribunal de Contas amplia o questionamento.

O documento informa que a SETU também mantém contratos de publicidade por meio da Concorrência Pública nº 001/2023, da Secretaria de Estado da Comunicação do Paraná (Secom).

As agências citadas são Trade Comunicação e Heads Propaganda.

Segundo a denúncia, a despesa estimada alcançou R$ 25 milhões nos primeiros 12 meses.

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Dessa maneira, o autor aponta três caminhos simultâneos de gastos relacionados à visibilidade: publicidade por agências, contratação de estandes pela SETU e patrocínios por meio do Viaje Paraná.

A existência dessas modalidades não caracteriza irregularidade automaticamente. Entretanto, o denunciante pede análise sobre eventual sobreposição, critérios, economicidade e transparência.

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Mais de R$ 118 milhões entram no debate

Somados, os dois principais grupos analisados ultrapassam R$ 118 milhões.

De um lado aparecem R$ 56,2 milhões nas 364 contratações diretas da SETU.

Do outro estão aproximadamente R$ 62,2 milhões em repasses autorizados ao Viaje Paraná.

A própria ação afirma que pretende discutir a aplicação de mais de R$ 118 milhões em contratações e patrocínios. Contudo, eventual anulação ou ressarcimento dependerá da comprovação de vícios e de dano efetivo.

Portanto, o valor representa o universo financeiro colocado sob questionamento pelo autor. Não representa, neste momento, prejuízo comprovado aos cofres públicos.

TCE recebe denúncia e pedido de cautelar

O caso chegou formalmente ao Tribunal de Contas.

A denúncia pede uma série de providências. Entre elas está a preservação dos processos administrativos e arquivos eletrônicos da SETU e do Viaje Paraná.

O pedido inclui atas, pareceres, planos de trabalho e prestações de contas. Também alcança comprovantes de execução, metadados e trilhas de auditoria.

Além disso, o denunciante pede uma medida mais dura caso os critérios não apareçam.

Ele solicita a suspensão cautelar de novos contratos de estandes e novos patrocínios até a apresentação de critérios objetivos de seleção, preços e contrapartidas.

A medida solicitada não alcançaria contratos já celebrados, obrigações em andamento ou eventos realizados.

Ação popular tramita na Justiça

O advogado também ingressou com uma ação popular.

O processo nº 0002972-59.2026.8.16.0179 teve petição inicial juntada em 14 de agosto de 2026.

A ação envolve o Estado do Paraná, secretários e ex-secretários de Turismo, além do Viaje Paraná e de seu diretor-presidente.

Um ponto precisa ficar claro.

Ratinho Junior não aparece, nos trechos dos documentos analisados, como réu pessoalmente na ação popular.

Os fatos ocorreram durante sua gestão e envolvem estruturas do Governo do Paraná. Porém, eventual responsabilidade pessoal precisa considerar quem autorizou, executou, fiscalizou ou deixou de cumprir determinada obrigação.

A própria ação divide a cadeia administrativa entre os diferentes gestores da Secretaria de Turismo.

Ministério Público também recebe o caso

O advogado também apresentou uma Notícia de Fato com Pedido de Providências Urgentes.

O documento relata possíveis lesões ao patrimônio público e aos princípios da administração. O foco recai sobre as contratações diretas da SETU e os patrocínios do Viaje Paraná.

Entre as providências, o autor pede acesso aos 364 processos de contratação direta.

Ele também solicita documentos relacionados ao Contrato de Gestão nº 001/2023, aos aditivos e às prestações de contas.

O que o Governo do Paraná precisa explicar

Os documentos colocam uma série de perguntas sobre a mesa.

Quais critérios levaram a SETU a escolher determinados eventos? Como a secretaria calculou os valores dos estandes? Por que 351 das 364 contratações aparecem em múltiplos exatos de R$ 5 mil?

Também falta esclarecer quanto dos R$ 62,2 milhões autorizados ao Viaje Paraná efetivamente chegou à entidade. Da mesma forma, os órgãos de controle poderão analisar como o Viaje Paraná selecionou seus patrocínios.

Outro ponto envolve as 29 contratações assinadas a partir de 4 de julho de 2026, no valor total de R$ 5,57 milhões.

TV Diário
Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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