Ana Lúcia envia defesa aos vereadores e nega irregularidades no gabinete
Vereadora nega “rachadinha”, assédio moral, uso irregular do gabinete e proposta para ex-assessor receber sem trabalhar
A vereadora Professora Ana Lúcia Rodrigues enviou aos vereadores da Câmara Municipal de Maringá um memorial sobre sua defesa no Processo Disciplinar SEI nº 26.0.000005821-0.
No documento, a parlamentar contesta as acusações apresentadas por um ex-assessor. Além disso, pede que os vereadores analisem os depoimentos, a perícia e os documentos reunidos pela Comissão Processante.
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O memorial apresenta a versão de Ana Lúcia sobre os fatos. Portanto, os vereadores ainda deverão avaliar a denúncia, a defesa e as demais provas antes da decisão sobre o mandato.
Defesa questiona integridade dos áudios
Segundo Ana Lúcia, a Comissão Processante ouviu dez testemunhas. Entre elas estão assessores, ex-assessores, servidores da Câmara, o vereador Ítalo Maroneze e uma contadora do Partido Democrático Trabalhista do Paraná.
A vereadora também cita uma perícia realizada nos áudios apresentados pelo denunciante. Conforme o memorial, o laudo apontou quebra da cadeia de custódia.
De acordo com a defesa, o denunciante não entregou o aparelho usado originalmente nas gravações. Em vez disso, encaminhou o material por links de armazenamento em nuvem e por e-mail.
O memorial afirma ainda que a perícia identificou alterações na estrutura dos arquivos e divergências nas extensões internas. Contudo, caberá aos integrantes da Câmara definir o peso dessas informações no julgamento político-administrativo.
Ana Lúcia nega existência de “rachadinha”
Ana Lúcia afirma que o denunciante não relatou retenção de salários nem repasse de dinheiro para benefício pessoal da parlamentar.
Segundo a defesa, três transferências de R$ 184,13 seguiram diretamente para uma conta da Caixa Econômica Federal vinculada ao CNPJ do PDT de Maringá. Os pagamentos, conforme o memorial, correspondiam a contribuições partidárias.
Além disso, a vereadora cita o depoimento da tesoureira do PDT. Segundo o documento, ela declarou que o partido usava os recursos para pagar despesas da sede, como aluguel, água, energia elétrica e contabilidade.
A tesoureira também teria negado qualquer repasse para Ana Lúcia. Ainda segundo a defesa, alguns assessores não pagavam a contribuição e permaneciam normalmente nos cargos.
Como exemplo, o memorial apresenta o depoimento do assessor Anderson Miahara. Ele teria declarado que ficou quatro meses sem pagar e, mesmo assim, continuou trabalhando no gabinete.
Dessa forma, Ana Lúcia sustenta que não recebeu dinheiro de assessores em sua conta pessoal nem obteve qualquer benefício particular.
Vereadora rebate acusação de assédio moral
A parlamentar também nega a acusação de assédio moral. Segundo ela, as cobranças feitas no gabinete envolviam horários, metas, assiduidade e atribuições profissionais.
Para sustentar essa versão, a defesa cita depoimentos de integrantes e ex-integrantes da equipe. Carla Andraus e Anderson Miahara teriam afirmado que nunca presenciaram assédio moral.
Além disso, Celso Lorin e Juliana Daibert teriam descrito o ambiente como respeitoso. Já o chefe de gabinete Gustavo Schuindt atribuiu os conflitos à relação profissional do denunciante com a equipe, conforme relata o memorial.
No entanto, esses depoimentos integram a tese apresentada pela vereadora. A Câmara também deverá considerar o relato do denunciante e os outros elementos incorporados ao processo.
Defesa nega serviços particulares
Outro ponto da denúncia envolve o suposto uso de servidores em atividades sem relação com o mandato.
Ana Lúcia afirma que nunca solicitou serviços pessoais ou privados aos assessores. De acordo com o memorial, as testemunhas declararam que as tarefas estavam ligadas ao trabalho parlamentar e à comunicação do gabinete.
A defesa menciona, por exemplo, a cobertura de um Encontro Regional do PDT. Para Ana Lúcia, a atividade fazia parte de sua atuação político-institucional como vereadora e dirigente partidária.
Ainda assim, os vereadores deverão avaliar se as atividades citadas estavam dentro das atribuições dos servidores públicos.
Ana Lúcia explica conversa sobre permanência de ex-assessor
O memorial também apresenta a versão da vereadora sobre uma suposta proposta para que o ex-assessor permanecesse no cargo sem trabalhar.
Segundo Ana Lúcia, durante uma reunião realizada em 4 de maio de 2026, o servidor relatou dificuldades financeiras diante da possibilidade de exoneração. Por isso, houve uma conversa sobre sua permanência até o fim daquele mês.
A vereadora afirma, porém, que o ex-assessor continuaria responsável por tarefas internas e pelo trabalho nas redes sociais. Ele apenas deixaria de acompanhá-la pessoalmente nas agendas.
Em seguida, o chefe de gabinete teria preparado uma lista escrita de atividades. Conforme o memorial, o ex-assessor amassou o documento, bateu na mesa e se recusou a cumprir as tarefas.
Diante disso, Ana Lúcia afirma que determinou a exoneração em 5 de maio de 2026, por meio da Portaria nº 227/2026.
A parlamentar sustenta, portanto, que a possibilidade discutida durante a reunião não se concretizou. Também afirma que não houve pagamento por período sem trabalho nem prejuízo aos cofres públicos.
Vereadora pede preservação do mandato
Ao final do memorial, Ana Lúcia pede que os vereadores rejeitem a cassação. Para ela, a perda de um mandato conquistado pelo voto popular exige provas consistentes.
“Absolver este mandato não é um favor a mim: é um ato de proteção, de justiça e em favor da dignidade do Poder Legislativo de Maringá”, afirma a vereadora no documento.
Agora, os integrantes da Câmara deverão considerar a denúncia, a defesa, os depoimentos, a perícia e os demais documentos do Processo Disciplinar SEI nº 26.0.000005821-0.



