Cada minuto perdido custa caro: por que Maringá precisa de um protocolo de emergência?

Cada minuto perdido custa caro: por que Maringá precisa de um protocolo de emergência?


A destruição provocada pelo temporal mostra a importância de organizar antecipadamente o poder público, as entidades e os voluntários. Com equipes distribuídas por regiões e funções definidas, a cidade pode responder mais rapidamente às emergências.

Por Gilmar Ferreira

O forte temporal que atingiu Maringá deixou uma lição que não pode ser ignorada: uma cidade não deve esperar a próxima catástrofe para decidir quem vai fazer o quê.

Maringá precisa criar um protocolo municipal de resposta a desastres climáticos, envolvendo a Prefeitura, a Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros, as forças de segurança, as entidades empresariais, as universidades, as igrejas, as associações de moradores e toda a sociedade organizada.



A proposta é simples. Antes de acontecer uma emergência, cada instituição e cada grupo de voluntários já deve saber qual será sua responsabilidade, onde deverá se apresentar e como poderá ajudar.

Não se trata de substituir os órgãos públicos nem de colocar voluntários em situações perigosas. Trata-se de organizar a solidariedade, aproveitar melhor os recursos disponíveis e evitar que centenas de pessoas dispostas a ajudar fiquem sem saber o que fazer.

Cada região de Maringá poderia ter sua própria equipe de apoio

Imagine Maringá dividida em regiões, cada uma com grupos de apoio previamente cadastrados e preparados para atuar em situações de emergência.

Em cada região, haveria responsáveis pela comunicação com a Defesa Civil, pela organização dos voluntários, pelo recebimento de doações e pelo levantamento das necessidades mais urgentes.

Também poderiam existir equipes para ajudar na limpeza de espaços seguros, apoiar famílias desalojadas, distribuir água e alimentos e orientar moradores.

Quem tem caminhão poderia se cadastrar para transportar materiais. Quem possui equipamentos poderia informar quais recursos consegue disponibilizar. Profissionais de saúde poderiam integrar equipes de atendimento, conforme as orientações dos órgãos responsáveis.

Já os eletricistas, operadores de máquinas e outros profissionais especializados poderiam ser previamente identificados para eventual convocação, sempre respeitando as exigências técnicas e de segurança.

A sinalização de cruzamentos perigosos e a organização do trânsito ficariam sob coordenação dos órgãos competentes, com apoio de pessoas capacitadas quando autorizado.

O mais importante é que ninguém precisaria começar do zero quando a emergência acontecesse.

O voluntário precisa saber onde ir e o que fazer

Um dos maiores problemas em situações de calamidade é a falta de organização dos esforços.

Muitas pessoas querem ajudar, mas não sabem onde se apresentar. Outras acabam indo para locais onde já existem equipes suficientes, enquanto regiões mais afastadas continuam precisando de apoio.

Um protocolo bem elaborado resolveria boa parte dessa dificuldade.

A Prefeitura poderia manter um cadastro permanente de voluntários, identificando suas habilidades, profissões, disponibilidade e região de residência.

Quando ocorresse uma emergência, essas pessoas receberiam orientações por canais oficiais, como mensagens de celular, aplicativos e grupos de comunicação previamente organizados.

Assim, um motorista saberia se existe necessidade de transporte. Um profissional de saúde saberia onde sua atuação é necessária. Uma pessoa sem formação específica também poderia contribuir na separação de alimentos, na organização de donativos ou no atendimento às famílias.

Tudo isso com coordenação, identificação dos responsáveis e respeito às condições de segurança.

A solidariedade precisa de organização

Maringá tem uma sociedade participativa, com empresários, trabalhadores, entidades, instituições religiosas e moradores dispostos a colaborar.

Mas a boa vontade, sozinha, não resolve todos os problemas.

É necessário transformar essa disposição em uma rede permanente de apoio, com responsabilidades definidas e comunicação direta com o poder público.

As entidades empresariais poderiam ajudar a mobilizar empresas, veículos, equipamentos e estruturas de apoio. As universidades poderiam contribuir com conhecimento técnico e voluntários capacitados. As associações de moradores poderiam identificar rapidamente as necessidades de cada bairro.

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As igrejas e organizações sociais poderiam apoiar o acolhimento de famílias e a distribuição organizada de donativos.

Cada instituição teria uma função previamente combinada, sem impedir que novas pessoas e organizações participassem quando necessário.

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Recursos financeiros são importantes, mas organização também salva tempo

Maringá possui capacidade de mobilização financeira e pode buscar apoio dos governos estadual e federal em situações de calamidade.

Além dos recursos municipais disponíveis, existem mecanismos de apoio financeiro e operacional que podem ser acionados conforme a situação e as exigências legais.

Entretanto, dinheiro, máquinas e equipamentos não produzem os resultados esperados quando falta uma estrutura eficiente para organizar sua utilização.

Por isso, a discussão não deve ficar restrita à quantidade de recursos disponíveis.

É preciso saber como utilizar esses recursos rapidamente, quais regiões precisam de atendimento prioritário e quem ficará responsável por cada operação.

Com um protocolo previamente definido, a administração municipal poderá concentrar esforços onde a necessidade for maior, evitando serviços duplicados e deslocamentos desnecessários.

Isso também facilita a atuação dos governos estadual e federal, que passam a encontrar uma estrutura local organizada para receber equipes, equipamentos e ajuda humanitária.

O protocolo precisa ser criado antes da próxima tragédia

A Prefeitura poderia reunir representantes da sociedade organizada para construir esse plano, sob coordenação dos órgãos municipais responsáveis pela proteção e defesa civil.

O documento deveria estabelecer responsabilidades, pontos de apoio por região, canais de comunicação, critérios para mobilização de voluntários e procedimentos para recebimento e distribuição de doações.

Também seria fundamental realizar treinamentos e simulações periódicas.

Afinal, não basta ter um documento guardado em uma gaveta. As pessoas precisam conhecer suas funções e estar preparadas para agir.

O protocolo também deve prever situações de falta de energia elétrica, interrupção da internet, bloqueio de ruas e dificuldades de comunicação.

E há uma regra indispensável: nenhuma equipe voluntária deve mexer em fios elétricos, árvores próximas à rede de energia ou estruturas com risco de desabamento. Essas atividades exigem profissionais habilitados e atuação dos órgãos competentes.

Maringá precisa transformar a experiência em prevenção

O temporal mostrou que a cidade pode enfrentar situações extremas e que a resposta exige muito mais do que ações isoladas.

O poder público tem suas responsabilidades, mas a sociedade também pode participar de maneira organizada, segura e eficiente.

Minha proposta é que Maringá construa um protocolo permanente, com participação efetiva das entidades, das instituições e dos moradores.

Não é necessário esperar outra calamidade para começar esse trabalho.

Uma cidade preparada sabe quem coordena, quem executa, quem apoia e como cada pessoa pode contribuir.

Quando cada voluntário sabe onde ir, cada equipe conhece sua responsabilidade e cada região possui uma estrutura de apoio, a resposta chega mais rápido a quem precisa.

Maringá já demonstrou que tem pessoas dispostas a ajudar. O próximo passo é organizar essa força antes que uma nova emergência aconteça.

Porque, diante de uma catástrofe, cada minuto conta. E organização também é uma forma de salvar vidas.

Por Gilmar Ferreira

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Redação O Diário de Maringá

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