“Não vamos descansar”: advogada da família cobra respostas sobre morte de Rosangela Coiado após cirurgia no Instituto Algarve
Ana Carolina Coiado, sobrinha da vítima, questiona as circunstâncias da parada cardiorrespiratória, relata dificuldades para conseguir uma vaga de UTI e aguarda o laudo do IML.
Por Gilmar Ferreira | O Diário de Maringá
A advogada Ana Carolina Coiado, sobrinha de Rosangela Coiado, de 61 anos, cobrou esclarecimentos sobre a morte da tia após uma cirurgia estética no Instituto Algarve, em Maringá. Em pronunciamento nesta terça-feira (3), ela afirmou que a família busca respostas, mas não pretende atribuir culpa a ninguém antes da conclusão das apurações.
Rosangela procurou o instituto no dia 28 de outubro para realizar dois procedimentos estéticos: um lifting facial pela técnica deep plane e uma blefaroplastia, cirurgia para correção das pálpebras.
Segundo Ana Carolina, a família ainda aguarda o resultado do exame necroscópico do Instituto Médico-Legal (IML). Além disso, pretende reunir documentos médicos e outras informações para esclarecer as circunstâncias da morte.
“Nós não estamos aqui fazendo acusações de maneira nenhuma, não estamos fazendo suposições baseadas em achismos de maneira nenhuma. Nós estamos em busca da realidade dos fatos”, declarou.
Marido de Rosangela teria passado horas sem informações
De acordo com a advogada, Rosangela chegou ao Instituto Algarve por volta das 8h, acompanhada pelo marido.
Na ocasião, a equipe teria orientado o esposo a deixar o estabelecimento. Os responsáveis entrariam em contato assim que a cirurgia terminasse.
Entretanto, às 16h, o marido ainda não tinha recebido notícias. Preocupado com a demora, decidiu retornar ao instituto.
Ao chegar, aguardou algum tempo até receber a informação de que Rosangela havia sofrido uma parada cardiorrespiratória.
Segundo Ana Carolina, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) já havia recebido o chamado naquele momento.
Na sequência, a equipe de socorro encaminhou a paciente ao Hospital Bom Samaritano, em Maringá.
Advogada afirma que Rosangela chegou ao hospital em estado gravíssimo
Ana Carolina também contestou informações anteriores sobre uma possível estabilidade clínica da paciente.
Segundo ela, Rosangela chegou ao hospital em estado gravíssimo e permaneceu instável durante todo o atendimento.
“É importante frisar isso, porque em nenhum momento, como foi divulgado, ela teve algum ponto de estabilidade. Ela sempre esteve instável dentro do hospital.”
A advogada explicou que a equipe médica realizou as manobras necessárias para tentar preservar a vida da paciente.
Entretanto, ainda no dia 28, os médicos já haviam alertado a família sobre o risco de morte.
O relato representa a versão apresentada pela família. A confirmação das condições clínicas depende da análise dos registros médicos.
Família conseguiu liminar para UTI, mas Rosangela morreu antes da transferência
Outro ponto do pronunciamento envolve a assistência hospitalar.
Rosangela era professora aposentada e possuía cobertura pelo Sistema de Assistência à Saúde (SAS), destinado aos servidores estaduais do Paraná.
Conforme Ana Carolina, no dia 29 de outubro, o SAS ainda não havia autorizado a internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A advogada afirmou que o sistema alegou não oferecer cobertura para procedimentos estéticos.
Diante da situação, seu escritório entrou com um pedido judicial de urgência e conseguiu uma liminar para garantir a assistência.
“Nós conseguimos uma liminar onde o SAS precisava recebê-la pela UTI e autorizar que ela fosse transferida para a UTI. Infelizmente, não deu tempo de se cumprir a liminar, ela veio a óbito.”
Apesar da declaração, a reportagem ainda não dispõe do conteúdo integral da decisão judicial nem da manifestação administrativa do SAS.
Também não existem elementos suficientes para relacionar a demora na autorização da UTI à morte da paciente.
Família quer saber se houve negligência, imperícia ou falta de suporte
Durante o pronunciamento, Ana Carolina afirmou que a família pretende esclarecer o motivo da parada cardiorrespiratória.
Entre os questionamentos estão as condições do atendimento, a estrutura disponível para emergências e a possibilidade de negligência ou imperícia.
“Nós queremos saber se houve caso de negligência, se houve imperícia, se havia suporte adequado da emergência, então são muitos questionamentos que a família está trazendo.”
A advogada ressaltou que a família não chegou a nenhuma conclusão sobre eventuais responsabilidades.
Além disso, informou que os familiares já registraram um boletim de ocorrência e que o IML realizou o exame necroscópico.
Agora, aguardam o laudo e os demais documentos necessários para compreender o que aconteceu.
“Não podemos afirmar ainda a causa da morte, porque a necrópsia não saiu, mas nós não vamos descansar enquanto nós não obtivermos respostas.”
O resultado da perícia poderá ajudar a esclarecer a causa do óbito. Entretanto, a identificação de eventual responsabilidade exige uma análise mais ampla dos fatos e das provas.
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Sobrinha lembra trajetória de Rosangela e pede respeito
Em outro momento, Ana Carolina falou sobre a personalidade da tia e o sofrimento que a morte provocou na família.
Segundo ela, Rosangela era uma mulher vaidosa, cheia de vida e dedicada ao marido, aos filhos, aos netos e aos demais familiares.
“Era uma pessoa extremamente vaidosa, se cuidava, cuidava da sua alimentação, cuidava da alimentação do seu esposo, cuidava dos filhos, uma perda irreparável para a nossa família.”
A advogada também pediu respeito aos familiares, principalmente diante dos comentários que circulam nas redes sociais.
Ela afirmou que algumas manifestações aumentam o sofrimento de quem enfrenta o luto.
“Para nós, é alguém da nossa família, e dói muito saber que ela não está mais aqui.”
Por fim, Ana Carolina agradeceu as mensagens de solidariedade e afirmou que continuará informando a população conforme surgirem novos esclarecimentos.
Instituto Algarve apresentou sua versão sobre o caso
O Instituto Algarve divulgou anteriormente uma nota oficial com sua versão sobre o atendimento a Rosangela Coiado.
A manifestação da instituição integra o contexto do caso e deve ser considerada separadamente das declarações da família.
Até o momento, as informações apresentadas pela advogada não permitem concluir que houve erro médico, negligência, imperícia ou responsabilidade de qualquer profissional.
A família aguarda os resultados periciais e a documentação médica para buscar respostas sobre a morte de Rosangela.



