Sugestão de Projeto: Carteira de Saúde Mental Legislativa

Sugestão de Projeto: Carteira  de Saúde Mental Legislativa


Por Gilmar Ferreira

Enquanto a população de Maringá enfrenta problemas reais, dois vereadores da cidade decidiram mirar seus esforços em algo… um pouco menos urgente: bonecos. Sim, bonecos. Especificamente, os famosos bebês reborn, que viralizaram nas redes sociais como parte de uma brincadeira. Mas para Luiz Neto (Agir) e Giselli Bianchini (PP), isso parece ser assunto para política pública.

Nesta semana, Luiz Neto protocolou um pedido para criar a “Política Municipal de Atenção Psicossocial a Mães Enlutadas com Indícios de Vínculo Substitutivo com Bonecos Bebê Reborn ou outros objetos inanimados”. A proposta quer oferecer acompanhamento psicológico gratuito a mulheres que perderam filhos e criaram laços afetivos com bonecos reborn. É uma questão delicada, mas talvez um pouco além da realidade local – e da competência da Câmara.

Na mesma linha, Giselli Bianchini apresentou um pedido para elaborar um projeto de lei que prevê multas de até R$ 20 mil para quem tentar furar filas de atendimento preferencial usando bonecos reborn. Aparentemente, o temor de que um exército de “mães de boneco” invadisse os caixas preferenciais do supermercado é grande o suficiente para justificar tempo e dinheiro público.

O mais curioso – ou trágico – é perceber como a Câmara de Maringá vem se ocupando de temas cada vez mais desconectados das necessidades da população. Desde a posse, tanto Luiz Neto quanto Giselli Bianchini vêm colecionando propostas de utilidade duvidosa, quando não claramente irrelevantes. E isso custa caro: consome tempo, mobiliza servidores da Casa e transforma o Legislativo em palco de espetáculo.

Diante disso, talvez esteja na hora de instituir a Carteira de Saúde Mental Legislativa. A ideia é simples: se um vereador propõe duas ou mais leis que envolvam situações sem nenhum embasamento prático, passa automaticamente a ser avaliado por uma junta composta por psicólogos e psiquiatras. Não como punição, mas como medida preventiva – afinal, saúde mental é coisa séria, especialmente quando se tem nas mãos o poder de criar leis que impactam toda uma cidade.

Ironias à parte, o que se vê é uma inversão de prioridades. Em vez de discutir mobilidade urbana, saúde pública, geração de empregos ou políticas habitacionais, parte do Legislativo parece mais preocupada em surfar no hype das redes sociais. A política vira entretenimento, e os problemas reais seguem sem resposta.

O eleitor maringaense precisa estar atento. Porque enquanto vereadores se dedicam ao mundo do faz de conta, a cidade continua existindo no mundo real – aquele onde ainda faltam remédios, vagas em creches e segurança nos bairros.

Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira

Perfil Profissional: Gilmar Ferreira (MTB 0011341/PR) Gilmar Ferreira consolida uma carreira multifacetada como jornalista, apresentador de programas de TV e mestre de cerimônias, unindo o rigor da investigação à fluidez da comunicação ao vivo. Com atuação destacada no Paraná e Santa Catarina, ele imprime autoridade técnica e sensibilidade humana em cada projeto que lidera. Atuação Estratégica Atual Diretor de Redação: O Diário de Maringá. Comentarista: Programa Paraná Cidadesno Canal 10.1 e RDR FM 93,3. Mestre de Cerimônias: Atuação oficial em eventos de destaque no Estado do Paraná. Experiência em Televisão Reconhecido pela presença de vídeo e condução de pautas complexas, Gilmar atuou como apresentador de programas e âncora nas seguintes emissoras: TV Maringá (Band) RIC TV Maringá (Record) Record News (Rede Mercosul) RTV 10 Maringá Trajetória no Rádio Com passagens por emissoras líderes de audiência, sua voz é referência em informação e entretenimento: Paraná: Jovem Pan FM, Metropolitana FM, Rede de Rádios, Globo FM, Rádio Colorado AM e Eden FM. Santa Catarina: Rádio Menina FM e Rádio Globo AM (Blumenau)

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